Chrome passa à legalidade em Cuba

YOANI SÁNCHEZ, La Habana | 21/08/2014El logo de Google Chrome.

O gigante Google autorizou ontem que os internautas cubanos possam baixar seu conhecido navegador Chrome. O anúncio acontece dois meses depois que vários diretores da empresa norte-americana visitaram Havana e puderam comprovar por si próprios as dificuldades de acesso a grande rede mundial sofridas pelos usuários do pátio*.

Entre os temas das conversações que nós de 14ymedio e Eric Schmidt diretor executivo do Google mantivemos, estavam precisamente estas restrições. Daí nossa satisfação ao saber que as opiniões de cidadãos interessados no livre fluxo de informação e tecnológia tenham influído na eliminação desta proibição. Obstáculo que enquanto esteve de pé afetou mais a população cubana que a um Governo que se encontra entre os grandes predadores da Internet do mundo.

Durante sua viagem a Cuba os quatros diretores do Google não só padeceram dos inconvenientes dos sítios digitais censurados pelas autoridades cubanas e dos elevadíssimos preços das conexões locais públicas, como também experimentaram as restrições impostas por sua própria empresa aos internautas da Ilha. Deve ter sido um trago bem amargo esse de tentar baixar Google Chrome e ver aparecer o aviso: “Este serviço não está disponível para o seu país”.

Os usuários cubanos, afortunadamente, não esperavam que a empresa norte-americana permitisse obter o programa de um IP nacional. Google Chrome, junto ao Mozilla Firefox e ao polêmico Internet Explorer, está há vários anos entre os navegadores mais utilizados em nosso país. Bastou que alguém trouxesse o instalador depois de baixá-lo gratuitamente numa viagem ao exterior, para que este começasse a se difundir de mão em mão – ou de memória USB à memória USB – e fosse instalado em centenas – milhares? – de computadores.

O que aconteceu agora é que passamos de usuários ilegais a uma confraria de mais de 750 milhões de pessoas que no mundo todo usam este programa de modo autorizado. A notícia é agradável, porém insuficiente. Serviços como Google Analytics, Google Earth e a loja de aplicativos Android esperam por um descongelamento semelhante. Oxalá não se tenha que esperar outra visita a Cuba de diretores do Google para que essas limitações sejam eliminadas!

*refere-se a Cuba como o pátio de um quartel

Tradução por Humberto Sisley

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