Troca-se um FIAT argentino por um teto cubano

fiat-vendo-500x339-400x271

Foi-lhe outorgado pelos seus méritos e o pagou a preço subvencionado em 1975 no mesmo ano do primeiro congresso do Partido Comunista. Ganhou a oportunidade de comprar aquele flamejante FIAT 125, feito na Argentina, porque era um doutor vanguardista e revolucionário irrepreensível. Na primeira vez em que estacionou na sua rua de província os vizinhos o olharam com inveja e respeito. Atrás do volante sentia-se como quem apenas começava a dar o primeiro passo num promissório caminho de bonança. Porém o tempo passou, sobre seu corpo e também sobre a carroçaria azulada que começou a perder a cor e amassar. Agora o automóvel está prestes a completar a mesma idade que sua filha menor, uns 37 dezembros de benefícios e tropeços.

Por décadas desistiu de fazer algum conserto integral, pois seu salário de pediatra não chegava nem para trocar o pára-brisa. Em meados dos noventa não pôde mais e alugou o FIAT para um vizinho que negociava produtos no mercado negro. Entre deixá-lo oxidando na garagem ou alugá-lo para alguém com recursos, preferiu este último. Desse modo o automóvel entregue como prêmio pela fidelidade ideológica foi parar com quem nunca houvera sido eleito pelas instituições para receber tal privilégio. A moeda da lealdade política acabava vencida aos pés de outra mais real, sonante e conversível.

Quando a compra e venda de automóveis foi autorizada decidiram legalizar aquela transferência. O vizinho de posses – que já havia investido em novos pneus, um ar condicionado e até assentos forrados de couro – entregou uns 1 mil CUC (900 USD) para fechar o negócio. Não quis dar nem um centavo a mais, pois já havia pagado um aluguel mensal durante vários anos. Finalmente, ante um tabelião, o FIAT engordou a lista dos 8390 automóveis vendidos no primeiro trimestre de 2012. Com o dinheiro conseguido o médico comprou materiais para restaurar o teto da sua casa e se livrar das telhas estragadas de quase cem anos. Transformou assim o objeto que uma vez havia sido seu maior orgulho na laje de concreto que nunca pode construir com seu salário.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto

Anúncios

16 thoughts on “Troca-se um FIAT argentino por um teto cubano

  1. Cuba: lentidão de reformas econômicas gera frustração, diz grupo
    23 de maio de 2012
    A lentidão e a timidez das reformas econômicas do ditador Raúl Castro estão causando “frustração e desesperança” em Cuba, advertiram comunicadores católicos da ilha, em uma mensagem divulgada pela Igreja em seu site nesta quarta-feira. “As reformas, insuficientes e lentamente implementadas, não atingiram um impacto significativo na solução desta crise, o que gerou sentimentos de frustração e desesperança”, afirmaram os comunicadores católicos na conclusão de um encontro de quatro dias.
    O ambiente de alegria causado pela peregrinação nacional da imagem da Virgem da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba, e a visita do papa Bento XVI em março, “se vê ofuscado pela crise que nossa pátria atravessa”, disseram os comunicadores. “Para mudar esta realidade, consideramos que é imprescindível que se ouça de forma atenta os anseios mais profundos do povo, um firme compromisso com a verdade e a plena transparência informativa”, acrescentaram, ao ressaltar que “apenas se forem garantidas vias efetivas de participação, e vivemos todos um processo profundo de reconciliação, haverá um futuro para Cuba”.
    Entre as reformas propostas por Raúl Castro e aprovadas em abril de 2011 pelo VI Congresso do governante Partido comunista (único), está o incentivo aos negócios privados, para o qual a Igreja contribuiu com cursos e oficinas de capacitação.
    Via Portal Terra.
    ________________________________________________________________________________
    No socialismo tudo anda a passo de cagado, menos a corrupção da nomemklatura.

  2. .

    Hum…, pô meu !!!

    O texto desta postagem da Yoani é realmente bastante, como poderia escrever, rebelde.

    Espero que o comandante sempre enfermo não tenha dado aos seus seguidores nenhum FIAT 147.
    Esse eu tive e posso escrever que ele é uma bomba !!!
    Nem de graça quero um destes.
    Interessante. Ele tem um filtro de óleo antes do filtro de ar do motor.
    Mas o Marea Weekend 2.0 Fivetech vai bem obrigado.

  3. REPARAÇÃO PARA TODOS Assista ao documentário REPARAÇÃO no youtube

    Comentários de Reinaldo Azevedo:
    O filme “Reparação”, do cineasta Daniel Moreno, está no Youtube, na íntegra. Assista quando tiver um tempo. Não se trata, é evidente, da defesa da ditadura, da tortura ou da violência do estado. Ao contrário: o que se tem ali, na voz de todos os entrevistados, é a defesa enfática da democracia. Só que ele optou, à diferença do que se costuma fazer quando se retratam os embates entre as esquerdas e o regime militar, pelo rigor histórico. O fio condutor do debate é a história de Orlando Lovecchio (veja post nesta manhã), que perdeu a perna num atentado praticado pela ALN, de Carlos Marighella. O terrorista foi saudado como herói pela Comissão de Anistia. Bilhões foram concedidos em indenização. Lovecchio recebe um pensão de R$ 500 — um dos que ajudaram a pôr a bomba no Conjunto Nacional, em São Paulo, que o vitimou, é um “anistiado” e recebe pelo menos o triplo.
    O filme é sereno, rigoroso, sem proselitismo. Não obstante, foi absolutamente ignorado pela imprensa, como se nunca tivesse existido. O vídeo tem quase uma hora e meia. Veja tão logo possa. Há aí vasto material para reflexão.

  4. Concepcao alucinada da historia: “mensalao” como “golpe da imprensa”
    Poderia ser alucinação, mas pode ser simplesmente cinismo, ou tentativa desesperada de, mais uma vez fraudar não só a história, real, objetiva, do país, mas as próprias instituições do Estado, que denunciaram uma trama sórdida de compra de partidos e políticos.
    Nunca antes na história deste país, alguém que exerceu cargos de tão alta responsabilidade desceu tão baixo na mentira e na fraude para defender comportamentos mafiosos que marcaram indelevelmente seu partido e seus dirigentes.
    O Editorial do Estadão, reproduzido mais abaixo, caracteriza Lula como “prisioneiro do ressentimento”. Acho que o jornal se engana: não se trata de ressentimento. Lula tem ódio dos que não aderem incondicionalmente a seu estilo bizarro de governar (e o bizarro só figura aqui para não colocar um conceito mais forte, próximo das famiglias conhecidas no submundo de certos países). Ele tem despeito, inveja, ódio, e uma tremenda necessidade de que os outros o reconheçam como o primus inter pares, o melhor de todos, o único, o semi-deus da história brasileira.
    Além da megalomania, e da obsessão narcissista, certos traços beiram o totalitarismo dos tiranos, aqueles que só podem convive com quem os bajula.
    Paulo Roberto de Almeida

  5. “(…) Falso ideal

    8. A doutrina comunista que em nossos dias se apregoa, de modo muito mais acentuado que outros sistemas semelhantes do passado, apresenta-se sob a máscara de redenção dos humildes. E um pseudo-ideal de justiça, de igualdade e de fraternidade universal no trabalho de tal modo impregna toda a sua doutrina e toda a sua atividade dum misticismo hipócrita, que as multidões seduzidas por promessas falazes e como que estimuladas por um contágio violentíssimo lhes comunica um ardor e entusiasmo irreprimível, o que é muito mais fácil em nossos dias, em que a pouco eqüitativa repartição dos bens deste mundo dá como conseqüência a miséria anormal de muitos. Proclamam com orgulho e exaltam até esse pseudo-ideal, como se dele se tivesse originado o progresso econômico, o qual, quando em alguma parte é real, tem explicação em causas muito diversas, como, por exemplo, a intensificação da produção industrial, introduzida em regiões que antes nada disso possuíam, a valorização de enormes riquezas naturais, exploradas com imensos lucros, sem o menor respeito dos direitos humanos, o emprego enfim da coação brutal que dura e cruelmente força os operários a pesadíssimos trabalhos com um salário de miséria. (…)”
    http://​cavaleirodotemplo.blogspot.com.​br/2012/05/​divini-redemptoris-sobre-o-comu​nismo.html?spref=fb

  6. Não é da turma, não tem indenização !!!

    A Comissão da Anistia negou hoje por unanimidade indenização e pensão ao ex-marinheiro José Anselmo dos Santos, de 70 anos, conhecido como cabo Anselmo. Não foi comunista o tempo todo, entendeu a comissão formada por petistas, que já acolheu o pedido de centenas de comunistas, ditos perseguidos pela ditadura, a um custo que já ultrapassa 4 bilhões de reais. Mas comunista vira-casaca, não tem indenização e nem bolsa ditadura.

    Anselmo foi do bando, sobressaindo-se quando liderou a Revolta dos Marinheiros, um dos marcos da ditadura, em 1964. Militou no bando comunista até 1971, quando ao voltar de Cuba foi preso. Nesse período, foi da turma, foi preso, perdeu o emprego de cabo da Marinha, foi torturado e foi treinar guerrilha em Cuba, como um Zé Dirceu da vida.

    Depois de 1971, preso pelo delegado Fleury quando voltou, deu informações que levaram à prisão e à morte de comunistas em aparelhos terroristas. Cabo Anselmo nunca matou ninguém. Não era “operacional”, mas da “inteligência”.

    Não é o caso de outros terroristas anistiados pela comissão petista, que mataram, deram tiro, como mataram também seus próprios comparsas.

    Um desses “justiçados” foi Márcio Leite de Toledo. Aos19 anos também foi enviado a Cuba pela Aliança Libertadora Nacional para fazer um curso de guerrilha. Ao voltar em 1970, tornou-se um dos cinco integrantes da Coordenação Nacional do bando.

    Estava em desacordo e foi condenado por um tribunal “revolucionário”, comandado pelo terrorista Carlos Eugênio da Paz, ainda vivo, anistiado e indenizado pela comissão de anistia, e que participou pessoalmente da morte de Márcio.

    A “sentença” revolucionária foi executada no final da tarde do dia 23 de março de 1971, no centro de São Paulo. Antes de sair para a morte, o jovem escreveu que “nada o impediria de continuar combatendo”. Tomou oito tiros dos companheiros na emboscada armada e morreu no ato.

    O terrorista Carlo Eugênio da Paz fez muito mais que matar o comparsa Márcio Toledo, para merecer indenização e pensão dessa comissão petista de anistia. Sua estória mais famosa, relatada por ele mesmo na TV, é a do assassinato de um empresário, acusado pelo bando de ser financiador da repressão aos comunistas.

    O vídeo anda pela internet. Ele conta como de dentro de um carro, com um fuzil “bom para execução”, acertou a nuca do empresário, mas de raspão. A vítima, que estava em outro carro, saiu e começou a fugir, cambaleante. Carlos Eugêncio da Paz foi atrás, deu mais “dois ou três tiros”, acompanhado de outro terrorista que descarregava a metralhadora nas costas da vítima que fugia. Deu, faz questão de lembrar da praxe, um último tiro para certificar que a “ação” correra bem. E deixaram um bilhete, explicando o ato”revolucionário”.

    Esse pessoal ganha indenização da comissão petista. O cabo Anselmo não. Não é da turma. A propósito, dois outros foram anistiados indenizados e pensionados hoje pela comissão. Ana Lúcia Valença de Santana Oliveira, que receberá um valor único de R$ 100 mil, e Anivaldo Pereira Padilha, que receberá uma parcela de R$ 229 mil e um benefício mensal de R$ 2.484. Anivaldo é pai do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

    Mas o cabo Anselmo pode não ter saído com uma mão na frente e outra atrás do julgamento da comissão petista da anistia. É provável que tenha conseguido ter de novo uma carteira de indentidade, que ele não tinha mais e nem conseguia tirar, desde que voltou do treinamento de Cuba e foi preso. Sem ela provavelmente não terá sido identificado no tribunal da comissão que lhe negou anistia, indenização e passadio. Não poderia fazê-lo, sob pena de parecer que revolucionário de esquerda é honesto. Não fica bem entre eles. Vale para a “comissão da verdade”.

  7. Stalinista reafirma dogma da guerrilha
    Janer Cristaldo // quarta-feira, 23/05/2012 02:02

    Ao fazer a defesa do direito de resistência e comparar o assalto ao poder pelas esquerdas no Brasil nos anos 60 – e bem antes de 64, é bom salientar – à resistência francesa, escreve o stalinista de plantão da Folha de São Paulo:

    – “Toda violação dos direitos humanos será investigada.” Com essa frase, Gilson Dipp, um dos integrantes da Comissão da Verdade, procurou constranger setores da esquerda que procuram levar a cabo as exigências de punição aos crimes da ditadura militar. Trata-se de pressupor que tanto o aparato estatal da ditadura militar quanto os membros da luta armada foram responsáveis por violações dos direitos humanos. É como se a verdadeira função da Comissão da Verdade fosse referendar a versão oficial de que todos os lados cometeram excessos equivalentes, por isso o melhor é não punir nada.

    Os mentores da dita Comissão da Verdade reiteram a toda hora que sua finalidade é o reestabelecimento dos fatos, e não a punição dos envolvidos. Vladimir Safatle se trai ao afirmar que, segundo a Comissão, o melhor seria não punir nada. No fundo, vê como alvo da Comissão a punição dos envolvidos. Mas atenção: apenas dos militares. A guerrilha, que matou gente que nada tinha a ver com o peixe, e inclusive executou militantes, não pode ser punida.

    Esta postura das esquerdas está longe de ser nova. Em 2008, Dilma Rousseff, Tarso Genro, Paulo Vanucchi, então ministros de Lula, levantaram a tese de que tortura é crime imprescritível e portanto seus autores devem ser punidos. Para sustentar a exótica idéia, alegaram que tortura é crime comum, não é crime político, e portanto não está coberta pela Lei da Anistia. Ora, salta aos olhos que a tortura, na ocasião, teve razões políticas. Tortura como crime comum é esta tortura praticada cotidianamente em praticamente todas as prisões do país e que não merece a preocupação de ninguém. Aliás, a preocupação com a tortura só surgiu no Brasil quando os meninos da classe média entraram no pau. Quando só os pobres eram torturados, não víamos ninguém falar em direitos humanos.

    Ao que tudo indica, os ilustres celerados, no afã do revanchismo, esqueceram de examinar com mais cuidado a Constituição, que reza em seu artigo XLIII:
    – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
    E no XLIV:
    – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
    Foi preciso que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, refrescasse a memória dos sedentos ministros de Lula. “Essa discussão sobre imprescritibilidade tem dupla face. O texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível”, disse Mendes. E emendou: “Tenho uma posição muito clara em relação a isso. Repudio qualquer manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente casos de direitos humanos. Direitos humanos valem para todos: presos, ativistas políticos. Não é possível dar prioridade a determinadas pessoas que tenham determinada atuação política. Direitos humanos não podem ser ideologizados, é bom que isso fique claro”.
    Tarso Genro, ministro da Justiça, apressou-se em pôr o bigodinho stalinista de molho. Em declaração à Folha de São Paulo, afirmou que os grupos de esquerda que adotaram a luta armada contra a ditadura militar “não podem ser classificados como terroristas”. Haja malabarismo verbal para provar que seqüestros de diplomatas, assassinatos de pessoas inocentes, assaltos a bancos e execuções sumárias de colegas de armas não constituem terrorismo.

    Para sustentar sua tese esdrúxula, Tarso afirmou na época que “o terrorismo é sempre uma ação bélica que atinge uma comunidade indeterminada de inocentes que estão fora do conflito”. O ministro dizia aceitar as leis internacionais e a Constituição, que “tornam o crime de terrorismo perfeitamente enquadrável” como imprescritível. Mas reiterava que as organizações de esquerda contrárias à ditadura não se guiaram por esse princípio. “Houve atos isolados.”

    Quantos atos isolados? Se os militares mataram 376 pessoas, os gentis militantes das esquerdas mataram 116. Não são atos tão isolados assim. Sem falar que a guerrilha não foi uma resposta à ditadura. A ditadura é que foi, isto sim, uma resposta à guerrilha. O palavroso ministro pareceu esquecer que antes de 64 Francisco Julião já montava a guerrilha comunista, com armas recebidas de seu bom amigo Fidel Castro.

    Para as esquerdas, anistia tem um lado só. É perdão de seus crimes, jamais dos crimes dos adversários. Para começar, anistia nada tem a ver com perdão. Anistia é esquecimento. É como se as partes em conflito decidissem: em nome do bom entendimento da nação, esqueçamos as barbaridades do passado. Nenhum crime será perdoado. Mas será esquecido. Eu esqueço teus crimes, tu esqueces os meus. E vamos em frente. As esquerdas jamais aceitaram a dupla mão da instituição.

    Continua o stalinista de plantão da Folha de São Paulo:
    – Os resistentes franceses também fizeram atos violentos contra colaboradores do Exército alemão durante a Segunda Guerra, e nem por isso alguém teve a ideia estúpida de criminalizar suas ações.
    Safatle não nasceu ontem. É de supor-se que saiba ler. Portanto deve saber muito bem que raros foram os colaboradores executados e dezenas de milhares foram os franceses que colaboraram com o invasor sem que tivessem sido punidos. Pelo contrário, o mundo literário e artístico francês conviveu amigavelmente com os ocupantes, a ponto de imprimir programas de ópera em alemão, para conforto dos invasores amantes do bel canto. Durante a ocupação, os parisienses continuaram cantando e dançando junto com o inimigo. Mitterrand, por exemplo, esse ícone das esquerdas, foi condecorado com a medalha Francisque pelo governo de Pétain. Se alguns franceses reagiram com violência, estavam reagindo contra um inimigo definido, declarado.

    Não foi o caso das esquerdas no Brasil, que estabeleceram um dogma para uso próprio: estavam lutando contra a ditadura. Para começar, negam, contra a evidência dos fatos, que estivessem preparando um assalto ao poder antes da ditadura. No início dos 60, já havia guerrilheiros sendo treinados na União Soviética e Cuba. Moscou preparava uma reedição da fracassada Intentona de 35. Os militares reagiram, instauraram um regime de exceção e o que era luta para instalar um regime comunista virou, de repente, luta contra a ditadura. Ora, a luta era bem outra. A guerrilha toda foi de inspiração marxista. Quando, na história, alguém viu um marxista lutando por democracia?
    Continua Safatle:
    – Àqueles que se levantam para afirmar que “a guerrilha matou tal soldado, tal financiador da Operação Bandeirantes”, devemos dizer: “Tais ações não podem ser julgadas como crimes, pois elas eram ações de resistência contra um Estado criminoso e ditatorial”.
    O mesmo poderia ser dito a favor dos militares. Que mataram lutando contra uma filosofia criminosa e ditatorial. Agiram com mão pesada? Deveriam então ser punidos. Ocorre que foram anistiados. Como também os guerrilheiros. Mas Safatle tem uma visão diferente:
    – Como se não bastasse, integrantes da Comissão da Verdade que dizem querer investigar ações dos grupos de resistência “esquecem” que os membros da luta armada julgados por crimes de sangue não foram anistiados. Eles apenas receberam uma diminuição das penas. Ou seja, os únicos anistiados foram os militares, graças a uma lei que eles mesmos fizeram, sem negociação alguma com a sociedade civil.
    Há uma imprecisão em sua afirmação. Melhor diria se afirmasse que os únicos apenas anistiados foram os militares. Os demais membros da guerrilha foram não só anistiados como também regiamente recompensados. Mais ainda, sobraram benesses para vigaristas que sequer pegaram em armas e alegaram ser vítimas da ditadura, como Ziraldo e Carlos Heitor Cony. Em 2010, segundo o Estadão, pelo menos R$ 4 bilhões de indenizações aos ditos perseguidos políticos já haviam sido pagas ou aprovadas pela Comissão da Anistia.
    Safatle, como bom stalinista, defende o sagrado direito de celerados lutarem por ditaduras, desde que comunistas. Lutar contra os que lutam por ditaduras é que é crime.

  8. ESCÂNDALO. RISCO DE MORTE EM MASSA.

    Médicos reprovados – 03 de janeiro de 2011 – O Estado de S.Paulo Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de médicos formados no exterior confirmaram os temores das associações médicas brasileiras. Dos 628 profissionais que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação, 626 foram reprovados e apenas 2 conseguiram autorização para clinicar. A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas. As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais e confessionais do País. As faculdades cubanas – a mais conhecida é a Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana – são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade ideológica. Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo, tendo sido indicados por movimentos sociais, organizações não governamentais e partidos políticos. Dos 160 brasileiros que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007, 26 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Entre 2007 e 2008, organizações indígenas enviaram para lá 36 jovens índios. Desde que o PT, o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados não teriam condições de exercer a medicina no País. As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam, entre 2005 e 2009, só 25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional. Em resposta, o PT, o PC do B e o MST recorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva, voltada mais para a prevenção de doenças entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa. No marketing político cubano, os médicos “curativos” teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos, não se preocupando com a saúde das chamadas “classes populares”. Entre 2006 e 2007, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara chegou a aprovar um projeto preparado pelas chancelarias do Brasil e de Cuba, permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina expedidos nos dois países, mas os líderes governistas não o levaram a plenário, temendo uma derrota. No ano seguinte, depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma “solução” para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde. E, em 2009, governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010. Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC, e aplicada por todas as universidades. Por causa do desempenho desastroso dos médicos formados no exterior, o governo – mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias – pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de “promover ajustes”. As entidades médicas já perceberam a manobra e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação. Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas Depois reclamam dos médicos brasileiros……… Ass. Mercia Veloso Gomes Pedroza
    ________________________________________________________________________________________________________
    o QUE JÁ é ruim, tende a ficar pior, se autorizarem a entrada desses verdadeiros auxiliares de enfermagem no mercado brasileiro.

  9. Pedro Simon pede mobilização diante do Congresso para cobrar medidas da CPI do Cachoeira

    Senador Pedro Simon: jovens deveriam pressionar a CPI do Cachoeira para quebrar os sigilos da Delta Construtora e convocar governadores citados nas investigações da Polícia Federal

    Da Agência Senado
    O senador Pedro Simon (PMDB-RS) convocou os jovens do país para estarem à frente do Senado, na próxima terça-feira,29, a fim de pressionar os integrantes da CPI que investiga esquema de jogos ilegais e corrupção a aprovar os requerimentos de quebra de sigilo da Delta Construtora e de convocação dos governadores citados nas investigações.

    Em pronunciamento hoje, quinta-feira, o senador afirmou que só uma mobilização popular, com ajuda das redes sociais, pode dar força aos trabalhos da CPI.

    – Seria muito bom se na terça-feira os jovens das redes sociais estivessem aqui, na frente do Senado, como estiveram quando o Senado votou a Lei da Ficha Limpa. Ninguém pode saber como será a votação [dos requerimentos]. Mas eu garanto: com os jovens aqui na frente, será uma coisa, sem eles, vai ser diferente – argumentou o senador.

    Críticas à CPI e ação popular para suspender a venda da Delta Construtora

    Pedro Simon destacou a iniciativa dos senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) de apresentar uma ação popular à Justiça pedindo a suspensão da venda da Delta Construtora, assim como a nomeação de um interventor para administrar a empresa e evitar transferências de recursos a seus sócios-proprietários.

    Para o senador, a medida deveria ter sido a primeira a ser tomada pela CPI, em vez de surgir da ação individual de três parlamentares, um mês depois da instalação da comissão.

    – Isso não foi aprovado na comissão, os três parlamentares precisaram fazer em nome deles porque a comissão não aceitou. Deixou para votar na terça-feira. Meus cumprimentos aos três nobres integrantes da CPI. Eles salvaram a comissão, o Senado e o Congresso Nacional – afirmou Simon.

    Em aparte, o senador Randolfe Rodrigues reforçou o pedido por mobilização social para pressionar os integrantes da comissão parlamentar. O senador ressaltou que, sem a pressão das ruas, a CPI não vai avançar.

    Simon discordou de Randolfe quanto ao termo “avançar”. Para o senador, a CPI não precisa avançar e, sim, tomar cuidado para não “recuar exageradamente”. Isso porque boa parte das investigações sobre o esquema de corrupção aliado ao jogo ilegal já foi feita pela Polícia Federal.

    A CPI do Cachoeira, ao contrário das que a antecederam, não precisaria “sair correndo para buscar os fatos”, mas apenas analisá-los.

    Coluna do Ricardo Setti

    8)

  10. A verdade: eu menti.

    Eu, de minha parte, vou dar uma contribuição à Comissão da Verdade, e contar tudo: eu era uma subversivazinha medíocre e, tão logo fui aliciada, já caí (jargão entre militantes para quem foi preso), com as mãos cheias de material comprometedor.
    Despreparada e festiva, eu não tivera nem o cuidado de esconder os exemplares d’A Classe Operária, o jornal da organização clandestina a que eu pertencia (a AP-ML, ala vermelha maoísta do PC do B, a mesma que fazia a Guerrilha do Araguaia, no Pará).
    Os jornais estavam enfiados no meio dos meus livros numa estante, daquelas improvisadas, de tijolos e tábuas, que existiam em todas as repúblicas de estudantes, em Brasília naquele ano de 1973.
    Já relatei o que eu fazia como militante*. Quase nada. A minha verdadeira ação revolucionária foi outra, esta sim, competente, profícua, sistemática: MENTI DESCARADAMENTE DURANTE QUASE 40 ANOS!* (O primeiro texto fala em 30 anos. Eu fui fazer as contas, são quase 40 anos, desde que comecei a mentir sobre os ‘maus tratos’. Façam as contas, fui presa em 20 de junho de 73. Em 2013, terão se passado 40 anos.)
    Repeti e escrevi a mentira de que eu tinha tomado choques elétricos (por pudor, limitei-me a dizer que foram poucos, é verdade), que me deram socos e empurrões, interrogaram-me com luzes fortes, que me ameaçaram de estupro quando voltava à noite dos interrogatórios no DOI-CODI para o PIC e que eu passava noites ouvindo “gritos assombrosos” de outros presos sendo torturados (aconteceu uma única vez, por pouquíssimos segundos: ouvi gritos e alguém me disse que era minha irmã sendo torturada. Os gritos cessaram – achei, depois, que fosse gravação – e minha irmã, que também tinha sido presa, não teve um único fio de cabelo tocado).
    Eu também menti dizendo que meus algozes, diversas vezes, se divertiam jogando-me escada abaixo, e, quando eu achava que ia rolar pelos degraus, alguém me amparava (inventei um ‘trauma de escadas”, imagina). A verdade: certa vez, ao descer as escadas até a garagem no subsolo do Ministério do Exército, na Esplanada dos Ministérios, onde éramos interrogados, alguém me desequilibrou e outro me segurou, antes que eu caísse.
    Quanto aos ‘socos e empurrões’ de que eu dizia ter sido alvo durante os dias de prisão, não houve violência que chegasse a machucar; nada mais que um gesto irritado de qualquer dos inquisidores; afinal, eu os levava à loucura, com meu enrolation. Eu sou rápida no raciocínio, sei manipular as palavras, domino a arte de florear o discurso. Um deles repetia sempre: “Você é muito inteligente. Já contou o pré-primário. Agora, senta e escreve o resto”.
    Quem, durante todos estes anos, tenha me ouvido relatar aqueles 10 dias em que estive presa, tinha o dever de carimbar a minha testa com a marca de “vítima da repressão”. A impressão, pelo relato, é de que aquilo deve ter sido um calvário tão doloroso que valeria uma nota preta hoje, os beneficiados com as indenizações da Comissão da Anistia sabem do que eu estou falando. Havia, sim, ameaças, gritos, interrogatórios intermináveis e, principalmente, muito medo (meu, claro).
    Torturada?! Eu?! Ma va! As palmadas que dei em meus filhos podem ser consideradas ‘tortura inumana’ se comparadas ao que (não) sofri nas mãos dos agentes do DOI-CODI.
    Que teve gente que padeceu, é claro que teve. Mas alguém acha que todos nós que saíamos da cadeia contando que tínhamos sido ‘barbaramente torturados’ falávamos a verdade?
    Não, não é verdade. A maioria destas ‘barbaridades e torturas’ era pura mentira! Por Deus, nós sabemos disto! Ninguém apresentava a marca de um beliscão no corpo. Éramos ‘barbaramente torturados’ e ninguém tinha uma única mancha roxa para mostrar! Sei, técnica de torturadores. Não, técnica de ‘torturado’, ou seja, mentira. Mário Lago, comunista até a morte, ensinava: “quando sair da cadeia, diga que foi torturado. Sempre.”
    Na verdade, a pior coisa que podia nos acontecer naqueles “anos de chumbo” era não ser preso(sic). Como assim todo mundo ia preso e nós não? Ser preso dava currículo, demonstrava que éramos da pesada, revolucionários perigosos, ameaça ao regime, comunistas de verdade! Sair dizendo que tínhamos apanhado, então! Mártires, heróis, cabras bons.
    Vaidade e mau-caratismo puros, só isto. Nós saíamos com a aura de hérois e a ditadura com a marca da violência e arbítrio. Era mentira? Era, mas, para um revolucionário comunista, a verdade é um conceito burguês, Lênin já tinha nos ensinado o que fazer.
    E o que era melhor: dizer que tínhamos sido torturados escondia as patifarias e ‘amarelões’ que nos acometiam quando ficávamos cara a cara com os “ômi”. Com esta raia miúda que nós éramos, não precisava bater. Era só ameaçar, a gente abria o bico rapidinho.
    Quando um dia, durante um interrogatório, perguntaram-me se eu queria conhecer a ‘marieta’, pensei que fosse uma torturadora braba. Mas era choque elétrico (parece que ‘marieta’ era uma corruptela de ‘maritaca’, nome que se dava à maquininha usada para dar choque elétrico). Eu não a quis conhecer. Abri o bico, de novo.
    Relembrar estes fatos está sendo frutífero. Criei coragem e comecei a ler um livro que tenho desde 2009 (é mais um que eu ainda não tinha lido): “A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça”, escrito pelo coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Editora Ser, publicado em 2007. Serão quase 600 páginas de ‘verdade sufocada”? Vou conferir.

    * http://blogdemirianmacedo.blogspot.com/2011/03/sobre-honestino-guimaraes-odemocrata.html

  11. O que a esquerda anuncia é assustador
    ESCRITO POR ORLANDO BRAGA

    A ditadura da “neutralidade de gêneros” é o novo absurdo da esquerda sueca: não basta a igualdade entre homens e mulheres, é necessária a proibição de todo e qualquer elemento cultural que aponte para a existência dos dois sexos.

    “In 2010, the World Economic Forum designated Sweden as the most gender-equal country in the world. But for many Swedes, gender equality is not enough. Many are pushing for the Nordic nation to be not simply gender-equal but gender-neutral. The idea is that the government and society should tolerate no distinctions at all between the sexes.”
    (Via Hen: Sweden’s new gender neutral pronoun causes controversy, na Slate Magazine.)

    A julgar pelos fatos, ser de esquerda é resultado de uma doença mental que se caracteriza por um defasamento em relação à realidade, e mesmo uma recusa da realidade. O indivíduo de esquerda recusa a realidade — a “Grande Recusa”, da Utopia Negativa de Marcuse e Adorno.

    A esquerda, depois do desastre da queda do muro, começou por adotar a Teoria Crítica de Marcuse e Adorno. A Teoria Crítica consiste em criticar — critica tudo e todos —, mas não sugere soluções para os problemas. E depois da ação política demolidora e picareta da Teoria Crítica, a Esquerda passou à adoção dos princípios da Grande Recusa, segundo a Utopia Negativa.

    A “grande recusa”, segundo Marcuse, significa a não-aceitação (neognosticismo) da realidade inerente à mais fundamental condição humana. O gnóstico atual recusa a condição fundamental da realidade humana e pretende escapar dela, e nesse movimento de escape em relação à realidade fundamental da condição humana, o gnóstico actual assume a irracionalidade e o absurdo como base de acção política [“delírio interpretativo”, segundo o conceito de Paul Sérieux].

    O gnóstico atual não consegue distinguir a injustiça, que pode ser corrigida, por um lado, e por outro lado, a condição fundamental da realidade humana, que o gnóstico atual também considera injusta, mas que não pode ser mudada sem que o indivíduo e a sociedade sofram a espécie de horrores perpetrados pela mente revolucionária durante o século XX (nazismo, comunismo, eugenismo, totalitarismos em geral).

    ***

    A esquerda (ou o politicamente correto, ou o marxismo cultural), começou pela “igualdade de oportunidades” entre os dois sexos, tendo como base o princípio da autonomia (Kant); mas agora, a esquerda entrou pela Grande Recusa e inicia, em nome da autonomia do indivíduo, a recusa da pré-determinação natural dos dois sexos.

    Depois da política de “igualdade de gêneros”, eis que nos chega o conceito de “neutralidade de gênero”. Tudo o que identifique culturalmente (símbolos) a existência objetiva dos dois sexos, passa a ser proibido pelo Estado. Por exemplo, em algumas escolas suecas já é proibido às crianças o uso das palavras “rapazes” e “raparigas”, como se a realidade da natureza não estipulasse, de um modo fundamental, que existem rapazes e raparigas.

    Na realidade, o que se passa é que a política repressiva de “neutralidade de gênero” vai desembocar em uma outra cultura de “não-neutralidade de gênero” — só que ainda não podemos saber os contornos dessa nova cultura não-neutral em relação aos dois sexos; e nem os próprios esquerdistas têm hoje a noção das consequências da sua política de neutralidade de gênero.

    Provavelmente, países como a Suécia podem desembocar numa sociedade matriarcal, mas neste tipo de sociedade também não existe neutralidade entre os dois sexos porque isso é uma impossibilidade objetiva. “Neutralidade de gênero” é uma falácia e um absurdo. Resta saber se a sociedade matriarcal é melhor do que a sociedade patriarcal; eu tenho dúvidas.

    A política de “neutralidade de gênero” é como o multiculturalismo: um dia destes, um político sueco virá a público dizer que essa concepção política já não faz sentido. Mas entretanto, já existem erros que serão pagos pela sociedade com “língua de palmo”, e devido ao delírio interpretativo dos intelectuais de esquerda.

  12. STALINISTA DE PLANTÃO DA FSP REAFIRMA DOGMA DA GUERRILHA – Janer Cristaldo

    Terça-feira, Maio 22, 2012

    Ao fazer a defesa do direito de resistência e comparar o assalto ao poder pelas esquerdas no Brasil nos anos 60 – e bem antes de 64, é bom salientar – à resistência francesa, escreve o stalinista de plantão da Folha de São Paulo:

    – “Toda violação dos direitos humanos será investigada.” Com essa frase, Gilson Dipp, um dos integrantes da Comissão da Verdade, procurou constranger setores da esquerda que procuram levar a cabo as exigências de punição aos crimes da ditadura militar. Trata-se de pressupor que tanto o aparato estatal da ditadura militar quanto os membros da luta armada foram responsáveis por violações dos direitos humanos. É como se a verdadeira função da Comissão da Verdade fosse referendar a versão oficial de que todos os lados cometeram excessos equivalentes, por isso o melhor é não punir nada.

    Os mentores da dita Comissão da Verdade reiteram a toda hora que sua finalidade é o reestabelecimento dos fatos, e não a punição dos envolvidos. Vladimir Safatle se trai ao afirmar que, segundo a Comissão, o melhor seria não punir nada. No fundo, vê como alvo da Comissão a punição dos envolvidos. Mas atenção: apenas dos militares. A guerrilha, que matou gente que nada tinha a ver com o peixe, e inclusive executou militantes, não pode ser punida.

    Esta postura das esquerdas está longe de ser nova. Em 2008, Dilma Rousseff, Tarso Genro, Paulo Vanucchi, então ministros de Lula, levantaram a tese de que tortura é crime imprescritível e portanto seus autores devem ser punidos. Para sustentar a exótica idéia, alegaram que tortura é crime comum, não é crime político, e portanto não está coberta pela Lei da Anistia. Ora, salta aos olhos que a tortura, na ocasião, teve razões políticas. Tortura como crime comum é esta tortura praticada cotidianamente em praticamente todas as prisões do país e que não merece a preocupação de ninguém. Aliás, a preocupação com a tortura só surgiu no Brasil quando os meninos da classe média entraram no pau. Quando só os pobres eram torturados, não víamos ninguém falar em direitos humanos.

    Ao que tudo indica, os ilustres celerados, no afã do revanchismo, esqueceram de examinar com mais cuidado a Constituição, que reza em seu artigo XLIII:

    – a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.

    E no XLIV:

    – constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.

    Foi preciso que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, refrescasse a memória dos sedentos ministros de Lula. “Essa discussão sobre imprescritibilidade tem dupla face. O texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível”, disse Mendes. E emendou: “Tenho uma posição muito clara em relação a isso. Repudio qualquer manipulação ou tentativa de tratar unilateralmente casos de direitos humanos. Direitos humanos valem para todos: presos, ativistas políticos. Não é possível dar prioridade a determinadas pessoas que tenham determinada atuação política. Direitos humanos não podem ser ideologizados, é bom que isso fique claro”.

    Tarso Genro, ministro da Justiça, apressou-se em pôr o bigodinho stalinista de molho. Em declaração à Folha de São Paulo, afirmou que os grupos de esquerda que adotaram a luta armada contra a ditadura militar “não podem ser classificados como terroristas”. Haja malabarismo verbal para provar que seqüestros de diplomatas, assassinatos de pessoas inocentes, assaltos a bancos e execuções sumárias de colegas de armas não constituem terrorismo.

    Para sustentar sua tese esdrúxula, Tarso afirmou na época que “o terrorismo é sempre uma ação bélica que atinge uma comunidade indeterminada de inocentes que estão fora do conflito”. O ministro dizia aceitar as leis internacionais e a Constituição, que “tornam o crime de terrorismo perfeitamente enquadrável” como imprescritível. Mas reiterava que as organizações de esquerda contrárias à ditadura não se guiaram por esse princípio. “Houve atos isolados.”

    Quantos atos isolados? Se os militares mataram 376 pessoas, os gentis militantes das esquerdas mataram 116. Não são atos tão isolados assim. Sem falar que a guerrilha não foi uma resposta à ditadura. A ditadura é que foi, isto sim, uma resposta à guerrilha. O palavroso ministro pareceu esquecer que antes de 64 Francisco Julião já montava a guerrilha comunista, com armas recebidas de seu bom amigo Fidel Castro.

    Para as esquerdas, anistia tem um lado só. É perdão de seus crimes, jamais dos crimes dos adversários. Para começar, anistia nada tem a ver com perdão. Anistia é esquecimento. É como se as partes em conflito decidissem: em nome do bom entendimento da nação, esqueçamos as barbaridades do passado. Nenhum crime será perdoado. Mas será esquecido. Eu esqueço teus crimes, tu esqueces os meus. E vamos em frente. As esquerdas jamais aceitaram a dupla mão da instituição.

    Continua o stalinista de plantão da Folha de São Paulo:

    – Os resistentes franceses também fizeram atos violentos contra colaboradores do Exército alemão durante a Segunda Guerra, e nem por isso alguém teve a ideia estúpida de criminalizar suas ações.

    Safatle não nasceu ontem. É de supor-se que saiba ler. Portanto deve saber muito bem que raros foram os colaboradores executados e dezenas de milhares foram os franceses que colaboraram com o invasor sem que tivessem sido punidos. Pelo contrário, o mundo literário e artístico francês conviveu amigavelmente com os ocupantes, a ponto de imprimir programas de ópera em alemão, para conforto dos invasores amantes do bel canto. Durante a ocupação, os parisienses continuaram cantando e dançando junto com o inimigo. Mitterrand, por exemplo, esse ícone das esquerdas, foi condecorado com a medalha Francisque pelo governo de Pétain. Se alguns franceses reagiram com violência, estavam reagindo contra um inimigo definido, declarado.

    Não foi o caso das esquerdas no Brasil, que estabeleceram um dogma para uso próprio: estavam lutando contra a ditadura. Para começar, negam, contra a evidência dos fatos, que estivessem preparando um assalto ao poder antes da ditadura. No início dos 60, já havia guerrilheiros sendo treinados na União Soviética e Cuba. Moscou preparava uma reedição da fracassada Intentona de 35. Os militares reagiram, instauraram um regime de exceção e o que era luta para instalar um regime comunista virou, de repente, luta contra a ditadura. Ora, a luta era bem outra. A guerrilha toda foi de inspiração marxista. Quando, na história, alguém viu um marxista lutando por democracia?

    Continua Safatle:

    – Àqueles que se levantam para afirmar que “a guerrilha matou tal soldado, tal financiador da Operação Bandeirantes”, devemos dizer: “Tais ações não podem ser julgadas como crimes, pois elas eram ações de resistência contra um Estado criminoso e ditatorial”.

    O mesmo poderia ser dito a favor dos militares. Que mataram lutando contra uma filosofia criminosa e ditatorial. Agiram com mão pesada? Deveriam então ser punidos. Ocorre que foram anistiados. Como também os guerrilheiros. Mas Safatle tem uma visão diferente:

    – Como se não bastasse, integrantes da Comissão da Verdade que dizem querer investigar ações dos grupos de resistência “esquecem” que os membros da luta armada julgados por crimes de sangue não foram anistiados. Eles apenas receberam uma diminuição das penas. Ou seja, os únicos anistiados foram os militares, graças a uma lei que eles mesmos fizeram, sem negociação alguma com a sociedade civil.

    Há uma imprecisão em sua afirmação. Melhor diria se afirmasse que os únicos apenas anistiados foram os militares. Os demais membros da guerrilha foram não só anistiados como também regiamente recompensados. Mais ainda, sobraram benesses para vigaristas que sequer pegaram em armas e alegaram ser vítimas da ditadura, como Ziraldo e Carlos Heitor Cony. Em 2010, segundo o Estadão, pelo menos R$ 4 bilhões de indenizações aos ditos perseguidos políticos já haviam sido pagas ou aprovadas pela Comissão da Anistia.

    Safatle, como bom stalinista, defende o sagrado direito de celerados lutarem por ditaduras, desde que comunistas. Lutar contra os que lutam por ditaduras é que é crime.

  13. BOLCHEVIQUE: (Нищий встревоженный участника) em russo, “mendigo vermelhinho nervosinho com algum poder”.

  14. Para militares, Estado combatia o terrorismo

    27 Mai 2012

    Calcula-se que ações armadas da esquerda mataram 120 pessoas, 59 delas civis; já as vítimas da repressão chegam a pelo menos 356
    RICARDO BONALUME NETO

    Bancário, dona de casa, motorista de táxi, empresário, militares, incluindo um marinheiro britânico, um capitão americano e um major alemão. A lista de mortos por militantes da esquerda armada durante o regime militar (1964-1985) é variada.
    Não existem estatísticas exatas, assim como não se tem números precisos dos esquerdistas mortos pelas forças governamentais.
    As vítimas da esquerda são tradicionalmente aceitas como sendo 120 pessoas mortas, das quais 61 são militares e policiais e 59, civis.
    Não há consenso sobre as vítimas da repressão. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência listou em 2007 356 casos reconhecidos. Estudo de familiares de mortos e desaparecidos aponta 426.
    A lista mais completa das pessoas mortas pela esquerda armada está no site do grupo Terrorismo Nunca Mais (www.ternuma.com.br).
    É um grupo obviamente engajado, como ele se define: “Um punhado de democratas civis e militares inconformados com a omissão das autoridades legais e indignados com a desfaçatez dos esquerdistas revanchistas”.
    O nome do grupo foi criado em oposição às ONGs de nome “Tortura Nunca Mais”, criadas para representar as vítimas da ditadura e atuar na área de direitos humanos.
    Com exceção de casos de “justiçamento” por “tribunais revolucionários” -o assassinato de pessoas consideradas traidoras-, a maior parte dos civis morreu por estar no lugar errado na hora errada, como perto da explosão de uma bomba.
    A luta armada das organizações de esquerda envolveu tanto guerrilha rural como urbana. Mas foi nas cidades que ocorreu a maior parte das mortes, visto que foi nelas que a atuação dos militantes comunistas foi mais intensa e eficaz. A guerrilha na região do rio Araguaia foi facilmente debelada, com poucas mortes entre militares.
    Isso fica patente ao se constatar que morreram bem mais policiais, civis e militares, do que soldados das três forças. A lista inclui nove militares do Exército e nada menos que 24 oficiais, sargentos e soldados da PM de São Paulo, estado onde a guerrilha urbana foi mais intensa.
    “É necessário que todo guerrilheiro urbano tenha em mente que somente poderá sobreviver se está disposto a matar os policiais e todos aqueles dedicados à repressão, e se está verdadeiramente dedicado a expropriar a riqueza dos grandes capitalistas”, escreveu Carlos Marighella, em seu “Manual do Guerrilheiro Urbano”.
    Marighella, ex-deputado pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) cassado em 1947, fundou a ALN (Aliança Libertadora Nacional), que foi o mais forte dos grupos de guerrilha urbana. O ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Paulo Vannuchi, um dos criadores da Comissão da Verdade, foi militante da ALN.
    Em junho de 1969 militantes da ALN incendiaram um carro de polícia em São Paulo, então comumente chamados de “rádio-patrulha”, matando dois soldados, Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, para roubar armas.

    GUERRA
    Vítimas particularmente vulneráveis eram os sentinelas, parados à frente de quartéis e alvos fáceis de ataques surpresas. Três soldados da PM paulista morreram nessa situação -Naul José Montovani, Antônio Carlos Jeffery e Eduardo Custódio de Souza.
    O auge do conflito ocorreu entre 1968 e 1974. Tanto os militantes de esquerda como os policiais e militares chamam o confronto de “guerra”. Isso cria polêmicas jurídicas.
    O “direito da guerra” costuma se referir à conflitos entre estados, regulando, por exemplo, o tratamento de prisioneiros. Em uma guerra “civil” ou de “insurgência” não existem regras precisas.
    Os esquerdistas se consideravam “guerrilheiros”; os policiais e militares os classificam como “terroristas”.
    Um dos atentados a bomba de maior impacto ocorreu em julho de 1966, bem antes do endurecimento do regime, depois da edição do Ato Institucional número 5 em 1968.
    Uma bomba no aeroporto de Guararapes, em Recife, matou o jornalista Edson Régis de Carvalho e o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes; houve 14 feridos.
    O almirante foi o militar de maior patente morto pela esquerda, embora não fosse o alvo; o objetivo era matar o general Artur da Costa e Silva, que se tornaria o segundo presidente do regime militar.
    Para financiar suas ações a esquerda armada costumava assalta bancos. Osíris Motta Marcondes, gerente do Banco Mercantil, foi morto em 1967 durante assalto em São Paulo. Em 1969, no Rio, tombou outro gerente, José Santa Maria, do Banco de Crédito Real de Minas Gerais.
    Disputando com Marighella o primeiro lugar no panteão da “guerrilha” -ou do “terror”- de esquerda está o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Em 1969 ele matou o guarda-civil Orlando Pinto da Silva com dois tiros, durante assalto ao Banco Itaú.
    No ano seguinte Lamarca também matou o policial federal Hélio de Carvalho Araújo com um tiro de revólver e ordenou a morte do tenente da PM paulista Alberto Mendes Júnior, a coronhadas.
    Entre as vítimas estrangeiras está o marinheiro britânico David Cuthberg, que veio ao Rio com uma flotilha da Marinha Real como parte das comemorações dos 150 anos da independência do Brasil.
    Havia centenas de marinheiros, mas bastava um para servir de “exemplo”. Ele e um amigo pegaram um táxi para visitar a cidade e foram metralhados. O amigo e o taxista sobreviveram.

    15/04/71
    O industrial Henning Albert Boilesen, que presidia a Ultragás, foi assassinado na manhã de 15 de abril de 1971 em São Paulo (ao lado), pela da ALN, com vários tiros nas costas. Dinamarquês naturalizado brasileiro, Boilesen era acusado de financiar a Oban, que combatia a guerrilha urbana

    01/07/68
    O major do Exército alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen fazia um curso na Escola de Comando e Estado Maior, no Rio. Foi executado por ter sido confundido com Gary Prado, comandante do destacamento que prendeu Che Guevara na Bolívia, que cursava a mesma escola

    10/05/70
    O tenente Alberto Mendes Junior comandava um destacamento da Polícia Militar que interceptou o grupo de guerrilheiros de Carlos Lamarca em Eldorado Paulista, no Vale do Ribeira. No conflito, Mendes se rendeu, e depois for morto a coronhadas, para evitar tiros que revelassem a posição do grupo

    26/06/68
    O soldado Mário Kozel Filho foi morto quando um militante da VPR jogou um caminhão-bomba contra o quartel-general do 2º Exército, no Ibirapuera, em São Paulo

    12/10/68
    Veterano do Vietnã, o capitão dos EUA Charles Rodney Chandler cursava sociologia em SP quando foi morto. Para a VPR, ele era um agente da CIA que ensinava técnicas de tortura no Brasil, o que era falso

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s