Meu gatinho Vinagrito

Por que aquela canção do gatinho Vinagrito nos tocava tanto a alma? Não acredito que a resposta seja o vazio audiovisual infantil em que nós vivíamos nos anos setenta e oitenta, ocupado quase em toda a sua totalidade pelas produções Made in URSS ou de outros países da Europa do Leste. Tampouco por aludir indiretamente à busca do reconhecimento humano que já havia sido tão magistralmente descrito por Hans Christian Andersen no Patinho Feio. Não, não era só isso, mesmo que também essas pudessem ser enumeradas como algumas das razões para repetir aquele estribilho chato.

A história do Vinagrito, o gato salvo da rua, tinha aquela parte sensível e doce que faltava a tantos desenhos animados do campo socialista. Estes últimos eram bem mais sombrios, trágicos ou doutrinadores, porém careciam desse melodrama com certas pinceladas de humor e ridículo que a identidade cubana tem. Já só pelo nome – diminutivo do ácido usado na cozinha – o felino despenteado nos fazia desejá-lo e enganá-lo ao mesmo tempo. Havia ali uma história de rejeição, redenção e transformação. Vinagrito conseguia converter-se no que ninguém havia esperado dele: numa mascote formosa e feliz, placidamente afundando seus bigodes no leite.

Difícil não se identificar com o “feio e magrinho” que era recolhido da rua quando tantos sentíamos também que o “fora” era a perda do eu e o fim da individualidade. Vinagrito voltava – ao contrário de nós – a estar em casa, sob o abraço da família e rodeado de atenções. Ele era resgatado enquanto nós nos perdíamos. Ele terminava no lar, ao mesmo tempo em que tantos de nós partíamos para o albergue, o acampamento e o pelotão. Ele miava sob a luz da lua… Enquanto nós perseguíamos um espelhamento ideológico.

Foi bom contar com seu rabo e seu gosto por peixe, pois de outra forma tudo haveria sido muito mais aborrecido.

Tradução por Humberto Sisley

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One thought on “Meu gatinho Vinagrito

  1. Sé que su visita a Brasil no fueron los más felices gracias a los malditos petralhas, pero todo lo que aquí en Brasil que conocen la historia de Cuba y su historia vuelta de tuerca al día que su isla deshacerse de la peor escoria que han surgido de América. En este día, quién sabe, aquí en Brasil, también vamos a meternos lilvrar los amantes de los Castros, que los adoram, pero nunca aceptarian vivir bajo su yugo.

    Sigue resistiendo. Si puedo ayudar, me hable
    Drago
    Rio de Janeiro, Brasil,

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