Cuidamos do meio ambiente em Cuba?

Lata vacía, botada en una zona del litoral habanero

Um homem vestido de mecânico verte o líquido de uma bateria no esgoto. A poucos metros dois garotos limpam uma moto e a água de sabão cai na terra, molhando as raízes das árvores próximas. Vários vizinhos colocaram fogo numa pilha de lixo, há folhas secas e galhos, mas também há um par de pilhas de algum rádio portátil e até um cartucho de impressora laser. O cozinheiro de uma empresa joga o azeite requeimado pelo ralo da pia depois de usá-lo uma dezena de vezes, isso se não o leva para casa para ser consumido por sua família. A cabeleireira que vive encima faz o mesmo quando joga as tintas fora de uso pelo vaso sanitário. A irresponsabilidade no tratamento dos resíduos se espalha por toda a Ilha. Poucos são conscientes do dano ecológico que certas ações do cotidiano provocam.

Separar os lixos de origem natural de outros como o vidro e o papelão é como uma quimera num país que não pode resolver sequer o recolhimento eficiente do lixo. Hoje, entretanto, os latões transbordam pelas esquinas, trazendo moscas, perigos à saúde e esse mau cheiro que já faz parte inseparável de cidades como Havana. Daí que se torna uma tarefa difícil conscientizar uma população cujas necessidades ainda são centradas, pelo menos, no funcionamento dos serviços comunais. Contudo, boa parte da deterioração que estamos causando no meio ambiente é irreversível e precisa de medidas urgentes para minorá-la o quanto antes.  O setor estatal é o grande predador do nosso ecossistema com suas enormes fábricas que expelem produtos químicos em rios e mares, seus inúmeros centros açucareiros sem tanques de oxidação ou seus milhares de meios de transporte que não cumprem as normas ecológicas. Tudo isso, ainda por cima, amparado pela ausência de transparência, falsificação de estatísticas e a proibição de organizações independentes que pudessem exigir tal comportamento. Não obstante, nós os cidadãos, também temos uma boa parte de culpa.

A falta de uma mentalidade ecológica é percebida em cada detalhe de nossa vida. Nota-se, por exemplo, o estrago quando tantos cubanos cortam uma árvore, cimentam o pátio de sua casa onde antes plantas cresciam, jogam produtos químicos nas águas, maltratam e matam animais ou simplesmente descartam materiais recicláveis. Não basta pedir aos meninos da escola primária que semeiem feijão para criar neles o amor pela natureza. Não é suficiente tampouco colocar anúncios televisivos no horário nobre clamando pela conservação do planeta em que vivemos. O cuidado do meio ambiente tem que ser inserido nos programas escolares, ser instrumentado num corpo legal estrito e ser promovido em todos os âmbitos.

A sociedade civil incipiente deveria levantar esta bandeira também. Sem baixar o facho dos diretos humanos e das mudanças democráticas é hora dos movimentos cívicos criarem estratégias de defesa ambiental para esta Ilha que legaremos aos nossos filhos. Grupos que reportem as agressões ao meio ambiente, organizem programas de treinamento em reciclagem e tratem de dar à proteção dos recursos naturais o protagonismo que deve ter. É bom que queiramos deixar um país livre para as próximas gerações, porém há que se começar por garantir que possamos deixar um país.

O relógio está andando. A natureza não espera. Amanhã não haverá retorno.

Tradução por Humberto Sisley

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