Comerciante, este palavrão

Foto: Silvia Corbelle

Se a realidade pudesse se personificar, adotar um corpo ou exibir contornos físicos. Se uma sociedade pudesse ser representada como um ser vivente a nossa seria vista como um adolescente em crescimento. Alguém que tem seus braços e pernas alongados, desejos de sacudir o paternalismo e se tornar adulto. Porém este rapaz imberbe veste uma roupa tão apertada que apenas o permite respirar. Nossa cotidianidade ficou comprimida pelo corpete de uma legalidade com proibições excessivas e uma ideologia tão caduca quanto imprestável. Assim desenharia a Cuba de hoje com essa forma púbere, porém reprimida. Representaria o contexto onde vivo.

A tendência governamental não se encaminha para o reconhecimento das nossas necessidades de expansão econômica e política. Ao invés trata de nos comprimir em moldes absurdos. É o caso das limitadas ocupações permitidas para trabalho por conta própria, esse setor que em qualquer outro país teria a qualificação de “privado”. Ao invés de aumentar o número das licenças para incluir mais outras atividades produtivas e de serviços, as autoridades pretendem amputar a realidade para que caiba na lista das aceitas. A lei não se comportando como fomento da criatividade e do talento, mas sim como rédea curta para limitar o empreendimento.

O último exemplo desta contradição foram as operações contra os que vendem roupa importada, trazida basicamente do Equador e Panamá. Segundo os meio oficiais muitos destes negociantes tem usado uma licença de “Alfaiate” que lhes permite comercializar os artigos saídos das suas próprias máquinas de costura para oferecer, ao contrário, blusas, calças e bolsas de confecção industrial. Como castigos impõem aos infratores o confisco da mercadoria e também multas vultosas. Os inspetores pretendem desta maneira colocar nossa realidade na camisa de força do regulamentado pelo Diário Oficial.

Por que ao invés de tanta perseguição não se autoriza o trabalho do “comerciante”? Comprar, transportar e revender artigos de alta demanda não deveria constituir um delito, mas sim uma atividade regulamentada que contribuiria com o fisco através dos impostos. Negar essa peça chave da engrenagem de qualquer sociedade é desconhecer como é estruturada a trama econômica da mesma. A plataforma legal de uma nação não existe para condenar a infância das pequenas lojas, a manufatura e a venda de churros, senão para ajudá-la a se expandir profissional e materialmente. Enquanto o governo cubano não aceitar este abc do desenvolvimento nossa realidade deverá crescer e esticar seus braços para a ilegalidade e a clandestinidade.

Tradução por Humberto Sisley

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