Por que José Daniel?

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Sabia que iriam até ele. Quando falei pela primeira vez – via telefone – com José Daniel Ferrer, percebi logo sua excepcionalidade. Pouco tempo depois conversamos ao redor da mesa de nossa casa e aquela impressão foi confirmada ainda mais. Enquanto fora anoitecia, o homem de Pamarito Del Cauto contou-nos os anos vividos na prisão desde a Primavera Negra de 2003 até meados de 2011. As agressões, as denúncias, os prisioneiros que o chamavam respeitosamente de “o político” e também os carcereiros que tratavam de dobrá-lo a força. Passamos horas ouvindo aquelas histórias, às vezes de horror e outras de verdadeiro milagre. Como quando conseguiu esconder das revistas um pequeno rádio que foi sua propriedade mais apreciada até que o fez em pedaços contra o chão, segundos antes que um oficial o confiscasse.

José Daniel, o líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU), é hoje a principal dor de cabeça da Segurança do Estado no Oriente do país. Ocupa este lugar – admirável, porém perigosíssimo – em parte porque cada palavra sua infunde honestidade e determinação. Sincero, jovem, conciliador, tem conseguido reaviar um movimento dissidente que enfraquecia entre a repressão e o exílio por uma parte dos seus membros. Seu poder de arregimentação e o respeito que muitos têm por ele, nascem também de sua perseverança e especialmente porque se mostra mais pronto para o abraço do que para a desconfiança. Converteu-se num homem-ponte entre vários projetos cidadãos e isso o torna agora mesmo uma pedra afiada dentro da bota do governo cubano.

Há 23 dias este “santiagueiro” incansável está detido. Já não pode se mover pelas estradas escarpadas que conectam os municípios da sua região, nem responder entrevistas, nem enviar mensagens ao Twitter do seu celular. Na segunda-feira passada se declarou em greve de fome no quartel de polícia onde o mantém incomunicável. Não informaram a sua esposa, Belkis Cantillo, quanto tempo mais passará preso nem tampouco apresentaram acusações oficiais. Alguns amigos têm maus pressentimentos. José Daniel Ferrer chegou a ter uma capacidade de arregimentação que assusta as autoridades cubanas e o castigarão duramente por isso. Temem-no, porque pode conseguir que o título de “cidade heróica” de Santiago de Cuba assuma um novo sentido nestes tempos.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto

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12 thoughts on “Por que José Daniel?

  1. Eslováquia criminaliza o comunismo

    Conforme divulgado no blog Conservador, o parlamento eslovaco aprovou uma emenda ao Código Penal para punir quem negar ou justificar os crimes da ditadura comunista, com pena de prisão que varia de 6 meses a 3 anos de reclusão.

    O Partido Comunista local (KSS, sigla em eslovaco) – que recebeu apenas 0,83% dos votos nas eleições de 2010 – será investigado pela polícia por envolvimento histórico e por estar negando que tais crimes existiram. “Uma vez que não há culpa coletiva, não há crimes comunistas”, afirma o website do partido.

    O Procurador Geral da República poderá soliticar a dissolução do Partido Comunista se for provado o procedimento ilegal do KSS.

    O jornal eslovaco SME (6/11/2011) considera que uma possível dissolução do Partido Comunista é improvável, uma vez que “a corte de Justiça ainda é dirigida por (ex) membros desse partido que organizou o Estado de Terror”.

    Crimes do comunismo na Eslováquia:
    – número de executados: 50;
    – condenados por delitos políticos: 71.168;
    – cumprimento total de sentenças: 83.615 anos;
    – mortes na prisão por processos políticos: 51;
    – mortos durante a ocupação em agosto de 1968: 20; gravemente feridos: 38;
    – presos em campos de trabalho forçado: 8.240;
    – mortos nesses campos: 528;
    – eslovacos enviados à URSS: 6.973;
    – mortos na fronteira por armas de fogo: 26; cerca elétrica: 15; explosão de mina: 2;
    – religiosos enviados para campos de concentração: 2.548;
    – pessoas despejadas de suas casas: 2.000.

    Atitude coerente e certa a do Parlamento Eslovaco. Afinal de contas, o comunismo matou mais e foi tão cruel quanto o nacional-socialismo (nazismo). proibir os dois é honrar a memória dos bravos eslovacos que derramaram seu sangue para que as novas gerações pudessem ser livres.

    Parabéns ao Parlamento da Eslováquia

  2. Brasil à beira de um golpe de estado
    ESCRITO POR ALUIZIO AMORIM | 26 ABRIL 2012
    ARTIGOS – GOVERNO DO PT

    Lula e seus asseclas já conseguiram calar a oposição. A CPI fajuta desviará a atenção da população não apenas com relação ao mensalão, mas também da PEC que liquida o Poder Judiciário e impõe uma fissura irreparável nos fundamentos da democracia, da segurança jurídica e, por fim, da liberdade.

    Lula, o PT e seus sequazes nem sequer disfarçam. A CPI que é um recurso político da minoria, desta feita foi convocada pela maioria, isto é, pelo PT e seus asseclas, ou seja aquele bando de picaretas com assento no Congresso Nacional que atende pelo designativo de “base aliada”. O mentor da CPI é Lula que, segundo matéria do site de O Globo, avisou que vale a pena correr riscos para alcançar os resultados: massacrar a oposição.

    Em resumo: a Nação calada consente que o parlamento brasileiro seja utilizado como palco de um embuste, uma pantomima diabólica engendrada pelo cérebro de Lula que, provavelmente, foi afetado pela quimioterapia. O futuro dirá se isso é uma simples ilação. Lula pode ser daqueles que acham que por estar com o pé na cova podem fazer o que bem entendem.

    Ora, uma CPI é uma providência no âmbito parlamentar que demanda tempo, mobilização de parlamentares, funcionários, assessores, técnicos e o escambau. Isto custa dinheiro aos cofres públicos. Se for uma coisa séria para valer, que investigará a roubalheira e a propinagem institucionalizada, diga-se de passagem, pela bandalha do PT, tudo bem. Mas se for apenas uma jogada político-eleitoral e com a finalidade precípua de criar as condições para desviar a opinião pública do crime do mensalão e promover a procrastinação de seu julgamento a Nação não está apenas sendo iludida, mas à beira de um golpe de Estado mais à frente.

    Notem por exemplo, que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou nesta quarta-feira, por unanimidade, uma proposta de emenda constitucional (PEC) que permite ao Congresso sustar decisões do Poder Judiciário. Atualmente, o Legislativo pode mudar somente decisões do Executivo. A proposta seguirá agora para uma comissão especial.

    Essa proposta de emenda constitucional é mais um passo em consonância com as diretrizes do Foro de São Paulo, a organização comunista fundada por Lula, Chávez et caterva. Quanto a isso não há dúvida nenhuma. Caso esses tarados ideológicos do PT consigam aprovar essa afronta ao Estado de Direito Democrático, consuma-se um Golpe de Estado puro e simples.

    É que o Direito (dentro do Estado de Direito Democrático) tem sua funcionalidade e eficácia, ou seja, a segurança jurídica, dependente da estrita obediência às decisões judiciais. Essas decisões podem ser contestadas dentro dos parâmetros legais/processuais constitucionais, porém não podem sob nenhuma hipótese serem desobedecidas. Em outras palavras, a aprovação dessa PEC destrói o principal fundamento do Estado de Direito Democrático.

    Em todos os países latino-americanos sob a direção do Foro de São Paulo, como a Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua, Argentina, Paraguai e Uruguai assiste-se ao desmonte das instituições democráticas. O método aplicado é que é diferente de país para país, embora o objetivo seja o mesmo. Assim, diferentes estratégicas são aplicadadas para atingir o mesmo objetivo, a comunização do continente latino-americano.

    Essa CPI, por exemplo, criada pelo Lula, que é um dos principais articuladores do Foro de São Paulo, tem em mira abrir espaço para hegemonia política do PT. E isso acontece em todos esses países que mencionei, mas como disse, de forma diferente e adequada às situações locais.

    Os comunistas do PT agem simultaneamente em várias frentes. Enquanto a CPI do Cachoeira é montada para esmagar lideranças oposicionistas, ao mesmo tempo corre silencioso pela Câmara a PEC – Proposta de Emenda Constitucional que emascula o Poder Judiciário.

    As outras frentes de ataque do PT às instituições democráticas são levadas a efeito por um conjunto de novas regras de conduta social baseadas no pensamento politicamente correto. Estas podem parecer pontuais, estarem de acordo com um suposto avanço. Incluem-se aí coisas como o Kit Gay, a descriminalização do aborto, a liberalização dos entorpecentes, como a maconha e até mesmo a prosaica proibição de fumar em praça pública. Quanto ao uso do tabaco, essa campanha anti-fumo permite moldar as consciências de forma que o governo possa aumentar desmesuradamente os impostos do comércio de cigarros. Ninguém levanta a voz contra essa torrente de iniquidades que vem sendo transformada em lei. Até que não exista mais qualquer tipo de reação à intromissão do Estado na vida privada das pessoas.

    Na atualidade ainda se vive um resquicio dessa guerra de valores. Mais adiante não háverá mais nenhum tipo de resistência e os cérebros dos cidadãos já estarão completamente abduzidos pela lavagem cerebral consumada pela canalha ideológica que se adonou da Nação brasileira.

    Ninguém reflete sobre tudo isso. Tanto é que Lula e seus sequazes continuam dando as cartas e conseguem, até mesmo, criar um CPI fajuta para a realização de suas ambições de poder absoluto, enquanto a massa de orelhudos fala à boca pequena que o PT não sai mais do poder. Ora, com essa atitude bovinamente alienada, oportunista e acrítica será isto mesmo que irá acontecer.

    A rigor, Lula e seus asseclas já conseguiram calar a oposição. A CPI fajuta desviará a atenção da população não apenas com relação ao mensalão, mas também da PEC que liquida o Poder Judiciário e impõe uma fissura irreparável nos fundamentos da democracia, da segurança jurídica e, por fim, da liberdade.

    Com o aparelhamento ideológico da Ordem dos Advogados do Brasil, das universidades, das escolas em todos os níveis, das organizações estudantis, dos sindicatos e centrais sindicais – inclusive as patronais como a Conferação Nacional da Indústria (CNI), constata-se que a Nação está assim como “enfeitiçada” pelo canto de sereia dos comunistas, agora travestidos de ecologistas e de pseudos libertários, na verdade autênticos liberticidas.

    Finalmente, a grande mídia dá a contribuição definitiva para que toda a verdade seja substituída pela repetição da mentira até que esta se torne – pasmem – uma verdade incontestável. Prestam-se, como lacaios de Lula, do PT e seus sequazes, os jornalistas em sua maioria. Calculo que 99% dos jornalistas da grande imprensa brasileira fazem parte dessa legião de mentirosos e idiotas de todos os matizes.

    Eu sei o que estou afirmando. Estou no jornalismo há mais de 40 anos e trabalhei em jornais diários. Também sou advogado inscrito na OAB, Mestre em Direito e também trabalhei durante vários anos na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarinsa (FIESC). Conheço muito bem o ambiente político e empresarial, bem como os empresários brasileiros em nível nacional.

    Assim, acumulo um acervo de conhecimento e informação – sem qualquer modéstia – respeitável. Isto conjugado com a minha memória – sem modéstia também – estupenda, se transforma numa poderosa ferramenta para a produção de análises políticas, econômicas e sociológicas em níveis nacionais e internacionais.E, também sem qualquer falsa modéstia, escrevo sobre qualquer assunto.
    Espero poder contribuir de alguma forma para melhorar o Brasil. Se é que o lixo ocidental possa sofrer algum tipo de mudança positiva.

    8)

  3. Chávez piora e médicos do Brasil deixam equipe, diz jornalista
    Publicado em 27 de abril de 2012 às 12:02 hs.

    Depois de passar 11 dias em Cuba, por conta de seu tratamento contra o câncer, o presidente Hugo Chávez retornou à Venezuela nesta quinta-feira. No entanto, seu quadro de saúde não é dos melhores: segundo o jornalista Nelson Bocaranda, Chávez não vem apresentando melhora. Em sua coluna online, Bocaranda informa que “a negação da doença, manifestada a cada aparição, somada à depressão provocada por conhecer a realidade e não poder compartilhá-la com seus seguidores” são “os principais inimigos de sua recuperação”.

  4. NOTÍCIAS DO PARAÍSO:
    pediram asilo
    e apareceram

    Os dois atores cubanos que fugiram da comitiva da ditadura na semana passada numa escala em Miami, aparecerem ontem num canal hispânico da tevê americana. Estavam sob proteção da comunidade e pediram asilo.

    A atriz Anailin de la Rúa e o ator Javier Nuñez, que participaram do filme ‘Una Noche’, foram preimiados no Festival de Tribeca. Foi o primeiro e único filme da dupla.

    “Em parte é difícil deixar para trás família e amigos”, disse Anailin, que tem duas irmãs e pais divorciados em Havana. “Mas ao mesmo tempo você faz isso para ajudá-los. Não há futuro em Cuba”.

    O ator Nuñez diz que sua mãe vive sozinha em Cuba e que ele pretende ajudá-la economicamente junto com o irmão mais velho, que fugiu para o Equador há vários anos e trabalha como garçom.

    Eles tinham 15 anos quando fizeram testes separados para o filme, e então passaram dois anos se preparando para os papéis depois de selecionados. Mas quase três anos se passaram ainda até a estreia do filme. Nesse tempo, Anailin trabalhou como vendedora ambulante de artesanato e bijuterias nas ruas de Havana. E Nuñez trabalhou em uma pizzaria.
    NÃO ENTENDO.
    BRASILEIROS, DEVIDO À CRISE AMERICANA, VOLTAM DOS EUA.
    CUBANOS VÃO DE QUALQUER JEITO.
    POR QUE SERÁ???

  5. .
    Bem…, eu coloco abaixo o link do último texto do Carlos Alberto Montaner: La Agonía de Hugo Chávez.
    .
    http://www.elblogdemontaner.com/la-agonia-de-hugo-chavez/
    .
    Do que ele escreve, eu comento a parte final da matéria.

    O Hugo Chávez parece fazer na Venezuela o que a esquerda brasileira tentou fazer no passado.
    Lutar contra a burguesia, modificar radicalmente a sociedade e implantar um novo tipo de governo.
    .
    Em termos mais explícito, muita discussão, muita gritaria, como ocorria no Brasil na época do planos econômicos fracassados devido a hiperinflação.
    .
    Tenho a impressão que algo semelhante ocorre na Venezuela, onde a forte instabilidade causa na sociedade muita ansiedade e nervosismo, a espera de dias melhores, de dias de maior crescimento econômico e de prosperidade.
    .
    Mudar para algo que ninguém sabe. Mudar para algo novo que nunca antes existiu.
    Lógico que ainda existe um longo caminho a percorrer, pois a confusão ainda é grande e seu governo parece mais voltado a eliminação de seu opositores.
    Ele brigou com todo mundo e o atual governo parece ser mais uma junta militar, para garantir a aplicação das “ideias” de Hugo Chávez.
    .
    Parece que Hugo Chávez deva levar junto com ele o que seria a tal revolução bolivariana.

  6. Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway….OU paris é Uma Festa do CHAPADO Cabraldish.

    Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway. Fala de como os franceses e parisienses continuaram se divertindo, mesmo durante a ocupação militar alemã.
    Paris é Uma Festa do CHAPADO CaBraldish. Fala como os corruPTos continuaram se divertindo e roubando na ditadura petralha!
    Qualquer semelhança entre os parisienses CorruPTos e os CorruPTos da base alugada petralha é mera coincidência.

    Vale a pena ler a artigo no blog do Gabeira.

  7. Proibir, proibir, proibir: a palavra de ordem de esquerdistas como Paulo César Peréio

    Séculos de revoluções sangrentas e tiranias proletárias ensinaram ao menos uma lição aos esquerdistas contemporâneos: a liberdade é um péssimo negócio para quem, como eles, tem muitas convicções e nenhuma razão. Por isso o negócio é “proibir”. Quem quer impor sua vontade aos pobres mortais paulistanos agora é o ator quase aposentado Paulo César Peréio, que pretende, se eleito vereador, dar um jeito de “proibir” os carros na cidade de São Paulo.

    “O José Celso Martinez Corrêa me leva a sério, então por que o povo não vai me levar?”, vocifera Peréio – podemos imaginar sua rouquidão interminável, os olhos esbugalhados, tonitruante de roupão amarfanhado a impor aos paulistanos uma ditadura dos pedestres: “Não vou ter medo de nada e, assim que entrar, vou comprar uma briga feia com a indústria automobilística, mas que se dane. Tem que proibir São Paulo de ter carro, a não ser que se pague uma taxa pesada. Vou brigar por isso, vou brigar para valer.” (http://colunas.revistaepoca.globo.com/brunoastuto/2012/04/21/pre-candidato-ator-paulo-cesar-pereio-quer-proibir-carros-em-sao-paulo/)

  8. “É difícil saber se já houve mais corrupção no Brasil em outro tempo, mas certamente nunca na história deste país se mentiu tanto”. Nelson Motta

  9. SCHADENFREUDE NUTRE ESQUERDAS

    O significado cambiante das palavras, que são empunhadas da forma que melhor convém a quem as empunha, me diverte. Triste sina a da direita no Brasil, escrevia eu em 2005. Em países mais civilizados, ser de direita é não concordar com as propostas da esquerda, direito legítimo de todo cidadão. No Brasil, direita significa portar toda a infâmia do mundo. Que o diga Clóvis Rossi, quando afirmou: “É um caso de estudo para a ciência política universal. Já escrevi neste espaço uma e outra vez que o PT fez a mais radical e rápida guinada para a direita de que se tem notícia na história partidária do planeta”.

    Isto é: se o PT se revela corrupto, ele não é mais esquerda. É direita, porque só a direita é corrupta. Mesmo que o PT seja hoje o mesmo desde que nasceu, mesmo que os grandes implicados na corrupção – Genoíno, Mercadante, Zé Dirceu, Lula – sejam seus pais fundadores. Segundo Rossi, o PT guinou para a direita. E por que guinou para a direita? Porque suas falcatruas foram trazidas à tona. Permanecessem submersas, o partido continuaria sendo de esquerda.

    É o que os franceses chamam de glissement idéologique. O conceito de esquerda sempre muda, à medida em que se corrompe. A direita é a caixa de Pandora, o repositório de todos os males do mundo, inclusive os das esquerdas. Pois quando as esquerdas cometem crimes – ou “erros”, como preferem seus líderes – é que não eram esquerda, mas direita.

    Mas o conceito de direita também muda. Ou pelo menos muda no bestunto dos correspondentes tupiniquins na Europa. É o que deduzimos de artigo do correspondente Jamil Chade, do Estadão: “Considerada uma ameaça à democracia por incitar ao racismo e à xenofobia, a extrema direita adaptou seu discurso e, diante da crise financeira européia, chegou ao poder nos últimos anos em vários pontos da Europa. Nove países europeus já têm partidos de extrema direita em suas coalizões de governo central ou como peças fundamentais nos Parlamentos”.

    O que um dia foi direita é hoje extrema direita. Trocando em miúdos: quando os líderes de direita têm votação inexpressiva e estão afastados do poder, a direita continua sendo direita. Mas se consegue captar um quinto do eleitorado, vira incontinenti extrema-direita. O articulista situa os partidos de extrema direita na Holanda, Dinamarca, Noruega, Finlândia, Áustria, Hungria, Suíça, Suécia e Itália. Por que extrema direita? Existe algum partido propondo o extermínio de judeus ou árabes, campos de concentração ou segregação racial?

    Pelo que sabemos, não. O que existe são cidadãos preocupados com a economia – e também com o sistema jurídico – de seus países, que pedem a repatriação dos imigrantes sem papéis e a limitação da imigração. Não há xenofobia, mas desejo de preservação da própria cultura e dos empregos. Muito menos racismo. Existe uma repulsa ao islamismo, mas Islã não é raça. É religião. Os muçulmanos, oriundos de países teocráticos, não entendem a divisão entre igreja e Estado e querem impor a sharia na Europa. Os europeus reagem e, a meu ver, reagiram muito tarde.

    Aconteceu no primeiro turno destas eleições na França. Marine le Pen conseguiu quase vinte por cento dos votos. Marine era de direita. Agora, foi promovida à extrema direita, uma ameaça à democracia por incitar ao racismo e à xenofobia. Marine é filha de Jean Marie Le Pen, líder do Front National, tido como nazista. Ora, desconheço qualquer ligação de Le Pen com o nazismo ou com ideais nazistas. Nazista foi, isto sim, François Mitterrand, que recebeu uma condecoração do governo de Vichy, a Francisque. Mas ninguém ousa – nem ousou – rotular Mitterrand como nazista. Afinal, aderiu ao socialismo.

    As esquerdas têm a Europa engasgada na garganta. O ódio à Europa está na primeira frase do Manifesto Comunista. Claro que as esquerdas adoram as cidades, a gastronomia, o luxo europeus. O problema é que os europeus chegaram lá não via marxismo, mas via capitalismo. Seria bem mais fácil, para as viúvas do Kremlin, gostar da Europa se a prosperidade do continente fosse decorrência da doutrina aquela que morreu no século passado.

    Falar em prosperidade, uma discreta Schadenfreude tem alimentado as esquerdas nestes dias de crise européia. Schadenfreude é a palavra que os alemães usam para definir o sentimento de alegria ou prazer pelo sofrimento ou infelicidade dos outros. Ainda há pouco, Luís Fernando Verissimo via, no naufrágio do transatlântico Concordia, nas costas italianas, um símbolo da decadência do continente. Calma, companheiro. A Europa precisa ainda decair muito para um dia empatar com o Brasil.

    Semana passada, o sóbrio Estadão publicou uma notícia insólita. Que muitos holandeses, para enfrentar a crise, estão vendendo o que sobra da comida feita em casa ou freqüentando bares onde se pode levar a própria refeição. Consegue alguém acreditar nisto? Quem vende restos de comida? Para começar, se a comida é escassa, cozinha-se de modo a não sobrar nada. Continuando, restos de comida nunca vão constituir fonte de renda. E quem vai bater de casa em casa para comprar restos de comida?

    Mais insólita ainda é a idéia de freqüentar bares onde se pode levar a própria refeição. Se tenho comida em casa, por que iria deslocar-me até um bar para comê-la? Não faz sentido. Que mais não seja, algo o bar vai cobrar-me pelo uso de mesas, toalhas, pratos, talheres. Se me falta dinheiro para comer, por que iria eu encarecer o pouco de comida que me resta? O repórter fala de um bar no qual os clientes trazem sua própria comida, que é aquecida pelos funcionários de graça. Só é preciso pagar pelas bebidas. Até pode ser. Mas se trata de UM bar. Que encontrou uma fórmula de vender bebidas. É de supor-se que os holandeses tenham como aquecer a comida em casa.

    Outro exemplo deste repúdio à Europa e suas instituições é o recente escândalo em torno ao rei da Espanha. De repente, Juan Carlos foi anatematizado por praticar um esporte perfeitamente legal, caçar elefantes, esporte que deve ter praticado desde que se conhece por gente. Mais ainda, a imprensa encontrou uma amante para o rei, enfeite que nenhum estadista dispensa. Na Espanha, já há quem fale em fim da monarquia e abdicação de Don Juan Carlos.

    Não bastasse isto, li em algum jornal, já não lembro qual, que o rei teria tido 1.500 amantes. Por um lado, nada de surpreender. Para um homem que detém o mais alto poder de um país, a cifra é perfeitamente exeqüível. Mas como é que não sabíamos disto? Alguém acredita que entre as 1.500 a nenhuma – nenhumazinha – ocorreu bater com a língua nos dentes? Ora, certamente centenas entre 1.500 não resistiriam a falar aos jornais sobre a real preferência. Strauss-Khan que o diga. Sem ter a visibilidade de um rei, por uma piguancha perdeu a chance de ocupar hoje o lugar do socialista François Hollande.

    Leitores me perguntam o que acontecerá com a França caso vença Hollande. Ora, não vai acontecer nada. Como nada aconteceu na transição de Giscard d’Estaing para Mitterrand, nem na de Mitterrand para Chirac ou Sarkozy.

    Desiludam-se as esquerdas. A França não muda.
    Janer Cristaldo – 29/04/2012

  10. CPIs em 13 anos geraram mais de setenta projetos contra corrupção. Nenhum foi votado.

    Nos últimos treze anos, a Câmara dos Deputados instalou 40 comissões parlamentares de inquérito (CPIs), que produziram muito barulho e mais de setenta projetos para o aperfeiçoamento da lei para combater a corrupção, dificultar a prática de irregularidades no uso de dinheiro público e solucionar falhas. Mas, até hoje, os deputados não votaram sequer uma dessas propostas no plenário. Por que será?

    No segundo governo de FHC, as CPIs instaladas na Câmara indiciaram 948 pessoas. No primeiro governo Lula, apenas 21 foram indiciadas. Por que terá sido?

    O número de CPIs caiu à metade nas duas legislaturas. Na gestão do ex-presidente FHC, foram instaladas 19, contra dez no governo Lula. Por que terá sido?

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