Quimeras, transições e cenários

Voces 19

Texto que publiquei no número 19 da revista Voces (Vozes)
“Toda frustração é filha de expectativas excessivas” me repete um amigo quando se frustram os prognósticos de tons bonitos que invento a cada momento. As últimas décadas da minha vida – e a de tantos cubanos – foram precisamente uma variedade de vaticínios não cumpridos, cenários que nunca se concretizaram e ilusões a serem arquivadas. Uma sequencia de cabalas, rituais divinatórios e olhadas para a lua que batem de frente com a obstinada realidade. Somos um povo de Nostradamus frustrados, de agoureiros que não ganhariam a vida como tais, de profetas que alinhavam uma predição com outra sem acertar nenhuma.
Os anos noventa se tornaram, na nossa história nacional, os de maior concentração de oráculos frustrados. Recordo ter imaginado o povo nas ruas, os gritos de liberdade, a pressão da necessidade e a miséria social explodindo numa revolta pacífica que mudaria tudo. Era minha adolescência e também éramos uma sociedade imberbe… Ainda o somos. Por isso o fantasia do antes e do depois, de um feito que partiria em dois o calendário da nação outra vez, de deitarmos uma noite pensando na mudança política e tê-la conseguido antes que o próximo sol se pusesse. Como todo povo criança acreditávamos nos magos. Nesses que viriam com a varinha, o estandarte ou a tribuna para resolver tudo. Ler mais em Quimeras, transiciones e escenarios.

Tradução por Humberto Sisley

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