Como se chama a tua rede?

El abrazo de la tecnología. (14ymedio)

Encontram-se numa esquina com a fisionomia marcada pela insônia e com as calças quase caindo nos joelhos. Têm menos de vinte anos e passaram a noite entretidos com a trama de um videojogo. Ao se cumprimentarem já não dizem um simples e popular “qué volá?” * nem murmuram um grunhido, falam mesmo na língua que melhor compreendem: “Como se chama a tua rede?” – diz o mais alto ao outro. “Bad Team” é a resposta que fica flutuando no ar.

Com essa simples troca os dois jovens se apresentaram e exibiram as credenciais que mais lhes importa no momento. Disseram-se o medular: o nome para se encontrarem no novelo de conexões sem fio que vai se tecendo sobre a cidade. Apesar das incursões policiais e dos altos preços de um roteador ou APN no mercado ilegal, as redes informatizadas proliferam. Servem de substituto a Internet ausente. Através delas se movimentam jogos, documentários, atualizações para sistemas operacionais, software pirata, revistas em formato PDF, música, vídeo-clips e a publicidade incipiente do setor privado.

“Isto ninguém para” diz um adolescente de dedos alongados e ágeis, talvez por tanta prática do mouse e teclado. É um dos criadores de uma rede extensa que sai de Havana Del Este, mete-se pelas vielas de Centro Havana e chega – com seus tentáculos digitais – no ponto certo de San Miguel Del Padrón. Quando uma ofensiva policial cai sobre uma parte para confiscar antenas e acessórios, logo percebem. “Começamos a notar que perdemos os usuários, que desconectam… E isso nos mostra que algo está ocorrendo”. Uma cumplicidade virtual os une.

O Governo tem razão em estar preocupado, estes jovens já estão vivendo no futuro.

Nota do tradutor: *equivalente cubano a: “e aí?”

Tradução por Humberto Sisley

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