Boutique

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A poucos metros da Praça de São Francisco vê-se a vitrina cheia de glamour de uma loja Via Uno. Sapatos de couro com saltos finos um tanto inúteis para as calçadas irregulares de Havana. Bolsas pregueadas e com debruns dourados nas quais parece que o mundo cabe e que tem espaço para toda a cidade. As pessoas curiosas param em frente ao vidro e algumas mulheres entram para olhar de perto, mesmo que muito poucas saem com alguma compra nas mãos. Lá está a adolescente que logo fará quinze anos, insistindo com a mãe para que desembolse as economias numas botinas vermelhas. Também a funcionária de uma corporação nova, com a boca aberta e as sobrancelhas arqueadas ante os preços que chegam a três casas. Cruzando a rua – justamente em frente à porta da boutique – há uma anciã com a mão estendida pedindo dinheiro.

Como numa fotografia exposta os contrastes sociais são percebidos a cada dia com mais intensidade na vida cubana. Enquanto muitos se levantam com a angustiante pergunta de “o que vou comer hoje?”, uma nova classe – com moeda conversível no bolso – vangloria-se de consumir os artigos das lojas exclusivas. Gente que graças a corrupção, os negócios privados, as remessas ou os privilégios governamentais têm acesso a uma roupa mais cara, melhores alimentos e a mercadorias que não estão ao alcance da grande maioria. Nas regiões turísticas esses disparates são observados com maior nitidez. É aí onde a Cuba de vários níveis se faz mais visível, mais dolorosa. É aí onde se desmente esse conceito de “igualdade” que ainda se escuta em inumeráveis palavras de ordem, que habita – como uma miragem – a mente de tantos fora das nossas fronteiras.

Sob o resplendor emitido pelo anúncio luminoso de letras finas, um senhor vende cones de amendoim. Nem uma só sílaba do seu pregão é escutada dentro dessa loja climatizada, muito menos no provador, onde alguém sobe o fecho éclair de um presente de luxo.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto

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17 thoughts on “Boutique

  1. Por que eles odeiam o mercado?
    por Art Carden, quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

    Entre os intelectuais, o modismo de sempre é culpar todas as mazelas da sociedade no livre mercado. Basta dar uma olhada no conteúdo dos cursos universitários, nas palavras dos professores, nas publicações acadêmicas e mesmo nos jornais dos grêmios universitários. Todos eles concordam entre si nesse quesito.

    O desprezo popular pelo mercado é angustiante. Poucas instituições são tão universalmente vilipendiadas, e talvez poucas instituições sejam tão universalmente incompreendidas. E essa desinformação é perigosa: os radicais que protestam tão veementemente contra o funcionamento do livre mercado raramente percebem que estão defendendo o fim da única instituição que pode aprimorar o padrão de vida das pessoas.

    Parodiando o poeta Robert Frost, deveríamos primeiro examinar como funciona o paraíso para, só então, tentarmos mudar o mundo. Em outras palavras, devemos entender como algo é antes de começarmos a falar como ele deveria ser. Nesse artigo, farei precisamente isso: vou esclarecer a definição de “livre mercado” e então argumentar que os chamados ‘pecados’ do mercado são erroneamente interpretados.

    Cabe a nós, antes de tudo, definir aquilo sobre o qual estamos falando. Muitas discordâncias têm suas origens na incompreensão e no equívoco. Portanto, vamos definir o “livre mercado”: o site dictionary.com define um “mercado” como “uma oportunidade de comprar ou vender” e um “livre mercado” como “um mercado econômico no qual a oferta e a demanda não são reguladas ou são reguladas com restrições mínimas”. “Livre mercado” e “capitalismo” são praticamente sinônimos, e é George Reisman quem define o capitalismo de maneira eloquente:

    O capitalismo é um sistema social baseado na propriedade privada dos meios de produção. É caracterizado pela busca do interesse próprio em termos materiais — em um ambiente livre da iniciação de força física —, e seus alicerces são culturalmente influenciados pela razão. Baseado em suas fundamentações e em sua natureza essencial, o capitalismo é mais detalhadamente caracterizado pela poupança e pela acumulação de capital, pelas trocas voluntárias intermediadas pelo dinheiro, pelo interesse próprio financeiro e pela busca do lucro, pela livre concorrência e pela desigualdade econômica, pelo sistema de preços, pelo progresso econômico, e por uma harmonia da busca pelo interesse próprio material de todos os indivíduos que dele participam.[1]

    Assim, podemos definir o “livre mercado” como um sistema social baseado na troca voluntária de títulos de propriedade. E, ainda assim, o “livre mercado” é quase que universalmente vilipendiado dentro da academia.

    Várias críticas populares ao mercado são tão batidas que já asseguraram a caricatura de clichê (críticos do capitalismo diriam que tais críticas são um “axioma”). Elas podem ser condensadas em algumas poucas proposições amplas, as quais consideraremos aqui. Elas são: o mercado é antissocial, o mercado atropela os direitos humanos, o mercado é o inimigo do meio ambiente e o mercado é a arma dos ricos contra os pobres. Vamos analisar uma de cada vez.

    Um dos mais populares mitos sobre a economia de mercado é que ela necessariamente gera uma tipicamente hobbesiana “guerra de todos contra todos”, um mundo em que todos se devoram e todos competem em uma briga por recursos, sendo que o final é um jogo de soma zero. Outros já chegaram inclusive a afirmar que o mercado pode levar toda a espécie humana à autodestruição. A conclusão, portanto, é que o mercado é algo belicoso e hostil: se os recursos são finitos e todos vivem para consumir, então conflitos — e guerras — serão necessariamente o resultado natural.

    Mas conflitos e guerras são a exata antítese dos princípios do livre mercado. A essência das trocas de mercado é a cooperação: dois lados trocam bens e serviços, e ambos saem enriquecidos dessa troca. Você vai a uma loja e paga por uma gravata. A loja compra a gravata do fabricante. O fabricante paga pela mão-de-obra e pelo capital necessários para produzir a gravata. Todos ganham no processo.

    O leitor deve também observar que as pessoas nunca começam guerras de conquista e subjugação com a intenção de ampliar as trocas voluntárias de bens e serviços. Com efeito, muitas guerras ocorrem fundamentalmente por motivos anticapitalistas: a saber, disputas comerciais. Vale a pena sempre recorrermos à sabedoria de Frédéric Bastiat, que alertou que, quando os bens deixam de cruzar as fronteiras, os exércitos cruzarão.

    Outra crítica popular ao livre mercado é que ele atropela os direitos humanos. Escravidão, racismo, machismo e “trabalhos precários” são filhos do capitalismo; portanto, a economia de mercado deve ser derrubada e destruída o mais rápido possível.

    Em primeiro lugar, a escravidão é antimercado por definição: mercados livres são guiados pelo princípio do voluntarismo. Em segundo, racismo e machismo são difíceis de serem sustentados em mercados competitivos: não importa o quanto um determinado empregador odeie negros, mulheres, judeus, homossexuais etc., os consumidores raramente estão dispostos a pagar o preço extra que seria necessário para que ele satisfaça eternamente seu desejo pela discriminação.

    Tragicamente, regulamentações sobre as condições de trabalho e a imposição de um salário mínimo maior tendem a exacerbar — ao invés de mitigar — as discriminações, pois removem as penalidades que empregadores preconceituosos sofreriam em um mercado competitivo e eliminam uma importante margem que poderia ser utilizado por grupos marginalizados. Quando as pessoas não mais podem competir com base em preços, quantidade e qualidade, as empresas passam a poder discriminar com base em algo que não seja a produtividade.

    Em um mercado livre e desimpedido, um empregador racista seria penalizado (lucros menores que os de seus concorrentes) se ele incorresse em qualquer tipo de discriminação. Sem um salário mínimo imposto, seria caro para um empregador racista negar a mão-de-obra de um trabalhador negro que se dispusesse a trabalhar por um valor menor que o de um branco. Porém, quando o estado passa a fixar o preço da mão-de-obra, e as condições de trabalho são determinadas por decreto, esse mesmo empregador estará apto a exercer suas preferências racistas sem que receba uma merecida punição capitalista. É por isso que um salário mínimo mais alto acaba com o único trunfo que os grupos historicamente discriminados têm a seu favor.

    Ademais, o mercado tem sido profundamente benevolente mesmo para as mais oprimidas minorias. Em sua magistral obra Competition and Coercion: Blacks in the American Economy 1865-1914, Robert Higgs narrou cronologicamente os espetaculares ganhos e conquistas obtidos pelos filhos e filhas de escravos quando eles passaram a poder participar da economia de mercado.

    Em terceiro lugar, temos de fazer duas perguntas quando consideramos a má situação da mão-de-obra em “trabalhos precários”. Primeira: por que as condições de trabalho são tão miseráveis? Segunda: quais são as alternativas boas para esses trabalhadores? As condições de trabalho no terceiro mundo são ruins exatamente porque vários desses países apenas recentemente começaram a adotar as instituições que caracterizam as economias de mercado do ocidente. As melhores alternativas para esses trabalhadores são normalmente pavorosas: crime, prostituição e fome. Se os trabalhos precários forem proibidos, essas serão as únicas alternativas sobrantes.

    Também é bastante popular acusar o mercado de ser o inimigo do meio ambiente. Outra mentira; a degradação ambiental ocorre exatamente quando os direitos de propriedade são debilmente especificados, fiscalizados e zelados. Se há alguma entidade que fracassou quanto a isso, é o estado. Há ampla evidência desse fracasso nos países comunistas: vários lagos, rios e correntezas da antiga União Soviética são tão poluídos, que são inutilizáveis. O economista George Reisman dedicou uma considerável porção do seu magistral tratado Capitalism à interação entre o mercado e o meio ambiente, e ele mostra que afirmação de que “o mercado é o inimigo do meio ambiente” é baseada em ficções.

    A economia de mercado também é acusada de ser a arma suprema dos ricos contra os pobres. A “meritocracia” capitalista seria a responsável pela ampla e difundida pobreza, pela desigualdade desenfreada e pelo domínio mundial das grandes corporações. Embora esses desafios às instituições capitalistas tendam a gerar uma retórica intrigante, eles são completamente falsos.

    Os países pobres de hoje já eram pobres muito antes de as modernas e liberais economias de mercado se desenvolverem na Europa e na América do Norte; portanto, não se pode culpar o capitalismo pela pobreza deles. Muitos críticos também apontam para a desigual distribuição de riqueza como evidência das mazelas do capitalismo, mas tal acusação ignora dois pontos cruciais.

    O primeiro é a mobilidade de renda: dependendo da liberdade econômica do país, alguém nascido na pobreza tem uma boa chance de ascender na escala social. Segundo, embora a distribuição de renda monetária seja desigual, a facilidade de acesso aos bens de composição tecnológica similar aumentou consideravelmente. Durante a maior parte da história mundial, a diferença entre ricos e pobres era a diferença entre aqueles que comiam e aqueles que morriam de fome. Na economias de mercado atuais, a diferença entre os super ricos e os pobres é a diferença entre aquele que dirige um Dodge Viper e aquele que dirige um Chevrolet da década de 1980.

    O leitor deveria também observar que o poder que se imagina que as “grandes corporações” tenham está exagerado. Uma característica exclusiva do capitalismo de livre mercado é que as maiores recompensas vão para aqueles que satisfazem às demandas do cidadão comum. Nos EUA, por exemplo, pense no Wal-Mart, o bode expiatório favorito dos intelectuais de esquerda: a clientela do Wal-Mart é formada quase que exclusivamente de pessoas das classes média e baixa. O capitalismo gera uma riqueza fantástica, e os benefícios vão quase que inteiramente para os menos afortunados dentre nós.

    Ludwig von Mises disse tudo de maneira sucinta em uma série de palestras publicadas postumamente como o nome de As Seis Lições. Ele observa que

    Este é o principio fundamental do capitalismo tal como existe hoje em todos os países onde há um sistema de produção em massa extremamente desenvolvido: as empresas de grande porte, alvo dos mais fanáticos ataques desfechados pelos pretensos esquerdistas, produzem quase exclusivamente para suprir a carência das massas. As empresas dedicadas à fabricação de artigos de luxo, para uso apenas dos abastados, jamais têm condições de alcançar a magnitude das grandes empresas. E, hoje, os empregados das grandes fábricas são, eles próprios, os maiores consumidores dos produtos que nelas se fabricam. Esta é a diferença básica entre os princípios capitalistas de produção e os princípios feudalistas de épocas anteriores.

    A “relação de poder”, um conceito tão caro aos marxistas, é exatamente oposta àquela imaginada: os consumidores, e não os produtores, é que ditam o rumo da produção.

    Não obstante tudo isso, os inimigos do mercado argumentam que a única razão pela qual as pessoas toleram as economias de mercado é porque elas são obrigadas a tal. A evidência das imigrações ocorridas ao longo do século XX não dá respaldo a essa hipótese. Milhares de pessoas morreram tentando cruzar as fronteiras da Alemanha Oriental e da Coréia do Norte — e não havia o mesmo movimento na direção oposta. Similarmente, milhares de cubanos arriscaram suas vidas e integridade física tentando fugir para os EUA. Até onde se sabe, nenhuma pessoa desafiou o oceano em uma balsa caseira em busca de melhores condições de vida em Cuba.

    Finalmente, trata-se de ignorância pura e simples dizer que o mercado “falhou” de alguma maneira significativa. Ao proferir tal sentença, seria necessário propor uma alternativa superior. Nesse caso, tanto a teoria quanto a história estão firmemente a favor do livre mercado. Mises e Hayek demonstraram que o cálculo econômico racional é impossível sem que haja propriedade privada dos meios de produção. Isso não significa que uma “economia socialista” seja ineficiente — significa que uma economia socialista é uma contradição prática. Nossa experiência com revoluções radicais e economias planejadas ao longo do século XX não é nada estimulante: em nome do “povo”, Che Guevara matou milhares, Hitler milhões, Stalin e Mao dezenas de milhões.

    Pode até ser chique culpar a economia de mercado por todas as mazelas da sociedade, mas não apenas essa acusação é sem sentido como também a fé dos intelectuais em alternativas para o mercado é inteiramente fictícia. Nunca nenhum regime socialista teve eleições livres, e nenhum livre mercado já produziu algum campo de extermínio. Contrariamente às opiniões de acadêmicos e intelectuais populares, o mercado funciona. E pode botar essa na conta.

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    Notas

    [1] Reisman, George. 1996. Capitalism: A Treatise on Economics (Ottawa, IL: Jameson Books), p. 19.

    Art Carden é professor-assistente de economia e finanças no Rhode Island College em Memphis, Tenessee, além de ser membro adjunto do Independent Institute, localizado em Oakland, Califórnia. Seus papers podem ser encontrados na sua página no Social Science Research Network. Ele também escreve regularmente nos blogs Division of Labour e The Beacon.

  2. IGUALITARISMO
    No primeiro parágrafo de seu famoso Discours sur l’Origine de l’Inégalité (1754) Rousseau afirma que “a natureza estabeleceu igualdade entre os homens e eles estabeleceram desigualdade” . Esse mito virou dogma, um dogma totalmente falso, apesar de incorporado na Declaração de Independência dos Estados Unidos (1776), na forma de “all men are created equal”, e na Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa (1793), na forma de “tous les hommes sont égaux par la nature”.
    “A verdade é exatamente o oposto: a natureza, que é hierárquica, cria todos os homens desiguais, e a sociedade, que homogeneíza, tenta fazer todos os homens semelhantes e luta para erradicar suas peculiaridades individuais”.
    Em primeiro lugar, igualdade biológica não existe: simplesmente não é verdade que todos nasçamos iguais ou que sejamos iguais pela natureza.
    “Há bebês que nascem prematuramente e há os que nascem depois da hora, os sadios e os doentes, os com grande e os com pouco apetite, os barulhentos e os quietinhos. Cada ser humano é um microcosmo com diferentes capacidades, cada um tem um código genético insubstituível que revela, quando desenvolvido, aptidões e vocações extremamente variadas. Todos nós nascemos diferentes e tão logo as primeiras avaliações são feitas no jardim da infância descobrimos que uns são fortes, outros fracos, uns determinados, outros abúlicos, uns mostram sinais de gênio, outros de retardamento. Quase todas as qualidades superioras dos seres humanos estão distribuídas em uma curva de Gauss onde nenhum ponto é compartilhado por mais de uma pessoa. A desigualdade é absoluta entre os humanos e é graduada entre extremos de trágica contradição, como o gênio e o retardado mental, o atleta e o deficiente físico. Duas crianças, filhos dos mesmos pais, criadas no mesmo ambiente, desenvolvem personalidades diferentes, por vezes antípodas, assim que seu comportamento se torna público. Essas diferenças se tornam até mesmo mais complexas quando elas compartilham os mesmos livros e professores. É absolutamente falso que a natureza crie todos os homens iguais; a verdade é que a natureza nos coloca no mundo com capacidades dessemelhantes, que obviamente podem ser avaliadas hierarquicamente. A hipotética homogeneidade proclamada por Rousseau é contraditada pelos fatos trazidos à luz pela genética, psicologia e fisiologia: é uma ficção…”.
    Em segundo lugar, não é verdade que a sociedade institucionalize desigualdades.
    “Pelo contrário, cada sociedade faz um esforço determinado para equalizar todos. Ela começa por estabelecer uma linguagem, com regras morfológicas, fonéticas e sintáticas rígidas… Essa uniformidade lingüística também exige um semelhante conjunto de regras para o pensar…Ao mesmo tempo, regras de comportamento são estabelecidas… À medida que o adolescente vai crescendo, a sociedade lhe oferece uma idéia da história e uma definição do belo, do bom e do verdadeiro. Quem se desvia desses critérios sociais se torna um excêntrico, um rebelde, e, em casos extremos, um delinqüente. A sociedade possui um epíteto revelador para quem quer que seja que resista a essa coerção niveladora do ambiente: o mal-ajustado”.
    A verdade está é com o poeta que disse que todos nós nascemos originais – mas a maioria morre uma cópia!
    Os igualitaristas tentam responder afirmando que não é identidade biológica que pretendem, ou que pretendia Rousseau, mas igualdade social e política. Mas também esta é impossível. Mesmo que nascimento ou riqueza sejam eliminados como fonte de hierarquização (i.e., de desigualdade) social, a sociedade tem os que governam, e portanto detêm poder político, e os que são governados, e, assim, continua sendo hierárquica. Fora da esfera política, nas ciências, nas artes, nos esportes, nas várias profissões, há sempre os que são melhores e se destacam (ou porque são mais bem dotados ou porque se esforçam mais) e não há como evitar sistemas de gradação e hierarquização. Nem mesmo a mais despótica coerção pode evitar que alguns tenham desempenho superior ao de outros. A desigualdade de desempenho e produção leva à desigualdade de compensação. Mesmo que o Estado procure deliberadamente suprimir toda e qualquer forma de distinção, as pessoas, individualmente, reconhecem os melhores médicos, professores, engenheiros, artistas, esportistas, etc. As pessoas só vão assistir a uma peça de má qualidade quando não têm alternativa. Se têm, vão pagar para ver as melhores, que, conseqüentemente, vão propiciar mais e melhores oportunidades de trabalho.
    Cabe perguntar se é possível haver igualdade econômica. Pode parecer possível impor, através de uma série de medidas coercitivas (nacionalização de todos os meios de produção, abolição da propriedade privada e do direito de herança, eliminação de juros sobre o capital, e obrigatoriedade de salário único para todos), uma certa igualdade financeira, isto é, fazer com que todos recebam a mesma quantidade de dinheiro. Contudo, mais de meio século de comunismo nos mostrou ser praticamente impossível impor sequer esse tipo de igualdade. A experiência dos regimes comunistas tem comprovado que um certo nível de propriedade privada, inclusive dos meios de produção, de possibilidade de transmissão de bens por herança, de pagamento de juros sobre economias, de incentivo e diferenciação salarial são indispensáveis para a economia de uma sociedade.
    Mas mesmo que a igualdade financeira fosse possível, ela não traria igualdade econômica. A área econômica tem outras dimensões além da monetária. Com a mesma quantia de dinheiro as pessoas podem usufruir diferentes tipos e níveis de bem-estar, fornecidos, por exemplo, em espécie. O dinheiro é apenas uma potencialidade que nos permite adquirir bens e serviços. Se é possível dispor de bens e serviços sem necessidade de dinheiro próprio, como é o caso entre os que governam, o dinheiro passa a significar pouco. Os governantes podem até ter salários semelhantes ou idênticos ao dos peões, mas via de regra dispõem de uma diversidade enorme de bens de alto custo e de serviços onerosos. Na verdade, sempre que se procura impor um certo nível de igualdade financeira entre governantes e governados, a tendência tem sido radicalizar as desigualdades (não financeiras mas certamente econômicas) inerentes ao poder.
    Além disso, mesmo com quantidades idênticas de dinheiro, os indivíduos vão fazer coisas diferentes com esse dinheiro, e algumas dessas coisas vão dar melhor retorno, e, conseqüentemente, produzir novas diferenças.
    Mas se igualdade biológica, a igualdade social e política, e a igualdade econômica, todas elas igualdades substantivas, são impossíveis, seria possível igualdade de oportunidades, que é uma igualdade formal?
    Esta é possível, mas apenas na segunda das duas interpretações que a seguir serão discutidas.
    Na primeira interpretação, a igualdade de oportunidades implica (para usar uma metáfora) que na corrida da vida ninguém deve sair na frente (no tempo ou no espaço): todos têm de sair juntos (ao mesmo tempo e do mesmo lugar).
    É pertinente registrar que, consoante essa interpretação, a igualdade de oportunidades não tem por objetivo impedir que uns cheguem na frente de outros, por capacidade inata, treino ou esforço – isto é, por mérito próprio. Pelo contrário: a razão de ser da igualdade de oportunidades está em procurar garantir que quem chegue na frente o faça por méritos próprios, e não por ter saído na frente, visto que todos (ex hypothesi) começam juntos, no mesmo momento e lugar.
    Mesmo com esse registro, é forçoso admitir que a igualdade de oportunidades, assim interpretada, mesmo que seja colocada como um ideal abstrato, é virtualmente inatingível, nas situações concretas em que vivem os seres humanos – a menos que haja consideráveis restrições, ou mesmo a abolição, com violência, da liberdade daqueles que, por capacidade natural ou aptidões inatas, ou mesmo por circunstância de nascimento, doutra forma sairiam na frente. Não há como conseguir que todos comecem no mesmo lugar e ao mesmo tempo, exceto pela força, e mesmo pela força é difícil. As razões são evidentes.
    “Circunstâncias temporais, geográficas e de família colocam os indivíduos em condições iniciais mais ou menos favoráveis. Essa disparidade inicial determina profundas e prolongadas diferenças. O exemplo arquetípico é o contraste entre as possibilidades de auto-realização do filho de um mendigo e de um homem rico. Essa desigualdade fortuita pode marcar uma vida para sempre”.
    Não é possível, através de ação governamental, sem consideráveis restrições, ou mesmo a abolição, com violência, da liberdade, remover todas as vantagens no começo da vida das pessoas, de modo a fazer com que todos comecem do mesmo ponto.
    “A maioria (das vantagens) é inevitável. Ninguém tem a mesma oportunidade mental, pois todos nascemos mais ou menos inteligentes, mais ou menos neuróticos. Ninguém vai compartilhar as mesmas oportunidades históricas, a menos que sejamos capazes de cancelar o progresso que permite que alguns nasçam em um mundo que tem uma civilização mais ou menos avançada e um patrimônio mais ou menos rico. Ninguém vai compartilhar as mesmas oportunidades dentro de uma nação, a menos que o nível econômico e cultural da nação sejam equalizados”.
    A segunda interpretação de igualdade de oportunidades, e a única que torna a igualdade algo possível alcançar, considera a igualdade de oportunidades mais como negativa do que como positiva, mais como formal do que como substantiva. A igualdade de oportunidades passa a ser equivalente à igualdade de tratamento perante a lei. A Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa afirma: “Todos os homens são iguais pela natureza e diante da lei”, e a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 reitera que “todos são iguais diante da lei”.
    “A igualdade de oportunidades possível se reduz à exigência de que, dentro de uma sociedade, e em um momento determinado, ninguém seja impedido de avançar, nem forçado a retroceder de sua posição, por causa de seus antecedentes familiares” ; fiz pequena inversão na ordem, sem alterar o sentido}.
    É forçoso reconhecer que, nessa interpretação, a igualdade de oportunidades parte do pressuposto da desigualdade real (i.e., inicial) dos indivíduos. Não haveria muito sentido exigir que indivíduos fossem tratados como iguais (igualdade formal) se não se houvesse o pressuposto de que eles, na realidade, são substantivamente diferentes (desigualdade material).
    “Mesmo quando essa restrita igualdade de oportunidades é obtida, temos ainda que lidar com as insuperáveis desigualdades que carregamos conosco, como a capacidade intelectual e moral, as condições em que nascemos e vivemos, a chance. Não é a mesma coisa nascer na Suíça ou no Congo, ou nascer antes ou depois de um dado evento histórico. As oportunidades no Golfo Pérsico não são as mesmas antes e depois da descoberta e exploração de petróleo, da mesma forma que as oportunidades de boa saúde eram muito diferentes antes e depois da descoberta de antibióticos”.

    A igualdade de oportunidades, assim interpretada, além de partir de desigualdades reais, acaba constituindo um novo nível de desigualdade e estratificação – a desigualdade baseada no mérito, a meritocracia, como assinalou Michael Young no seu livro The Rise of the Meritocracy 1870-2033 [33]. A estratificação meritocrática acaba por produzir mais ressentimento e inveja do que outras desigualdades. Quando não há igualdade de oportunidades, aqueles que não são os melhores sempre podem colocar a culpa na falta de oportunidades, nas circunstâncias da vida. Em uma sociedade em que há igualdade de oportunidades (no sentido formal, ressaltado atrás), eles têm de enfrentar a sua inadequação. A conclusão de Young é que “a injustiça educacional permitia que o povo mantivesse suas ilusões, a desigualdade de oportunidades alimentava o mito da igualdade humana”. O aparecimento de oportunidades iguais destruiu as ilusões e implodiu o mito.
    É possível obter igualdade perante a lei? Sim, no sentido de que a lei e os juízes, em suas decisões, devem levar em conta o comportamento livre das pessoas e não suas características involuntárias, como raça, cor, sexo, ou posição social dos pais.
    É necessário mencionar, porém, um fato bastante óbvio: essa igualdade (formal) diante da lei acaba criando desigualdades reais, visto que nos obriga a distinguir o inocente do criminoso, a absolver alguns e a punir outros.
    A igualdade de oportunidades, interpretada no sentido de igualdade perante a lei, é a única igualdade possível. Mas longe de pressupor ou postular igualdade real, ela parte, como se viu, do fato inegável da desigualdade, e tampouco faz com que os seres humanos desiguais se tornem iguais, em sentido substantivo.
    O máximo a que se pode chegar é limitar, no extremo inferior, as margens da desigualdade. Isso seria feito estabelecendo, além da igualdade de oportunidades e diante da lei, um limite mínimo de poder político e econômico para cada cidadão. O mínimo de poder político seria caracterizado por seus direitos fundamentais; o mínimo de poder econômico por uma renda familiar compatível com o nível de desenvolvimento da sociedade . Mas não é possível na prática, nem desejável, fixar limites máximos. Esses limites máximos cerceariam os mais nobres e poderosos incentivos que já foram criados para a realização pessoal, para o progresso social e para o desenvolvimento econômico.
    O autor não esclarece, entretanto, de onde viriam os recursos para essa “renda mínima”. É evidente que viria de impostos e “contribuições” não voluntárias pagas pelos mais ricos. Mas, nesse caso, os mais ricos estariam tendo sua liberdade econômica violada, ao se tornar, mesmo contra sua vontade, fonte de sustento dos mais pobres.
    A conclusão é que o igualitarismo substantivo (biológico, social e político, econômico, e mesmo de oportunidades, na primeira interpretação) não é nem mesmo uma utopia, isto é, algo difícil de alcançar, mas desejável: é, isto sim, um pesadelo. Todas as vezes que se tentou implantá-lo o resultado inevitável foi involução econômica e cultural, como bem atestam hoje os países do Leste Europeu e a antiga União Soviética.

    Justiça Social, Igualitarismo e Inveja
    Livro de Gonzalo Fernandez de la Mora

  3. DESPEDIDA DE HUGO CHÁVEZ

    Impressionante, muito profunda a despedida precoce de Nancy Iriarte Díaz (sua ex-esposa) a Hugo Chávez; que foi publicada em 9 de agosto de 2011 num dos jornais venezuelanos de maior circulação: o “El Universal”.

    Hugo, algumas considerações sobre a tua morte que se aproxima:

    Não quero que partas desta vida sem antes nos despedirmos, porque tens feito um mal imenso a muita gente, tens arruinado famílias inteiras, tens obrigado legiões de compatriotas a emigrar para outras terras, tens enlutado um número incontável de lares, aos que achavas que eram teus inimigos os perseguistes sem quartel, os aprisionastes em cubículos indignos até para animais, os insultastes, os humilhastes, os enganastes, não só porque te achavas poderoso, mas também imortal… Porque o fim dos tempos não te alcançaria.

    Mas a tua hora chegou, os prazos se esgotaram, o teu contrato chega ao seu fim, ( o teu prazo de validade nesta existência está vencendo…) teu “ciclo vital” se apaga pouco a pouco e não da melhor maneira; provavelmente morrerás numa cama, rodeado de tua família, assustada, porque vais ter que prestar contas uma vez que das teu último alento, te vás desta vida cheio de angustia e de medo, lá vão estar os padres a quem perseguistes e insultastes, os representantes dessa Igreja que ultrajastes por prazer, claro que te vão dar a extrema unção e os santos óleos, não uma, mas muitas vezes, mas tu e eles sabem que não servirão para nada, mas só para acalmar o pânico a que está presa a tu alma ante o momento que tudo define.

    Morres enfermo, padecendo do despejo, das complicações imunológicas, dos terríveis efeitos secundários das curas que prometeram alongar a tua vida, teus órgãos vão se deteriorando, uma a um, tuas faculdades mentais vão perdendo o brilho que as caracterizava, teus líquidos e fluidos são coletados em bolsas plásticas com esse fedor de morte que tanto te repugna.

    Diga-me, neste momento, antes que te apliquem uma nova injeção para acalmar as dores insuportáveis de que padeces, vale a pena que me digas que não te possam tirar a dança – ah! – as viagens pelo mundo, os maravilhosos palácios que te receberam, as paradas militares em tua honra, as limusines, os títulos honoríficos, os pisos dos hotéis cinco estrelas, as faustosas cenas de estado… Diga-me agora que vomitas o mingau de abóbora que as enfermeiras te dão na boca, se era sobre isso que se tratava a vida, pois os brilhos e as lantejoulas já não aparecem nos monitores e máquinas de ressuscitação que te rodeiam, as marchas e os aplausos agora são meros bipes e alarmes dos sensores que regulam teus sinais vitais que se tornam mais débeis.

    Podes escutar o povo do teu país lá fora do teu quarto?… Deve ser tua imaginação ou os efeitos da morfina, não estás na tua pátria, estás em outro lado, muito distante, entre gente que não conheces… Sim, estás morrendo em teu próprio exílio, entre um bando de moleques a quem confiou entregar teu próprio país, teus últimos momentos serão passados entre cafetões e vigaristas, entre a tua coorte de aduladores que só te mostram afeto porque lhes davas dinheiro e poder; todos te olham preocupados e com raiva, nunca deixastes que nenhum deles pudesse ter a oportunidade de te suceder; agora os deixas ao desabrigo e teu país à beira de uma guerra civil… Era isso o que querias? Foi essa a tua missão nesta vida? Esquece-te da quantidade de pobres, agora há mais pobres do que quando chegastes ao poder; esquece-te da justiça e da igualdade quando praticamente lhe entregastes o país a uma força estrangeira que agora teremos de desalojar à força e ao custo de mais vidas.

    Tenho a leve impressão que agora sabes que te equivocastes; acreditastes num conto de passagem e te julgastes revolucionário, e por ser revolucionário… imortal; convocastes para o teu lado os mortos, teus heróis, esses fantasmas que também julgavas ter vida, Bolívar, Che Guevara, Fidel, e Marx que nunca conhecestes e que recomendavas a sua leitura… Andar com mortos te levou à magia e aos babalaôs, te metestes a violar sepulturas, e a fazer oferendas a uma corte de demônios e espíritos maus que agora te acompanham… Sentes a presença deles no quarto? Estão vindo te cobrar, recolher a única coisa que deverias valorizar em tua vida e que tão sinistramente atirastes na obscuridade e no mal, a tua alma.

    Bem, me despeço; só queria que soubesses que passarás para a história do teu país como um traidor e um covarde, por não teres retificado tua conduta quando pudestes e te deixastes levar por tua soberba, por teus ideais equivocados, por tua ideologia sinistra renunciando aos valores mais apreciados, a tua liberdade e à liberdade dos outros, e a liberdade nos torna mais humanos.

    “O socialismo só funciona em dois lugares: no céu, onde não precisam dele, e no inferno onde é a regra dos que sofrem”.

    Nancy Iriarte Díaz

    PS – O CURIOSO É QUE A IMPRENSA BRASILEIRA NÃO NOTICIA ISTO!!! JÁ ESTÁ CENSURADA?

  4. Comento
    Começo com uma correção. Não! Os militares não questionaram a autoridade de Amorim — de Dilma Rousseff, então, menos ainda. Ele afirmaram que Amorim não tinha autoridade para obrigar os clubes a retirar um texto de protesto. E não tinha mesmo! A lei 7.524 lhes faculta essa possibilidade. Se as palavras fazem sentido, isso é incontroverso.

    Diz Amorim com aquela falsa pompa que tão bem o caracteriza: “O respeito à autoridade civil é parte da democracia”. Claro que sim! Desde que a autoridade civil não desrespeite a lei, como ele próprio pretende fazer ao punir os militares, que se manifestaram… dentro da lei. Amorim assegura que a Comissão da Verdade respeitará a Lei da Anistia. Ainda bem! Mas não é assim porque ele é bonzinho. É assim porque foi o que o Congresso aprovou (como se vê no post anterior)

    A crise só começou porque Maria do Rosário, uma “autoridade civil”, sugeriu que tanto a Lei da Anistia como a Lei da Comissão da Verdade podem e devem ser desrespeitadas. Quem é, afinal, que está investindo no baguncismo?

    Amorim, segundo entendi, vai deixar as “punições” a critério dos comandos militares. Os comandos militares, por sua vez, deveriam deixar esse assunto de lado e se limitar a seguir o texto legal. Ou podem ser alvos de um tempestade de ações judiciais. Sem contar que os códigos de conduta dos militares prevêem ampla possibilidade de defesa, em processos que podem ser longuíssimos.

    Adesões
    Celso Amorim fazia das suas no Itaamaraty, e as coisas quase nunca tinham conseqüência. Agora é diferente. Há cinco dias, quando decidiu punir os militares, havia apenas 98 signatários do documento — 13 generais. Segundo a última atualização, os números são estes:
    81 generais;
    384 coronéis;
    92 tenentes-coronéis:
    22 majores;
    44 capitães;
    56 tenentes.

    São, pois, 679 militares, além de um desembargador do TJ-RJ e de 392 civis.RA

  5. Yoani, como sempre, nos coloca no cotidiano de Cuba, seus problemas e suas malezas. Habana já começa a sentir os efeitos de uma economia desnivelada por cima. A existência de gente com dinheiro na ilha já faz com que os disparates sejam mais visíveis aos próprios nativos. Até pouco tempo atrás, estes privilegiados estavam mais escondidos. Agora, parece que já estão mais visíveis. É o princípio do fim do socialismo revolucionário. Pode ser que o socialismo corrupto ainda sobreviva mais alguns anos mas está no fim, nos estertores. Morrerá junto com Fidel e Raúl. O que virá depois só o tempo dirá. Não vai ser uma transição fácil, já que a corrupção irá permanecer, como permaneceu aqui, depois da vitória do, até então, incorruptível pt.

    Cubanos irão enfrentar anos, talvez décadas, até terem sua ilha pacificada e desenvolvida. Recuperar mais de 50 anos de desolação não é tarefa fácil…

  6. Faz cinco dias que o espantoso ministro da Defesa petista Celso Amorim mandou os chefes das três armas das Forças Armadas castigarem os militares da reserva que o criticaram num manifesto, junto com as duas esquisitas ministras da mulheres e dos direitos da Dilma. O lulopetismo cocô mole acha que os militares ficaram com medo do Amorim e da começão da verdade.

    Pois bem. Assinaram inicialmente o manifesto 98 militares e 13 oficiais-generais. Amorim ameaçou, e agora temos:

    81 generais;
    384 coronéis;
    92 tenentes-coronéis:
    22 majores;
    44 capitães;
    56 tenentes.

    679 militares
    392 civis.

    Que medo, não? trem azul

  7. Pelo visto, os cubanos dariam a vida para viverem em Guantánamo, se pudessem escolher.
    _______________–

    Trem Azul
    08/03/2012 08:11
    guantânamo meu amor

    Rola na prisão americana de Guantânamo, na ilha de Cuba, uma polêmica sobre regalias aos bandidos terroristas. Construíram um campo de futebol que custou 744 mil dólares para uso dos alma-pura que lá estão presos.

    Dos EUA vieram críticas ácidas, especialmente dos republicanos, criticando o gasto para divertir bandidos que colocam em risco o país, entre outras reclamações. Mas o almirante americano David Woods, responsável pela prisão que é da Marinha americana, diz que não se trata de um mimo aos bandidos, mas mum projeto de reeducação voltado para os de melhor comportamento – como se naquele engradado alguém pudesse ter mal comportamento.

    O Almirante lembrou que a função da prisão é manter os terroristas longe dos campos e das cidades em condições dignas.

    Explicou também o alto custo do campo de futebol como culpa do embargo americano a Cuba, vê se pode. Justificou que os materiais tiveram que ser importados de outros países.

    Mas, polêmicas à parte, o fato é que Guantânamo é a melhor moradia de Cuba, tem água quente, fria, tratada 24 horas por dia, sabonete, papel higiêinco, toalhas de banho, escova e pasta dental, saneamento básico, refeições balanceadas, assistência médica, TV a cabo e internet.

    Não é por outro motivo que há filas de cubanos querendo entrar lá. E agora, apesar das críticas, Guantânamo terá também um campo de futebol assim que chegarem e forem instaladas as duas traves dos gols.

  8. “Sei que tenho batido muito nas mesmas teclas, repetindo sempre as mesmas coisas, mas é como estou vendo as coisas; REPARE:

    a)doaram(não é empréstimo, porque não pagarão de volta) através do BNDES US$1,3 BILHÃO para Cuba;
    b) às vesperas de estourar a greve da PM, o governador da Bahia, “ignorando” os fatos, viaja a Cuba com a presidente;
    c) firmaram acordos com Cuba, e desde o início de fevereiro, uma equipe de “técnicos” cubanos está na Bahia, ajustando detalhes da “cooperação” que farão na alfabetização dos baianos, notadamente nas regiões rurais;
    d) farão “intervenções pedagógicas” durante a alfabetização;
    e) o MEC através do FNDE ja está desembolsando R$25 milhões (só para este ano de 2012) destinado a programas de alfabetização no estado da Bahia;
    f) além da alfabetização, os “técnicos” cubanos também se imiscuirão nos esportes: atletismo, boxe e judô; um tremendo cavalo de Troia.
    g) cortam do Orçamento da Segurança, quase o mesmo valor que enviarão a Cuba;
    h) PT já conseguiu aprovar no RS, a alteração dos critérios de promoções; de objetivos para subjetivos;
    i) estão tentanto a todo custo, amordaçar os militares da reserva;
    j) com a lei 12.485/2011 querem censurar a tv paga que vai nos custar muito mais caro;
    k) as FARC estão saindo da clandestinidade, e tem ligações com o PT;
    l) o site latino Neo Club Press, na última 2ª feira, dia 4, relata que regime de Cuba prepara uma força de choque para intervir na Venezuela, caso Hugo Chávez morra ou seja derrotado pela oposição nas próximas eleições (estaria aí uma das explicações do Item A acima); Há mais tempo, já se sabe que Chavez tem muito pouco tempo de vida, e há quem diga que a presidente almeja substitui-lo como expoente da ditadura Socialista na América do Sul;
    m) criaram e procuram nutrir a todo custa, a base das Bolsas-Miséria um contigente gigantesco de ANALFABETOS FUNCIONAIS, destinados a apenas saber ler e escrever o próprio nome, e elege-los, mantendo-os no poder;

    PEGUNTO:

    – Esses acordos não deveriam ser aprovados em Assembléias, federal e estadual ???
    – os nossos professores continuarão sendo alijados, relegados, humilhados e vilipendiados; e seu piso rebaixado, como quer governador da Bahia ?
    – nossas crianças e pré-adolescentes serão alfabetizadas em ESPANHOL ou em MARXISMO-LENINISMO, ou ambos (que é do que esses “técnicos” entendem) ???
    – nossos técnicos em esportes, a exemplo dos outros professores, também terão igual VIL tratamento ?
    – as FARC, a caminho da legalização, também prestarão cooperação oficial no Brasil ?

    Estes dados isoladamente, poderiam até, não ter muito significado, mas se juntarmos todas as informações, o contexto se configurará mais claro, e preocupante.
    Insisto no meu entendimento de que anda a PASSOS LARGOS a implantação da Ditadura do Proletariado no Brasil !

  9. Agora só falta os cubanos ocuparem os postos de comando no nosso exército. Assim ficaremos empatados com a Venezuela em subserviência ao comaandante castro!

  10. Os métodos mudaram mas os objetivos continuam os mesmos. Do marxismo stalinista para as ideias de Antonio Gramnsci. O estado onipotente dominado pela nomenklatura e os cidadãos amordaçados pela foice e o martelo.

  11. Como se diz no boxe: ?alguém acusou o golpe…? – Jorge Alberto Forrer Garcia

    Acredito que alguns setores das esquerdas brasileiras subestimaram a capacidade dos militares da Reserva de reagirem contra o estado de coisas por que passa o País. Era de se esperar que parte da Intelligentsia nacional fosse, no mínimo, mais inteligente, ou menos parcial. O jornal O Estado de São Paulo, de 6 de março de 2012, faz referência a um manifesto de cineastas brasileiros no qual, entre outras coisas, repudiam as recentes declarações de militares, com destaque para a inquietação de oficiais da reserva, com relação à Comissão da Verdade. Em meio àqueles surrados chavões esquerdistas, o manifesto diz que os diretores de cinema repudiam os ataques “desses setores minoritários das Forças Armadas” que, de forma alguma, poderão obstruir as investigações que deverão ser iniciadas o quanto antes (destaco: o quanto antes…).

    Diz, ainda: “estaremos atentos para que tal comissão seja composta por pessoas comprometidas com a democracia e com a verdade.” Gostaria inicialmente, com a devida vênia, de levar ao conhecimento dos senhores diretores de cinema que nas Forças Armadas não existem “setores minoritários”, embora seja isso o que muita gente queira fazer parecer. O “setor minoritário” a que os senhores fazem referência, nada mais é do que a Reserva militar mobilizável do Brasil. Um dia, os integrantes dessa Reserva estiveram no serviço ativo. E foi nessa época que viveram, presenciaram ou construíram outra parte da verdade que agora, por ser extremamente oportuno, eles querem que seja esclarecida também.

    Os militares que combateram a subversão, a guerrilha e o terrorismo não formavam uma milícia de loucos desgovernados que combatiam de forma acéfala. Eles formavam organizações militares, normalmente de pequeno efetivo, mas legalmente constituídas por leis, atos e diretrizes específicas. Esses militares, hoje na Reserva, não eram um grupo de facínoras. Eles compunham uma força lutando por ordem do Estado contra uma força, completamente irregular, cujas principais armas eram a surpresa e a traição. O que cabia a esses militares era, de uma forma ou de outra, vencer a parte que lhes opunha resistência de armas na mão. O que foi feito. E bem. Guerrilha? Subversão? Terrorismo? Muito mais do que temas para filmes, foram coisas que existiram no “mundo real”. E causaram muitos danos à população brasileira, essa mesma que no seu manifesto os diretores de cinema querem jogar contra os militares da Reserva. Mas isso já é assunto por demais sabido e comentado.

    Talvez seja o caso de lembrar aos senhores diretores de cinema que muitos de seus filmes não teriam enredo se não fosse o papel, ainda que estereotipado, que sempre reservaram para os militares. Iniciamos com um “campeão de bilheteria”: O que é isso companheiro?”. Há como dizer, de sã consciência, que esse filme não retrata as articulações de associações criminosas para o cometimento de um crime? Ou planejar e executar um sequestro, mantendo a vítima em cárcere privado por dias, e, assim, submeter sua família à tortura, não pode ser considerado como um crime? Tomemos “Lamarca. O Capitão da Guerrilha”. Não obstante todo o engajamento ideológico de seu diretor e do ator principal, é possível, à luz da lógica, negar o fato de Lamarca ter sido um traidor, um desertor e um ladrão, e, por isso, ter sido buscado pelos militares Brasil afora?

    Vejamos “Hércules 56”. Por acaso não trata o filme de uma reunião, na vida real, de pessoas que cometeram todos os tipos de crimes como assaltos, mortes e sequestros de pessoas? E que no filme revelam suas verdadeiras ações e intenções da época? O filme não retrata verdadeira reunião festiva para relembrar uma pretérita associação para o crime? Quem sabe… “Batismo de Sangue”? Por mais que se torne os padres adeptos da luta armada em “anjos” e “ mártires”, não há como negar que seu “guia espiritual” era Marighella, líder de organização criminosa e autor de um opúsculo denominado “Mini manual do Guerrilheiro Urbano”. Se observarmos “Araguaia. Conspiração do Silêncio”, o subversivo “Oswaldo” que ali é retratado não parece um semideus descido do Olimpo diretamente para a selva amazônica?

    Só que o diretor esqueceu-se de mostrar os crimes que ele cometeu e levou seu grupo a cometer. Esse senhor chegou a negar aos militares uma trégua para que retirassem do campo de batalha o corpo de um soldado morto por ele. Quando se conseguiu recolher o corpo, pouco restava, senão a parte protegida pelo calçado. Então senhores diretores de cinema do Brasil, não seria a Comissão da Verdade uma excelente oportunidade para, como num filme, estabelecer-se quem deu o primeiro tiro? Quem detonou a primeira bomba? Quem fez as primeiras vítimas? Quem assaltou bancos, carros-fortes e trens? Quem matou e aleijou pessoas inocentes, algumas delas mortas com extrema violência, tomando-as como simples efeitos colaterais? O que foi feito dos milhões roubados? Como se negociaram as armas que Lamarca roubou? Por que treinar em Cuba, Coreia do Norte e noutros países que se destacam por suas “democracias”? Tudo isso daria bons filmes.

    Caso os diretores de cinema, como dizem no seu manifesto, estivessem cuidando da memória nacional, como poderiam não ser a favor de uma comissão da verdade que ouvisse ambos os lados? Para o bem da cinematografia nacional, seria bom, e a sociedade agradeceria, se os senhores ajudassem a mostrar o outro lado. Seriam mais filmes…embora, devo admitir, o patrocínio viria a ser mais difícil. É bem como disse no manifesto a Sra. Lúcia Murat: “Se a gente, a sociedade civil, que é maioria, não defender nosso direito de conhecer a história do Brasil, quem vai?”

    Caso a senhora me permita, posso indicar-lhe uma resposta: por incrível que pareça, serão os militares da Reserva e um significativo número de civis, que concordam com aqueles, que lhes ajudarão. Pois, ao que parece, são os únicos a quererem ver a História do Brasil completamente contada.

    Jorge Alberto Forrer Garcia Coronel Reformado Curitiba/PR PS: essa é a minha opinião e ninguém está obrigado a concordar comigo.

  12. Ditadura militar? Paulo Martins

    GAZETA DO PARANA

    Está aí uma ditadura pior do que aquela que hoje insistem em apelidar de ‘ditadura militar’. Como nos dias de hoje, naquele período fui também um crítico. Não lembro de ter sido perseguido, como insistem em afirmar que era o hábito da época aqueles que, por falta de argumento para uma retórica razoável, apelam sem disfarces para o desvirtuado e corrosivo ‘ouvi dizer’.

    Que ditadura era aquela que me permitia votar ? Que nunca me proibiu de tomar uma cervejinha num desses bares da vida após as vinte e três horas ? Ou num restaurante de beira de estrada ?

    Que ditadura era aquela que (eu não fumo) nunca proibiu quem quer que seja de fumar ? Que ditadura era aquela que nunca usou cartão corporativo para as primeiras damas colocarem até botox no rosto ou para outros roubarem milhões de reais do povo brasileiro ?

    Vi, sim, perseguições, porém contra elementos de alta periculosidade à época, como o eram os Zés Dirceus, Zé Genoino, Dilma Roussef – a Estela – Marco Aurélio Garcia, Diógenes, o assassino do Capitão Schandler, como os que colocaram bombas em lugares públicos, como aquela no aeroporto de Guararapes, cujo resultado foi a morte de gente inocente, ações de subversivos que desejavam implantar no Brasil um regime comunista, e para tal seguiam planos de formar nas selvas o que hoje, na Colômbia, chamam de FARCs.

    Que ditadura era aquela que permitia que a oposição combatesse o governo, como ocorria com deputados como Ulisses Guimarães, apenas para se citar um nome?
    Que ditadura era aquela que jamais sequer pensou em proibir a população de usar armas para se defender, como hoje criminosamente pretendem ?

    Que ditadura era aquela que em nome da democracia, jamais admitiu invasão de propriedades e jamais sustentou bandidos com cestas básicas em acampamentos e jamais impediu a policia de agir, como a ditadura de hoje ?

    Que ditadura engraçada aquela que chegou a criar até partido de oposição! Curiosa essa democracia de agora, em comparação ao que chamam de ‘ditadura militar’, ‘democracia que permite que ladrões do dinheiro público continuem ocupando cadeiras no parlamento e cargos no governo e tolera até mesmo um presidente alegar que ‘não sabia’, para fugir de sua responsabilidade para com a causa pública.

    Que ditadura militar era aquela que jamais deu dinheiro de mão beijada para governantes comunistas, amigos de presidente, como ocorre com a ditadura de hoje e, contra a qual não nos permitem sequer contestação ?

    Que ditadura era aquela que jamais proibiu a revelação das fuças de bandidos em foto e TV como ocorre na ‘democracia’ de hoje, numa gritante e vergonhosa proteção do meliante, agressor da sociedade ? Escuta telefônica, eis mais uma ação da ‘democracia’ de hoje e proibida à época ‘daquela ditadura militar’.

    Ah…é verdade…Aquela ditadura proibia casamento de homem com homem, sexo explícito na TV alcançando crianças, proibia a pouca vergonha e não dava folga para corruptos que eram cassados quando prevaricavam, sem permitir que a sociedade fosse punida com a permanência no palco da corrupção dos delinqüentes, que hoje fazem CPIs para tapearam a sociedade e se escalam às mesmas como raposas cuidando do galinheiro.

    Caetano Veloso está quieto em relação a essa ditadura que hoje aí está. Apostasia de ‘seu ideal’? À época lançou a música ‘É proibido proibir’. Hoje se cala. O que ajudou a promover, junto com Chico Buarque, Gilberto Gil e outros, está no poder. Que pelo menos altere o nome da música para os dias de hoje para: ‘É permitido proibir’. E que vá se catar

  13. A História Soviética – Trata-se de um documentário lançado em 2008 sobre o comunismo na União Soviética e as relações germano-soviéticas antes de 1941. O trabalho foi produzido por Edvins Snore, patrocinado pela União Européia das Nações – Parlamento Europeu, que passou 10 anos coletando informações e dois anos filmando em vários países. Apresenta entrevistas com historiadores ocidentais e russos, como Norman Davies e Boris Sokolov, o escritor russo Viktor Suvorov, o dissidente soviético Vladimir Bukovsky, membros do Parlamento Europeu, além de vítimas do terror soviético. O documentário argumenta que houve estreita conexão filosófica, política e de organização entre os regimes nazista e soviético, antes e durante as primeiras fases da II Guerra Mundial. Destaca o Grande Expurgo, o Genocídio do Holodomor, o Massacre de Katyn, a colaboração emtre a polícia secreta soviética (NKVD) e a Gestapo nazista, as deportações em massa na União Soviética e as experiências médicas nos Gulags (campos de trabalhos forçados para dissidentes do regime político soviético).

  14. O estuprador de sigilo que virou traficante de influência entra em ação disfarçado de ‘tesoureiro informal’ de Fernando Haddad

    Em março de 2006, o Brasil espantou-se com a revelação: Antonio Palocci fora o mandante da violação da conta do caseiro Francenildo Costa na Caixa Econômica Federal. Ao saber que o ministro da Fazenda também exercia o ofício de estuprador de sigilo bancário, o presidente Lula confirmou que ignora a diferença entre currículo e prontuário. Primeiro, tentou inocentar o culpado. Atropelado pelas evidências, fez o possível para mantê-lo no cargo. Obrigado pelas circunstâncias a devolver à planície o pecador pilhado em flagrante, lamentou a perda do “melhor ministro da Fazenda que o Brasil já teve”.

    Em maio de 2011, o Brasil espantou-se com outra revelação: Antonio Palocci, instalado por ordem de Lula no primeiro escalão de Dilma Rousseff, era um reincidente sem cura. Ao saber que o chefe da Casa Civil do governo da afilhada deixara o ramo do estupro de sigilo para fazer como traficante de influência disfarçado de “consultor financeiro”, o ex-presidente revelou que, se o PCC fosse um partido, estaria na base alugada. Primeiro, determinou a Dilma que varresse o lixo para baixo do tapete. Em seguida, baixou em Brasília para comandar pessoalmente a batalha pela permanência de Palocci no empregão ─ e em liberdade. Perdeu mais uma.

    Nesta quarta-feira, o Brasil espantou-se com a descoberta de que o risonho inimigo do Código Penal voltou à ação, agora como “tesoureiro informal” da campanha de Fernando Haddad, candidato do PT à prefeitura de São Paulo. Desta vez, Lula nem pôde fingir que não sabia: de novo, foi ele quem recolocou em cena o bandido de estimação. A decisão nasceu numa conversa no Hospital Sírio-Libanês. Haddad engoliu o prato feito com a resignação de quem não tem direito a examinar cardápios.

    Vale a pena seguir Palocci quando o tesoureiro começar a seguir o dinheiro. A primeira rodada de visitas certamente contemplará os clientes que o consultor de araque se negou a identificar. O país que presta gostará de saber quem são. Ficarão para a segunda etapa os possíveis novos parceiros. Convém anotar-lhes os nomes e endereços. Quando vier o próximo escândalo, eles estarão no elenco de mais um caso de polícia protagonizado por Antonio Palocci. Patrocinado, como sempre, pelo onipresente Lula.

    Do Blog Augusto Nunes

  15. Thursday, March 08, 2012O enigma de Verissimo
    Rodrigo Constantino

    Quando você lê com certa frequência as colunas do Verissimo, como eu faço (provavelmente por causa do meu lado masoquista), você começa a compreender melhor como o simpático colunista faz para passar suas mensagens pelas entrelinhas. As mensagens, invariavelmente, levam ao mesmo lugar: a defesa do socialismo. A forma é dissimulada, envergonhada muitas vezes. Mas o destino é sempre este. É o nosso Toohey tupiniquim, para quem leu “A Nascente”, de Ayn Rand (para quem ainda não leu, está esperando o que?).

    No artigo de hoje, “O enigma”, Verissimo tenta culpar o anacronismo russo pela desgraça soviética, livrando assim a cara do comunismo/socialismo. Eis o que ele escreve:

    “A própria experiência comunista só enfatizou o enigma. Grande parte da armação teórica da revolução partiu da ‘intelligentsia’ russa, mas não havia lugar mais improvável para uma revolução proletária do que a Rússia, com sua tradição de servos hereditários e submissos e seu feudalismo medieval. O próprio Marx levou um susto. Um dos problemas do Ocidente na sua relação com a União Soviética durante a Guerra Fria era nunca saber se estava tratando com o comunismo soviético ou com o anacronismo russo, passional e imprevisível.”

    Perceberam a malandragem? A experiência comunista não veio dos proletários (em lugar algum veio), e o lugar era inapropriado para tal revolução. POR ISSO é que deu errado, ora bolas! Não vem ao caso lembrar que o comunismo deu errado em Cuba, na Coréia do Norte, na China, na Iugoslávia, na Polônia, e onde mais tenha sido imposto pela “intelligentsia” (da qual, por sinal, o próprio Verissimo é um ícone perfeito).

    Também não vem ao caso que, segundo Verissimo, o próprio Marx levou um susto com o experimento russo, sendo que Lênin tomou o poder pela força em 1917, enquanto Marx morreu em 1883. Como exatamente Marx fez para levar um susto com um evento que ocorreu 34 anos após sua morte permanece um mistério.

    Talvez ESSE seja o enigma do artigo! Até porque, convenhamos, no restante não há enigma algum. O comunismo, inexoravelmente, leva ao caos, miséria e escravidão. Na Rússia ou em qualquer outro lugar, feudalista ou não, anacrônico ou não. Verissimo pode ignorar o fato o quanto ele quiser, mas o fato não muda: o problema é o comunismo em si, este modelo nefasto que deixou um rastro de 100 milhões de mortes na história.

    Mas isso não é tudo! Verissimo, depois, tenta ridicularizar Reagan, como fazia a “intelligentsia” mundial na época, por chamar a coisa pelo seu nome, com os devidos pingos nos is. Ele escreve:

    “O ‘Império do Mal’, nas palavras do Ronald Reagan, seria do mal mesmo sem o comunismo. De tais simplificações era feita a política externa americana.”

    Viram só? Reagan era “simplista” por chamar um “Império do Mal”, que escravizou o povo todo, matou milhões, ameaçou a paz mundial, exportou o caos e levou todos à miséria, de “Império do Mal”. Eu digo que Reagan era apenas objetivo, e disse uma verdade autoevidente. Isso costuma chocar os comunas mesmo. E novamente, Verissimo tenta jogar a culpa da desgraça soviética nos russos, e não no modelo. Seria o mal “mesmo sem o comunismo”.

    Calma que não acabou! Verissimo escreve ainda:

    “Quando o comunismo caiu, a Rússia adotou o capitalismo selvagem sem nem um período de adaptação. Talvez seja mesmo um caso de caráter nacional.”

    Verissimo solta no ar a transição para o “capitalismo selvagem”, colocando o capitalismo no mesmo saco podre do comunismo, e concluindo que deve ser um problema do “caráter nacional” do país. Entenderam como a estratégia dele funciona?

    Haja Engov para aturar Verissimo!

    PS: Neste meu artigo de 2005, para o IL, mostro como Putin já derrubava os pilares frágeis do capitalismo no país, resgatando o modelo soviético.
    Posted by Rodrigo Constantino

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