Ruas sem protestos

La Habana | 21/07/2014

Manifestantes propalestinos en una calle de Viena. (Luz Escobar)

Uma amiga envia-me as fotos da manifestação de apoio aos palestinos nas ruas de Viena. Chegam também – de todas as partes do planeta – as imagens com cartazes de solidariedade ou repúdio a uma ou outra das partes implicadas no conflito de Gaza. Muitos tomam partido e se manifestam, seja com um tweet, pelo modo de vestir, com um grito ou um protesto público. Em Cuba, contudo, só a imprensa e as instituições oficiais podem se pronunciar com manchetes e declarações. Nos 14 dias do último e cruel enfrentamento entre Israel e o Hamás, nenhuma demonstração espontânea sobre este tema teve lugar em nossos espaços públicos.

A liberdade pode ser simulada, substituída por falsos indicadores de bem estar e justiça, porém sempre algum acontecimento a põe em cheque. O fato de que não aconteçam protestos públicos em nosso território sobre temas nacionais e internacionais, evidencia a falta de direitos e de autonomia social de que padecemos. Trata-se do mesmo amordaçamento que impediu as organizações da comunidade LGBT de protestarem pela chegada a Ilha de Vladimir Putin, considerado um dos presidentes mais homofóbicos hoje existentes no planeta. Mau sinal também que, hoje durante a chegada de Xi Jinping, não se verá ninguém nas cercanias do aeroporto reclamando pela liberdade dos dissidentes chineses ou exigindo maior cuidado pelo meio ambiente nesse país.

Repito, a liberdade pode ser simulada, porém num minuto fica evidente a sua falta, sua imensa ausência. Dessa forma que alguns dos meus amigos – um deles tem sua kufiya preparada, enquanto outro exibe uma estrela de David tatuada no braço – não poderão desfilar pelas ruas cubanas mostrando sua preferência ou sua indignação. A nenhum está permitido por iniciativa própria denunciar os mortos, o sangue e a dor. Assim não veremos fotos de Havana com suas avenidas repletas de gente indignada pelos acontecimentos de Gaza.

Tradução por Humberto Sisley

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