SOS para as praias do leste

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Estamos em recesso escolar. As paradas se mostram abarrotadas de mães com meninos que querem ir ao zoológico, ao aquário ou a qualquer outro lugar recreativo. Em Havana Velha não sobra um só canto sem esses pequeninos que pedem um sorvete e puxam a aba do vestido da avó para que lhes compre uma pizza. Nas cercanias dos parques de diversão uma longa fila aguarda pela subida nos carros e para se despentear nas montanhas russas. Enquanto isso os pais enfiam a mão titubeante na bilheteria. Sabem que na maioria dos casos só os pesos conversíveis conseguirão ser transformados em doces e refrescos, mesmo que a entrada do museu e do cinema seja em moeda nacional. Os colégios serão, até que chegue a próxima segunda-feira, lugares silenciosos e vazios.

Meu filho, que está nessa difícil idade entre a meninice e a adolescência, também desfruta de sua semana de férias. Ontem quis nadar um pouco nas praias do leste de Havana e lá fomos nós, com meu pai que fazia uma década que não cobria os pés com areia. O mar estava belíssimo como sempre, o sol cumpria seu papel lá em cima e até um par de nuvens nos presenteou com sua sombra neste abril ardente. A natureza, enfim, deu o melhor toque da tarde. Contudo uma mistura de preguiça e abandono tem mudado a paisagem costeira que conheço muito bem desde meus anos de infância. Certamente que o lugar para turistas – em frente ao hotel Tropicoco – está impecavelmente limpo, com policiais fazendo a ronda para que nenhum cubano vá “molestar” os estrangeiros. Porém fora desse perímetro de conforto um verdadeiro desastre ecológico permanece como cenário para os nacionais.

A areia já não é uma zona plaina de ondas suaves. Perto do mar se mostra cinza e compactada, na medida em que o vento levou suas partículas mais finas até enormes dunas cobertas de plantas espinhosas. Entre a rua e o que seria o lugar dos veranistas erguem-se agora estes montinhos que precisam ser escalados para se conseguir dar um mergulho. Pedras, fragmentos de concreto e até madeiras afloram na margem de várias partes do litoral. Boca Ciega, o pedaço de praia aonde iam as famílias fazem trinta anos e as prostitutas com seus clientes fazem vinte, hoje é uma zona carente do mínimo de serviço de banheiros, cafeterias ou guarda-sol. Parece um campo de batalha após um bombardeio. Tirar os sapatos para caminhar um pouco não é uma boa idéia, por motivo dos vidros e pedaços de metal. Nem falar da parte conhecida como Guanabo, onde as valas de esgoto continuam drenando para o mar. O pior é que nos rostos dos habitantes do lugar há um rito de esquecimento, abandono, esplendor do passado convertido em sal.

Meu filho dava braçadas na água enquanto a adulta que sou lembrava-se de todos os castelos de areia que fez naquele lugar. Evocava aquelas fortalezas diminutas de cujas torres empinadas o futuro parecia mais bonito e melhor.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto

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9 thoughts on “SOS para as praias do leste

  1. Cadê o povo desse país! A natureza é maravilhosa, uma benção divina. Falta gestão básica e visão empresarial para aproveitar o presente da natureza e projetar um desenvolvimento sustentável, que traga melhores condições econômicas para os cubanos. Se possível, sem destruir essa visão paradisíaca.

  2. Para entender um pouco do que acontece com o povo cubano, inclusive o medo de rebelar-se, é bom ler “Viagem ao Crepúsculo” do jornalista cearense (nascido no Crato ) e pernambucano de coração ( reside em Recife ) Samarone Lima. A segunda edição, de 2011, foi publicada pela editora PAÉS de Recife. Está à venda na livraria Cultura de Recife e pode ser encomendado em qualquer uma das unidades. A segunda edição está de acordo com as novas regras de ortografia e tem um epílogo escrito em 2011, além de fotos. Custa R$ 40,00 e vale cada centavo.

  3. Justiça Social: Um Espectro Comunista

    Por Alexandre Seixas

    Prezado leitor, ao ler o título deste artigo, por acaso você parou um instante para pensar em uma possível resposta? Você meu amigo, sabe o que é justiça social? Alguém já lhe apresentou uma definição semântica correta sobre justiça social? Porém admito a hipótese de que você escute rotineiramente essa expressão. E talvez até a repita. Alias, no Brasil, como bem disse o Prof Ubiratan Iorio, basta que se fale qualquer bobagem, mas usando o termo “social”, e você ganha ares de intelectual, responsabilidade e, pior, respeitabilidade. Enfim, o que é justiça social? Por favor, não espere encontrar nessas linhas a plena verdade. Nesse desenvolver de idéias, há apenas uma simples intenção de buscar afastar, ainda que superficialmente, o nevoeiro que insistentemente permanece sobre a expressão em questão. Afastar levemente a criminosa omissão de um conceito, de uma definição, de uma explicação, do que seja justiça social. Afinal muitos a usam. Poucos a entendem. Quase ninguém a explica.
    Vamos começar da estaca zero. Vamos apresentar distintos conceitos para, ao final, tentar demonstrar o que é justiça social. Porém faço de início uma provocação intelectual ao meu estimado leitor: justiça social não existe. Trata-se apenas de uma redundância da língua pátria. Então qual a razão de sua utilização? Anestesiamento da consciência individual e uma forma de manter uma vigilância ideológica sobre a sociedade. Espero conseguir demonstrar essa afirmação e, ter a quimera de contentar todos os meus caros ledores.
    Proponho um desmembramento do termo para facilitar, não só a análise, mas, principalmente, a percepção e compreensão do mesmo.
    Assim pergunta-se: o que é justiça? A palavra justiça é originária do latim justitia, e possui inúmeras definições. Pode-se afirmar que justiça engloba os tribunais e todas as pessoas encarregadas de aplicar a lei; ou que justiça pode ser estadual, federal, especial, civil, penal, militar, trabalhista, etc. Mas aqui, para a proposta deste texto, tem-se que justiça pode ser interpretada como sendo uma virtude que consiste em dar ou deixar de dar a cada um o que por direito lhe pertence. Justiça é estar em conformidade com o direito, ou seja, a razão fundada nas leis, ou ainda, a ação de reconhecer os direitos de uma pessoa.
    Usemos Hollywood e o filme “O Náufrago” (Cast Away, de Robert Zemeckis, 2000), interpretado por Tom Hanks, como exemplo. Naquela estória, o personagem vivido por Hanks, após um acidente aéreo do qual é o único sobrevivente, encontra-se em uma ilha no Pacífico. E lá permanece por longos quatro anos. Sozinho. Sem ninguém ao seu redor, exceto o mar. Deixando o cinema de lado, mas usando-o como base argumentativa, será que os atos de Chuck Noland (personagem de Hanks) precisava ter em mente o que era certo ou errado? Precisaria aquele indivíduo se preocupar em ferir direito alheio? Estaria entre as preocupações de Noland agir segundo as regras do direito por nós conhecida? A resposta sempre será negativa. Pela simples razão de que, no exemplo cinematográfico, Noland habitava sozinho um pedaço de terra. Ele não tinha ninguém ao seu lado para lhe impor quaisquer formas de regras de conduta. Noland agia espontaneamente. Fazia o que queria e quando queria. Apenas a natureza podia lhe cercear algum ato. Apenas a natureza e não o elemento Homem. Desse modo, é possível concluir que a noção de justiça, ou mesmo de direito, desaparecem por completo na ilha de Noland. Este era movido apenas por suas vontades e desejos. Nada de regras, nada de direito, nada de justiça.
    Vê-se, pois que, a noção de justiça está, necessariamente, ligada a idéia de sociedade. Não há como se fazer ou realizar justiça em uma ilha em que vive apenas um ser humano, pois se a justiça existe para, por exemplo, dar ou deixar de dar algo a alguém, como esse princípio poderia ser aplicado na ilha de Noland? Simplesmente não poderia. Porque algo é certo ou errado se houver um parâmetro. Se meu comportamento é bom ou não é porque estará afetando uma outra pessoa, pelo menos. Essa outra pessoa será o meu parâmetro, minha referencia. Se você está isolado como Chuck Noland estava, você não tem ninguém para lhe servir de referencia a fim de determinar se suas atitudes são ou estão corretas ou incorretas.
    Lembrando um velho ditado popular: “Não faça com os outros aquilo que não queres que façam com você”. Isso é correto, ético, certo, isso é justo. Isso é justiça. Logo, seguindo o pensamento helênico, não devemos “empregar o adjetivo social à ideia de justiça, porque aquele era inerente a esta”.
    Segunda pergunta: o que é social? A ideia de social está ligada ao que pertence ou o relativo à sociedade, ou seja, que diz respeito a uma sociedade. Assim, social encerra um conceito relativo, pertencente, devotado ou apropriado ao intercurso ou às relações amigáveis ou por elas caracterizado. Pode-se dizer que social está umbilicalmente ligado à idéia de sociedade, de coletividade, de um todo.
    É possível verificar, portanto, que o termo justiça social é, de fato, uma redundância. Então qual a razão de seu farto e cansativo uso? Aí a questão deixa a seara salutar do direito para adentrar na esgueira área da política. Então justiça social é uma questão político-ideológica e nada tem a ver com o direito ou com o tal Estado Democrático de Direito, que eu também, ainda não entendi bem do que se trata, mas isso é assunto pra outra ocasião. O fato certo e determinado é que quando se fala em justiça social, por trás dessa aparência doce e meiga que o termo pode se apresentar há todo um trabalho político e ideológico. Pra que? Para o desenvolvimento de um Estado comunista. Apenas isso. E qual a principal característica dessa forma degenerada de Estado? A incessante busca por uma sociedade igualitária, sem classes sociais, ou seja, tecnicamente falando, a busca do coletivismo.
    Antes de adentrar neste tópico, do direito coletivo, vamos ver um aspecto preparatório para aquele. Foi visto que a noção de direito está intrinsecamente ligada à ideia de sociedade. Então sempre que se falar em justiça social estar-se-á tratando de direito coletivo. Ocorre que a existência de um direito gera uma necessária contraprestação, ou seja, se fulano tem o direito, por exemplo, de freqüentar um clube, a contraprestação desse direito será a obrigação do clube em lhe proporcionar meios para o gozo daquele direito. Agora, ao clube cabe o direito de ser ressarcido por aquele fulano a fim de manter as condições ideais de uso de referido clube. O direito de ressarcimento (mensalidade) do clube gera uma contraprestação, vale dizer, uma obrigação para o sócio fulano. Logo, a idéia de direito cumpre uma função de mão-dupla. Um direito e uma obrigação e depois uma obrigação e um direito. E o mundo seria melhor. Só que aqui, está se falando em direitos individuais, direitos de um cidadão. Logo, um direito individual gera uma obrigação igualmente individual.
    Mas se falamos em direito coletivo, a quem incumbe a contraprestação? Direito coletivo é uma espécie de direito que envolve toda a sociedade. Se a todos é concedido um direito, não sobra, em tese, ninguém para saldá-lo. Certo? Errado. Se há um direito previsto para toda uma sociedade, o elemento responsável pela contraprestação é o Estado. E aqui a coisa começa a se aclarar. Vejamos a nossa Lei Maior. Diz em seu artigo 196 que a saúde é direito de todos. De todos significa de toda a sociedade, de todos nós. Quem vai cumprir esse direito? Reza o mesmo artigo: “e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.
    Assim o Estado brasileiro é (ou deveria ser) o garantidor do acesso universal e igualitário à saúde. Universal significa para todos e igualitário, sem distinção. Soa bonito, mas brilha horrores. Primeiro porque o Estado, no caso do Brasil, nos oferece diariamente provas de sua incapacidade e incompetência para saldar o direito de todos á saúde. E segundo e mais sério. Ao fazer essa afirmação, a Constituição organiza a sociedade brasileira nos moldes de um estado comunista. Na sociedade comunista acontece a mesma previsão: o Estado é sempre o detentor e responsável por políticas que visem a distribuição de direitos à sociedade. Consequentemente tem-se que o direito coletivo é a forma de o Estado ditar as regras sobre você, sobre nós. E tem gente que ainda acha interessante.
    Direito coletivo, portanto, nada mais é do que uma forma de buscar a justiça igualitária, a sociedade sem diferenças, a igualdade pela força do direito. E quem patrocina essa ideia? A esquerda. Sempre a esquerda. Basta uma olhada na História. Todos os ditos países comunistas se constituíam a base da “distribuição” de direitos e direitos e mais direitos.
    Todos de caráter coletivo, inibindo, coibindo e proibindo o direito individual. O coletivo devia preponderar sobre o individual. É o Estado cerceando as individualidades em nome da coletividade, dizendo quais são os seus direitos, porém sem a necessária preocupação de ofertar aquela contrapartida. Ou será que a saúde no Brasil é exemplar. Exemplar é, mas de pura ineficiência. E a culpa é apenas do Estado. Sim, porque ele assumiu uma prerrogativa que não tinha condições de assumir. Aliás, a nossa Carta Magna está impregnada de atribuições coletivas sem a respectiva responsabilidade de contraparte. Tente mover uma ação contra o Estado por algum direito seu, previsto na Carta Magna e que não foi cumprido.
    Talvez seus bisnetos (como sou otimista) consigam vencer aquela ação contra o ente estatal.
    Porém vencer uma ação contra o Estado não significa receber a justa indenização, pela simples razão de o estado brasileiro estar falido.
    Portanto, coletivismo pode ser entendido como um tipo de organização social em que deveres recíprocos prendem moralmente e, principalmente, fisicamente, os indivíduos a certo número de grupos, de tal modo que muitos atos considerados pessoais em sociedades individualizadas são tidos como de interesse direto da sociedade. E a maior sociedade que existe é o Estado. Logo, quando se fala em justiça social estar-se-á falando em obrigações do particular para com o Estado, ou seja, é a total inversão de valores. O Estado que surgiu para servir ao Homem, através da semântica comunista, passa a ser servido por este. E o pior, sem o seu consentimento. Modernamente, quando se fala em justiça social, se estufa o peito e a plena voz se declamam os direitos sociais, quando na verdade, por ignorância ou má-fé, está se assumindo um papel de submissão ao Estado.
    Assim é que, como afirmado no começo, justiça social não existe, ao menos para aqueles que prezam a liberdade. Justiça social somente é conhecida por todos os defensores do totalitarismo de Estado.
    Finalizando, pode-se dizer que justiça social é um argumento de dominação esquerdista, socialista ou comunista (por favor, escolha o nome, pois é tudo a mesma porcaria). A semelhança fica por conta dos resultados. É usual se ouvir que há a necessidade de justiça social para buscar uma sociedade mais justa e igualitária. Ocorre que todos os países que foram atrás desse discurso utópico (aqui eu sugiro a leitura do livro Socialismos Utópicos, de Jean-Christian Petitfils), se tornaram sanguinárias ditaduras, afinal, a única forma que o Estado possui de tornar igualitária uma sociedade composta por Homens naturalmente diferentes no pensar, no crer, no agir, é pelo uso da força, vale dizer, do terror institucionalizado. E tal ideia só nas doentias cabeças comunistas.
    O Homem é diferente de seu semelhante por natureza. Aristóteles afirmava que a vida deve ser um caminho meritório, ou seja, as conquistas e derrotas devem ser atribuídas às capacidades e limitações de cada ser humano. E não o Estado dizer o que é certo ou errado.
    Enfim, justiça social, além de ridícula redundância semântica, é um instrumento político extremamente perigoso. Nenhuma sociedade deve dispor de justiça. Essa se constitui no ponto de equilíbrio institucional do próprio Estado. A justiça deve existir como a responsável pela mantença da paz entre os Homens e entre estes e o Estado. A lei foi criada pelo Homem para estruturar o Estado. Assim, a justiça existe como protetora dos direitos individuais do Homem e do próprio Estado, através de seu mais importante elemento: a Constituição.

  4. Opositor diz que Chávez está em situação crítica

    O ex-militar venezuelano Carlos Peñaloza – crítico do governo de Hugo Chávez – afirmou ontem no Twitter que o estado de saúde do presidente é “grave” e a junta médica que cuida dele em Cuba analisa retirar “um quarto do pâncreas” em um procedimento de urgência. “Os médicos falam em um máximo de 45 dias de vida.” Ontem, o jornalista Nelson Bocaranda disse que Chávez teria confidenciado a Luiz Inácio Lula da Silva, à presidente argentina Cristina Kirchner e ao paraguaio Fernando Lugo que seu estado é grave.

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    Colo abaixo uma tradução via Google com ajustes de uma matéria da Yoani, postado no New York Times.
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    http://www.nytimes.com/2012/04/22/opinion/sunday/the-dream-of-leaving-cuba.html?_r=1
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    O sonho de deixar Cuba
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    Por Yoani Sánchez

    Publicado em: 21 de abril de 2012
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    Havana
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    Lá fora o sol é incrivelmente quente, e no escritório de imigração com cerca de 100 pessoas suando profusamente. Mas ninguém reclama. Uma palavra crítica, uma atitude exigente, pode acabar em punição. Assim, todos nós temos que esperar em silêncio pelo um “cartão branco”, autorização para viajar fora de Cuba.
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    O cartão branco é um pedaço dos absurdos migratórias que impedem os cubanos de sair e entrar livremente seu próprio país. É o nosso próprio Muro de Berlim sem o concreto, é uma terra de mineração situada em nossas fronteiras, sem explosivos. Um muro feito de papéis e carimbos, supervisionada pelos olhares sombrios de soldados. Esta licença de saída custa caprichosamente acima de US$ 200, um ano de salário para o cubano médio. Mas o dinheiro não é suficiente. Também não é um passaporte válido. Nós também deve atender outras exigências não escritas, as condições ideológicas e políticas que nos fazem elegível, ou não, a bordo de um avião.
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    Com tantos obstáculos, receber um “sim” é como ouvir o barulho de parafusos puxados para trás em uma porta de uma cela. Mas, para muitos, como eu, a resposta é sempre um “não”. Milhares de cubanos foram condenados à imobilidade nesta ilha, apesar de nenhum tribunal ter emitido tal veredicto. O nosso “crime” está a pensar criticamente sobre o governo, sendo membro de um grupo de oposição ou de ter subscrito uma plataforma em defesa dos direitos humanos.
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    No meu caso, posso exibir o triste recorde de ter recebido 19 recusas desde 2008 das minhas solicitações para obter um cartão branco. Eu deixei uma cadeira vazia em todas as conferências, cada cerimônia de premiação, todas as apresentações dos meus livros. Nunca recebi qualquer explicação, apenas a frase lacônica “Por enquanto, você não está autorizado a deixar o país.”
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    Mas não é apenas dissidentes ou críticos que sofrem essas restrições de mobilidade. Centenas de médicos, enfermeiros e profissionais de saúde que o governo valoriza muito o risco de perder, sei que a escolha dessas profissões significa que eles vão salvar vidas, mas será pouco provável que os vejam em outras latitudes. Eles vivem com as suas famílias separadas, seus filhos vão para o exílio, enquanto aguardam a aprovação das autoridades para sair. Alguns esperam três anos, cinco anos, uma década, ou para sempre.
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    A lista negra de quem não pode atravessar o mar é longa e, apesar de a informação nunca é publicado, todos nós sabemos como funciona o sistema. E assim, usando máscaras de conformidade perante os olhos atentos do estado, na esperança de alcançar o sonho acalentado de cruzar as fronteiras nacionais. A autorização de saída torna-se assim um método de controle ideológico.
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    Poucos dias atrás, Ricardo Alarcón, presidente do Parlamento cubano, disse a um entrevistador estrangeira que o governo está estudando uma reforma radical da emigração. Mas todos nós sabemos como o governo cubano utiliza o eufemismo “estamos estudando” para ganhar tempo em que poderia se tornar uma espera de décadas.
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    Na realidade, essas mesmas autoridades não estão dispostos a desistir desta rica indústria, que dão a eles milhões de dólares por ano em taxas de entrada e saída do país. Os rumores voam, mas eles nunca vão abrir as fechaduras.
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    Um ano atrás, por exemplo, como eu estava solicitando permissão para participar de um evento na Espanha, a notícia “apareceu” em que os cubanos em breve viajariam livremente. Quando perguntei ao funcionário que manipulava o meu pedido, se era verdade, ela zombou de mim, “Vá para o aeroporto e ver se eles deixar você partir sem um cartão branco.”
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    Naquela mesma tarde, foi emitida mais uma negação ao meu pedido, meu celular tocou insistentemente no bolso. Uma voz embargada me contou os últimos momentos da vida de Juan Wilfredo Soto, um dissidente que morreu vários dias depois de ter sido algemado e espancado pela polícia em um parque público. Sentei-me para me equilibrar, meus ouvidos zumbindo, meu rosto corando.
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    Fui para casa e olhei para o meu passaporte, cheio de vistos para entrar em uma dúzia de países, mas sem qualquer autorização para deixar o meu próprio pais. Ao lado de sua capa azul, meu marido colocou um relatório dos detalhes da morte de Juan Wilfredo Soto. Olhando de seu rosto na fotografia para o selo nacional em meu passaporte, eu só poderia concluir que, em Cuba, nada mudou. Continuamos no aperto das mesmas limitações, capturados entre os altos muros do sectarismo ideológico e as manilhas apertados de restrições de viagem.
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    Yoani Sanchez é o autor de “Havana Real:. Uma Mulher luta para dizer a verdade sobre Cuba Today” Este artigo foi traduzido por Mary Jo Porter do espanhol.

  6. Será que os líderes marxistas preferem a fome por ser mais fácil controlar a população carente?

    Fome crônica sedimenta atraso norte-coreano
    Décadas de alimentação inadequada debilitam população, principalmente no interior; em busca de efetivo, Exército baixa estatura mínima para 1,45 m


    LISANDRA PARAGUASSU , ENVIADA ESPECIAL / PYONGYANG – O Estado de S.Paulo
    Em um feriado em Pyongyang, crianças andam nas ruas tomando sorvetes, adultos fazem filas em barraquinhas para comprar bolos, supermercados estão lotados de produtos importados. Mas a realidade norte-coreana começa a poucos quilômetros dali e é muito diferente do ideal que o regime quer mostrar ao mundo.

    Vítimas da fome que perdura desde a década de 90, um em cada três coreanos tem baixo desenvolvimento físico e mental pela falta de alimentos. Quase metade das crianças tem desnutrição crônica, outras 23%, baixo peso. Uma herança maldita que passa de mãe para filho e afeta a própria capacidade de crescimento do país.

    Dados do governo do país, verificados pelo Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas, mostram que dois terços da população do país vivem com o equivalente a cerca de 400 gramas de grãos diários, distribuídos pelo Estado em um sistema de cupons, a metade do mínimo necessário. Desde junho de 2011, no entanto, até vir a nova colheita, a perspectiva é ainda pior: 380 gramas por adulto, 150 gramas dos chamados meses da fome, os meses de entressafra no verão do Hemisfério Norte.

    “Neste momento, não há uma crise de fome como na década de 90. Mas existe uma situação crônica de falta de alimentos”, explica a coordenadora do PMA na Coreia do Norte, Claudia Von Roehl. “Eles não têm nenhuma reserva de alimentos e em um ano com o inverno mais duro, como em 2011, a estação da fome é pior.”

    O inverno de 2011 foi um dos piores dos últimos anos. Em abril do ano passado, o número de crianças admitidas em hospitais por desnutrição aumentou entre 50% e 100%.

    Este ano, a situação da colheita deve ser melhor. Ainda assim, a falta de alimentos é permanente na Coreia do Norte. A dieta distribuída pelo governo se concentra em carboidratos, especialmente arroz, batata e milho. Crianças em idade escolar recebem um ovo por mês, mais um no dia de seu aniversário. Em muitos casos, a sua única fonte de proteína.

    Os adultos às vezes conseguem alguma carne ou peixe nos aniversários dos líderes mortos Kim Jong-il e Kim Il-sung.

    Em dezembro, logo depois da morte de Kim Jong-il, peixes foram distribuídos à população. Um favor do líder morto que, segundo o boletim do governo, “trabalhou com seu coração e sua alma para oferecer peixe fresco à população, oferecendo orientação sem descanso aos pescadores do país”. A prioridade para receber os peixes foi dada aos moradores de Pyongyang.

    Estatura. A falta de proteína tem impacto direto no crescimento dos norte-coreanos. “Sem proteína o crescimento não se completa. A falta de nutrientes resulta em pessoas que não se desenvolvem como deveriam em termos físicos e cognição”, afirma o representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância na Coreia do Norte, Bijaya Rajbhandari. “Isso tem um efeito intergeracional. Já há mais de uma geração de norte-coreanos afetados pela constante falta de alimentos.”

    Recentemente, as Forças Armadas norte-coreanas baixaram a altura mínima para recrutamento, de 1,55 m para 1,45 m. Aos 16 ou 17 anos, quando entram para os sete anos de serviço militar, a maior parte dos jovens já não atinge a altura inicialmente exigida. Do outro lado da zona desmilitarizada que separa as duas Coreias, os jovens do sul, com exatamente a mesma origem étnica, chegam, em média, a 1,72 m aos 17 anos.

    Em alguns casos, a falta de alimentos suficientes traz ainda outra consequência. Além da baixa estatura, os jovens parecem ter a cabeça grande demais para o corpo. Isso porque, quando há falta de nutrientes, a tendência do organismo é privilegiar o desenvolvimento do cérebro.

    Casos assim não aparecem muito em Pyongyang. Nos arredores, quando os jornalistas foram levados a conhecer uma plantação de maçãs, foi possível ver pelo menos três casos.

    O mundo norte-coreano mostrado pelo governo a jornalistas e outros estrangeiros que visitaram o país durante uma semana, nas celebrações do centenário de Kim Il-sung – morto em 1994 – é muito diferente do que aparece nos relatórios de quem pode andar pelo país. A capital, de onde os jornalistas mal podem sair, concentra os mais leais funcionários do regime. Quem mora na cidade tem uma permissão especial, dada pelo governo. Quem pertence à famílias com alguma mancha no currículo não entra na cidade, assim como norte-coreanos com algum defeito físico.

    Os salários ainda são extremamente baixos. Um funcionário de nível médio do governo recebe cerca de US$ 6. Uma professora universitária, com uma ótima renda, US$ 45. Difícil adquirir qualquer coisa nos mercados cheios de produtos chineses, malaios, alemães e brasileiros, onde um pacote de 10 maçãs custa US$ 2. Mas perfeitamente plausível numa cidade onde, mesmo proibida, a iniciativa privada já chegou na forma de mercados e pequenos restaurantes e o mercado negro de produtos chineses está em qualquer lugar.

    A casa de câmbio oficial, na frente de uma loja de departamentos que só aceita wons, é a prova de que pelo menos alguns moradores estão fazendo dinheiro. Ali, apenas norte-coreanos podem trocar dinheiro. O câmbio, de 3,6 mil wons por dólar, é 36 vezes maior do que o oficial.
    ….
    Os canalhas marxistas podem atribuir essa fome ao bloqueio econômico da nações livres, que não impede a Coreia do norte de enviar mísseis de longo alcance ou satélites espaciais!!!
    Me engana que eu gosto!!!
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  7. O PODEROSO CHEFÃO CACHOEIRA E NOSSAS FRÁGEIS INSTITUIÇÕES NO 2° MENSALÃO

    REPASSANDO

    Sábado fui ao aniversário de 50 anos do Chico Otávio, repórter do Globo.

    Lá estavam, entre outros, o Rubens Valente, da Folha, outros “jornalistas investigativos”. Estava também o Wagner Montes, cuja assessora de imprensa na Alerj é amiga do Chico.

    Soube de informações interessantes:

    1) Coisas mais graves do que as apuradas pela operação Monte Carlo (da PF, criada para investigar Demóstenes e Cachoeira) foram apuradas na operação Las Vegas, que trata de ligações do Cachoeira com a cúpula do Judiciário. Haveria material incriminando (em maior ou menor grau) nove ministros do STJ e quatro do STF. Só que o STF requisitou toda adocumentação a respeito, determinando que a PF não ficasse com cópia, e sentou-se em cima da papelada. Isso era sabido não só pelo Chico Otávio (Globo) e pelo Rubens (Folha), mas (pasmem!) também pelo Wagner Montes.

    2) Como a área de atuação de Cachoeira é perto de Brasília e ele tem desenvoltura e poder de articulação, ele atua como representante de um pool nacional de contraventores que exploram bingos, caça-níqueis, video pôquer e afins. Não fala só por ele. Daí sua desenvoltura (e seu dinheiro).

    3) Cachoeira é um arquivista compulsivo. Tem gravações telefônicas e em vídeo que comprometem todos os grandes partidos e inclusive gente graúda do governo federal. Tem um vídeo em que dá R$ 1,5 milhão a uma alta figura ligada à campanha da Dilma. O Globo e a Folha têm ainformação, mas não sabem quem recebeu o dinheiro. E não têm provas.

    4) O contador de Cachoeira, cuja foto está nos jornais, está em Miami, com cópia de tudo o que ele tem gravado. Se algo acontecer com o patrão, vem tudo à tona.

    5) Cachoeira está chantageando o governo federal. Diz que não vai aceitar a prisão. Diante disso, o PT está pagando os honorários de Márcio Tomaz Bastos (R$ 16 milhões), que o defende e vai de jatinho à penitenciária de segurança máxima de Mossoró, onde Cachoeira está preso. Folha e O Globo têm a informação de que é o PT quem paga a Márcio, mas não a publicam por falta de provas.

    6) Todo mundo está com medo de investigações sobre a Delta. Parece que ela – que contratou Dirceu como “consultor”, o que ele não nega – tem tido uma atuação muito mais agressiva do que as demais empreiteiras e cresceu de forma vertiginosa. Tem “negócios” com PT, PMDB, DEM, PSDB.

    7) Ninguém entendia muito vem por que Lula teria dado força à criação da CPI. Detonar Marconi Perillo parecia pouco para explicar uma CPI que pode abalar a República. Os jornais de hoje já dizem que o PT já pensa em recuar…

    De qualquer forma, como se vê, a Cosa Nostra chegou aos trópicos.
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  8. Doctor Marquina: Chávez está muy adolorido y necesita ayuda para levantarse

    El doctor venezolano José Rafael Marquina, quien se encuentra en Estado Unidos, aseguró que el estado de salud de presidente Chávez no es favorable. El galeno manifestó que según información confirmada por su persona el Primer Mandatario de Venezuela necesita ayuda para poder levantarse de la cama puesto que está muy adolorido. “Este es un momento delicado y no quiero hacer especulaciones. Lo único nuevo que he confirmado es que el presidente Chávez está muy adolorido, se levanta de la cama con asistencia y camina muy despacio con el uso de un bastón. Esto se debe a que el tumor ha invadido parte del lado izquierdo de la cadera y eso le ha generado un gran malestar”, dijo.

    La información extraoficial ofrecida por el doctor Marquina, ha generado polémica entre la población e incertidumbre por la ausencia prolongada del Mandatario. Sin embargo, las fuentes oficiales que se le han ofrecido al país manifiestan que Chávez continúa liderando el proceso revolucionario, así lo reiteró el presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello.

    Hasta el momento se tiene previsto que el Mandatario regrese esta semana al país.

    No obstante, Marquina por su parte manifestó que tiene conocimiento en la materia, puesto que cuenta con fuentes de confianza y cercanas a la situación. “Digo lo que digo porque conozco la materia y tengo fuentes de altísima confianza que me mantienen al tanto de la situación. Me ocupo de divulgar lo que sé porque me duele mi país y no me perdonaría callarme, por conveniencia o por temor, una información que es de interés para todos los habitantes de Venezuela”, agregó.

    La salud del presidente según el galeno, en su total profundidad es delicada, sin embargo no descarta que con medicamentos, Chávez pueda recuperar parte su movilidad en unos días y así regresar a las pantallas de televisión. Reiteró una vez más que no quiere ser fatalista.

    De igual forma, recordó que en el año 2011 cuando le fue diagnosticada la presencia de una masa que se suponía acumulaba células benignas, luego de haber sentido un fuerte dolor abdominal. Durante la primera operación realizada en Cuba, el tumor no pudo ser retirado puesto que ya presentaba metástasis. A pesar de haber permanecido varios días en cuidados intensivos, logró recuperarse de la crisis.

    Seguidamente Marquina explicó que el tipo de cáncer que le fue encontrado al presidente se le denomina leiomiosarcoma, un tumor del tejido muscular liso muy agresivo y poco conocido en la comunidad médica. La lesión se inició en la vejiga, esparció al músculo psoas, se le abcesó e infiltró a otros órganos, apuntó.

    Tras continuar con los exámenes y las primeras cinco sesiones de quimioterapia se evidenció que se había generado una involución, puesto que el tumor continuaba con el mismo tamaño que cinco meses atrás. De esta manera, en el mes de febrero se realizó una tomografía computarizada en donde se descubrió por medio de las pruebas médicas que presentaba metástasis en las glándulas a drenales, hígado y aumento del tamaño del tumor.

    El galeno indicó que las células cancerígenas se están duplicando cada 17 días, y apuntó “es muy probable que el cáncer se haya extendido a la próstata y las glándulas suprarrenales, además de una parte del tejido muscular y la zona ósea de la cadera en el lado izquierdo. De acuerdo con el tamaño que tiene el tumor, actualmente, las células cancerígenas se están duplicando cada 17 días”,

    Finalmente el médico venezolano aseguró que no le recomendaría a ninguno de sus amigos atenderse en cuba medicamente puesto que carecen de experiencia y la tecnología necesaria. “Yo no le recomendaría a mis amigos que se fueran a tratar a Cuba, porque puede haber buenas intenciones pero carecen de la experiencia y la tecnología necesaria. El tratamiento cubano ha sido una cadena de errores. El presidente sacrificó la calidad del cuidado médico a cambio de privacidad, porque en Venezuela no confía en nadie”, reiteró.

    De igual forma, le aconsejó al presidente que buscara ayuda con los especialistas del MD Anderson Cancer Center de Houston, en Estados Unidos, debido a que cuentan no solo con los mejores equipos tecnológicos, sino que también con la experiencia necesaria para solventar la situación y extender su expectativa de vida. “Si le operan la cadera para disminuir los dolores las consecuencias pueden ser fatales. No es una buena opción, de acuerdo a mi criterio”, aseveró.
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