Mais dia, menos dia

No meu pré-universitário um velho professor de Preparação Militar enchia a boca ao dizer: “A repetição é a mãe do ensino”. Não se referia, contudo, a repetição de uma frase para aprendê-la ou a uma determinada operação matemática para memorizá-la. Na realidade estava aludindo ao castigo, ao corretivo, que – segundo ele – devia ser fatigante para que gerasse respeito. Por isso nos pressionava com gritos, ações desnecessárias e até insultos de “frouxos” quando não sabíamos manejar o fuzil ou arrastar-nos pelo mato. Porém ao invés de gravarmos os conhecimentos que dividia, todos o temíamos e detestávamos.

Essa mesma lógica de aplicar vez por outra a repressão é utilizada pelos órgãos da Segurança de Estado a cada 10 de dezembro. Vivenciamos a jornada mundial dos Direitos Humanos como vinte e quatro horas de sufocamento e ameaça. O mesmo e um pouco mais acontece a cada ano porque como todo corretivo, busca provocar paralisia em suas vítimas. Prisões, casas sitiadas e ameaças feitas com antecedência aos membros dos diversos movimentos cívicos fazem parte deste “rito aterrorizante”. Somam-se também o corte de celulares – com a cumplicidade da empresa Cubacel – e o envio de mensagens apócrifas para semear a confusão entre os ativistas.

Contudo, a penitência reiterada não está funcionando. O número dos que fazem alguma demonstração pelos DDHH está aumentando, não cede. A velha pedagogia da pancada já não se mostra exemplar, mas sim aviva os motivos para o pronunciamento. Por outro lado há gente que não pertence a nenhuma organização crítica nem a nenhum grupo dissidente que está presenciando e tomando nota dessas ondas repressivas. Testemunhas do momento em que colocam Damas de Branco a força num automóvel ou quando tomam a máquina fotográfica de um jornalista independente. Depois de verem algo assim já não poderão dizer que não sabem, já não serão os mesmos.

A repetição da repressão só atiça o inconformismo, não o aplaca. A agressão insistente não nos ensina… Porque já não queremos aprender tal lição de domesticação.

Tradução por Humberto Sisley

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One thought on “Mais dia, menos dia

  1. Porque não regressam ao “paraíso” terreno?
    Mais de 3 mil cubanos, a trabalhar na Venezuela ao abrigo de acordos de cooperação que os obriga ao fim da sua comissão a regressar ao território cubano, abandonaram este país não sabendo as autoridades o seu paradeiro. É público que este pessoal destacado (ao estilo militar) é permanentemente controlado por comparsas do regime, se assim não fosse imaginem quantos não seriam os fugitivos.
    Noticia a imprensa venezuelana.

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