Dias para se ter a televisão desligada

, La Habana | 29/07/2014

Una mujer delante del televisor. (14ymedio)

Certos dias é melhor não ligar a televisão. Agora mesmo, só de apertar um botão, uma avalanche de propaganda oficial pelos aniversários de Hugo Chávez e Fidel Castro nos cai encima. Desde 28 de julho e até o próximo 13 de agosto, a chata programação nacional carregará a mão no culto a personalidade, o kitsch ideológico e o sentimentalismo político. Coros de crianças cantando ao “Comandante eterno”, piadas de gente vista apenas passando por uma rodovia e intermináveis ambientações biográficas nos cercam por todos os lados.

“O noticiário já não tem notícias”, queixava-se ontem um vizinho que queria se inteirar do que passa no mundo e só conseguia ver uma parada de uniformes vermelhos e verde-oliva. Nesta manhã aconteceu-me o mesmo com o primeiro informativo do dia. Uma hora depois de começar não havia podido tirar a mínima informação nacional ou internacional, só loas ao “imortal guerreiro da estirpe de Bolívar” e ao “sábio guerrilheiro que o quis como a um filho”. Tendo a ser impaciente com essas superdoses lisonjeiras, desse modo desliguei a tv e comecei a chamar vários amigos para que me contassem o que estava acontecendo aqui e acolá. Ao menos nos resta a Rádio Bemba!

O oficialismo continua enfrentando a distribuição alternativa de informação, seriados e filmes nos chamados combos ou pacotes. Entretanto não faz mudanças verdadeiras em sua programação televisiva para atrair os mais jovens. Ao invés disso converte a telinha num alto-falante de palavras de ordem  e numa sequencia de materiais enfadonhos que criam repúdio e chateiam os telespectadores. Assim jamais poderão recuperar o terreno que perderam ante a antena parabólica ilegal, os conteúdos copiados em memórias USB e os discos rígidos repletos de documentários. Se continuarem os excessos ideológicos destes dias a televisão oficial se converterá – num curto prazo – num monólogo escutado por poucos.

Tradução por Humberto Sisley

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