O outro Papa

Imagen tomada de radiomambi710.univision.com/

Faltam semanas para que o Papa Joseph Ratzinger chegue a Cuba, contudo já se respira algum incenso a distância. Num país onde muitos dos que rezam de dia nas Igrejas acendem velas a noite para uma deidade africana, a visita de sua Santidade desperta entusiasmo, mas também curiosidade. Os católicos preparam suas liturgias e suas pompas para receber Benedito XVI, enquanto outros tanto se perguntam se a sua chegada trará alguma transformação significativa na situação política ou social da nação. As pessoas querem acreditar que o Santo Padre virá impulsionar o processo de reformas raulistas, imprimindo-lhes maior velocidade e profundidade. Os mais iludidos até sonham com que a figura maior do Vaticano consiga o que deveria ser conseguido pela rebeldia popular: uma mudança verdadeira.

Há muitas diferenças entre este mês de março no qual sua Santidade aterrizará no aeroporto de Havana e aquele janeiro de 1998 quando João Paulo II o fez. O que foi conhecido como o “Papa viajante” veio precedido pelas histórias que o relacionavam com a queda dos regimes da Europa do Leste. Ratzinger, por seu lado, chegará num momento em que já há toda uma geração de cubanos que nasceu após o Muro de Berlim e que nem sequer sabe o que significa a sigla URSS. No final dos anos noventa, Karol Wojtyla acendeu nossos corações – inclusive dos agnósticos como eu – dizendo a palavra “liberdade” mais de uma dezena de vezes na Praça da Revolução. Porém agora a apatia e o desânimo tornarão mais difícil a mobilização da mesma emoção pelas frases de Ratzinger. Sua visita será mais um pálido reflexo daquela outra, porque já não somos os mesmos nem o Papa é o mesmo.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto

Anúncios

17 thoughts on “O outro Papa

  1. Um sonho que acabou
    FERREIRA GULLAR, FOLHA DE SP

    É com enorme dificuldade que abordo este assunto: mais uma vez -a 19ª- o governo cubano nega permissão a que Yoani Sánchez saia do país. A dificuldade advém da relação afetiva e ideológica que me prende à Revolução Cubana, desde sua origem em 1959.

    Para todos nós, então jovens e idealistas, convencidos de que o marxismo era o caminho para a sociedade fraterna e justa, a Revolução Cubana dava início a uma grande transformação social da América Latina. Essa certeza incendiava nossa imaginação e nos impelia ao trabalho revolucionário.

    Nos primeiros dias de novo regime, muitos foram fuzilados no célebre “paredón”, em Havana. Não nos perguntamos se eram inocentes, se haviam sido submetidos a um processo justo, com direito de defesa. Para nós, a justiça revolucionária não podia ser questionada: se os condenara, eles eram culpados.

    E nossas certezas ganharam ainda maior consistência, em face das medidas que favoreciam aos mais pobres, dando-lhes enfim o direito a estudar, a se alimentar e a ter atendimento médico de qualidade. É verdade que muitos haviam fugido para Miami, mas era certamente gente reacionária, em geral cheia da grana, que não gozaria mais dos mesmos privilégios na nova Cuba revolucionária.

    Sabíamos todos que, além do açúcar e do tabaco, o país não dispunha de muitos outros recursos para construir uma sociedade em que todos tivessem suas necessidades plenamente atendidas. Mas ali estava a União Soviética para ajudá-lo e isso nos parecia mais que natural, mesmo quando pôs na ilha foguetes capazes de portar bombas atômicas e jogá-las sobre Washington e Nova York. A crise provocada por esses foguetes pôs o mundo à beira de uma catástrofe nuclear.

    Mas nós culpávamos os norte-americanos, porque eles encarnavam o Mal, e os soviéticos, o Bem. Só me dei conta de que havia algo de errado em tudo isso quando visitei Cuba, muitos anos depois, e levei um susto: Havana me pareceu decadente, com gente malvestida, ônibus e automóveis obsoletos.

    Comentei isso com um companheiro que me respondeu, quase irritado: “O importante é que aqui ninguém passa fome e o índice de analfabetismo é zero”. Claro, concordei eu, muito embora aquela imagem de país decadente não me saísse da cabeça.

    Impressão semelhante -ainda que em menor grau- causaram-me alguns aspectos da vida soviética, durante o tempo que morei em Moscou. O alto progresso tecnológico militar contrastava com a má qualidade dos objetos de uso. O que importava era derrotar o capitalismo e não o bem-estar e o conforto das pessoas. Mas os dirigentes do partido usavam objetos importados e viam os filmes ocidentais a que o povo não tinha acesso.

    Se a situação econômica de Cuba era precária, mesmo quando contava com a ajuda da URSS, muito pior ficou depois que o socialismo real desmoronou. É isso que explica as mudanças determinadas agora por Raúl Castro.

    Mas, antes delas, já o regime permitira a entrada de capital norte-americano para construir hotéis, que hoje hospedam turistas ianques, outrora acusados de transformar o país num bordel. Agora, o governo estimula o surgimento de empresas capitalistas, como o faz a China. Está certo desde que permita preservar o que foi conquistado, já que a alternativa é o colapso econômico.

    Tudo isso está à mostra para todo mundo ver, exceto alguns poucos sectários que se negam a admitir ter sido o comunismo um sonho que acabou. Mas há também os que se negam a admiti-lo por impostura ou conveniência política.

    Do contrário, como entender a atitude da presidente Dilma Rousseff que, em recente visita a Cuba, forçada a pronunciar-se sobre a violação dos direitos humanos, preferiu criticar a manutenção pelos americanos de prisioneiros na base aérea de Guantánamo, o que me fez lembrar o seguinte: um norte-americano, em visita ao metrô de Moscou, que, segundo os soviéticos, não atrasava nunca nem um segundo sequer, observou que o trem estava atrasado mais de três minutos. O guia retrucou: “E vocês, que perseguem os negros!”.

    A verdade é que nem eu nem a Dilma nem nenhum defensor do regime cubano desejaria viver num país de onde não se pode sair sem a permissão do governo.

  2. .
    É uma fase de avaliação dos resultados da revolução cubana, mas que parece ser mais uma revolução feita pelo Fidel Castro.
    Vendo os filmes do Youtube pude ver que muita gente ajudou ou colaborou na revolução.
    Mas com o passar do tempo, tudo passou a ser comandado por Fidel.
    .
    A época de se maravilhar com a morte dos burgueses já passou a muito tempo.
    Hoje em dia o comunismo mudou e os burgueses já não são mais considerados os culpados de todos os problemas de um país.
    A classe operária não cresceu tanto a ponto de fazer sucumbir a burguesia.
    As greves do ABC que se iniciaram na época do Figueiredo não foram suficientes para iniciar uma revolução socialista.
    Naturalmente a medida que a sociedade cresceu, a burguesia como exigem chama-la, ela se sedimentou.
    .
    A primeira visita papal parecia que iria render mais.
    Esta segunda visita não deve mudar muita coisa, pois deverá ser bem aproveitado pela ditadura, a menos que o papal seja mais enérgico.
    Será que o Papa vai visitar Fidel em sua casa ?

  3. interessante o texto do anton!

    Algumas profecias dizem que realmente vai haver um despertar do homem e todos vão trabalhar para todos.Assim como acontece numa colmeia de abelhas. Na realidade a colmeia é um organismo só, nós que vemos as partes separadas. Pensamos que cada uma das partes são indivíduos distintos, onde a abelha rainha faz uma parte, os zangões outra e as operárias outra. Na realidade a colmeia é um só organismo, assim como Deus é um só e cada uma das criaturas são parte integrante de DEUS. Não podemos destruir ninguém sem dar um tiro no próprio pé! Se as operárias destruíssem os zangões, todas seriam extintas…. Somos DEUS e nos esquecemos disso.

    .

    .Vai chegar o dia em que cada homem vai reconhecer, no outro, uma parte de sí mesmo! Somos um só organismo! Nunca seremos felizes se houver alguma parte de DEUS, que é o TODO, sofrendo. Somente no dia que nos organizarmos para trabalhar para eliminar a dor e sofrimento de todos seres humanos, animais, vegetais e de todas outras criaturas do mundo vivente, além é claro, de despoluir todo o planeta e reconstruir todas as florestas e destruições que infantilmente ocasionamos. Nesse dia seremos realmente SERES HUMANOS UNOS COM DEUS!

  4. Um elefante vê uma cobra pela primeira vez. Muito intrigado pergunta:
    – Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!…
    – É muito simples – responde a cobra – rastejo, o que me permite avançar.
    – Ah… E como é que fazes para te reproduzires? Não tens culhões!…
    – É muito simples – responde a cobra já irritada – ponho ovos.
    – Ah… E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!…
    – Não preciso! Abro a boca assim, bem aberta, e com a minha enorme garganta engulo a minha presa diretamente.
    – Ah… Ok! Ok! Então, resumindo…. Rastejas, não tens culhões e só tens garganta… És Deputado do PT?

  5. FALÁCIA DE QUE “OUTRO MUNDO É POSSÍVEL” PÔS A EUROPA EM CRISE. OU SEJA: QUANTO MAIS ESTADO MAIS MISÉRIA E SOFRIMENTO.

    Vídeo no blog de Aluizio Amorim.

    O Rodrigo Constantino acabou de postar um vídeo que está muito bom. De forma simples e direta, sem academicismos, vai ao ponto demonstrando de forma cabal que o bom e velho capitalismo continua e continuará a ser o único remédio contra a miséria.

    Por outro lado, desmonta a falácia apregoada pelo movimento comunista de que “outro mundo é possível”, observando acertadamente que o flagelo da crise européia reside exatamente no fato de que o estado de bem-estar social, a pedra de toque da social-democracia, foi o responsável direto pelo sequestro do futuro de milhares de jovens que tentam romper a muralha que os separa do mercado de trabalho.

    Na verdade, essa muralha que impede que os jovens alcancem o horizonte, foi erguida a custa de Estados europeus que abocanham 50% do que é produzido pela força de trabalho dos cidadãos.

    Constantino alude ao fato de que os arautos do comunismo que não deu certo em nenhum lugar do mundo suavizam o discurso e falam na criação de uma “face humana” do capitalismo onde não haveria a ganância. Ora, sem a ganância ninguém sequer sonharia em empreender. Por paradoxal que possa parecer, sonhadores gananciosos acabaram construindo impérios que mitigam o sofrimento e a miséria das pessoas. Ao abrirem fantásticas corporações privadas os gananciosos criaram oportunidades de empregos para milhares de pessoas ao redor do planeta.
    Conclusão: quanto menos Estado mais liberdade e crescimento econômico. Uma lição do bom e velho liberalismo. O contrário se vê nos países comunistas como Cuba, Coréia do Norte e agora na Venezuela, embora este país possua uma montanha de petrodólares.

    Postado por Aluizio Amorim às 2/12/2012

  6. “A implosão da mentira”

    “Mentiram-me. Mentiram-me ontem e hoje mentem novamente. Mentem de corpo e alma, completamente. E mentem de maneira tão pungente que acho que mentem sinceramente. Mentem, sobretudo, impunemente. Não mentem tristes. Alegremente mentem. Mentem tão nacionalmente que acham que mentindo história afora vão enganar a morte(o povo) eternamente”.

    de Affonso Romano de Sant’Anna,

    Recordando o poema de Affonso Romano de Sant’Anna, que para mim e a CARA do Governo Lulla/Dilma, e todo o PT. Alias o nome do poema deveria ser “Governo Lulla/Dilma”
    Nota: (o povo) por minha conta.

  7. “Monja tibetana morre após atear fogo ao próprio corpo em protesto na China”
    .
    Jovem de 19 anos é a 22ª a se imolar; tibetanos reclamam de repressão do governo de Pequim.
    .
    Efe
    PEQUIM – Uma monja tibetana de 19 anos morreu ao atear fogo contra o próprio corpo na província de Sichuan, no sudoeste da China, informou nesta segunda-feira, 13, a agência oficial Xinhua. Com o caso, chega a 20 o número de religiosos que se imolaram e morreram para protestar pela repressão do governo de Pequim contra os e pedir o retorno do líder espiritual dalai-lama.
    Tenzin Choedron morreu no sábado à noite enquanto era transferida a um hospital pela polícia local, segundo a fonte. Segundo a ONG Free Tibet, 22 religiosos tibetanos se imolaram desde março de 2011 em protesto pela repressão vivida por sua etnia e como uma maneira de reivindicar o retorno de seu líder espiritual, exilado na Índia desde 1959.

    Estas imolações motivaram um aumento da vigilância da região pelas autoridades chinesas, que ordenaram que a partir de março todas as pessoas que queiram entrar no Tibete devem mostrar sua identificação.

    As autoridades em Sichuan culpam os tibetanos separatistas de fomentar “o ódio entre os locais”, como aconteceu em 2008, nas revoltas que causaram 20 mortos na capital tibetana, Lhasa, embora segundo os tibetanos no exílio os mortos tenham sido mais de 200.

    “As forças estrangeiras que promovem a independência do Tibete sempre inventaram rumores e distorceram a realidade para desacreditar o governo chinês”, assinalou o porta-voz da chancelaria chinesa Hong Lei no final de janeiro.

    Que Deus proteja os imolados do Tibete e os grevistas de fome de Cuba !

  8. Semelhanças entre a tese de defesa de lindemberg e a defesa dos princípios dos ditadores comunistas: Sempre haverá duas versões; desqualificação das vítimas, culpabilidade da vítima; maquiagem do assassino, ele é ingênuo e bom moço; exigência de direitos humanos para humanos desumanos; a culpa é da vítima que morre de fome em cuba ou da Eloá com tiro na cabeça;os fins justificam os meios, mentir, falsear, enganar, iludir os incautos na defesa de teses que ferem de morte os princípios humanitários; As esperanças residem nas palavras de Dante Alighieri em A Divina Comédia ” quem usar as palavras para enganar o povo, arderá nas chamas do inferno”. Lulla, chavez…

  9. Bom dia!

    Pela primeira vez visito um BLOG em que os comentários são POSTS – achei curioso…
    Poucos leram o assunto e comentaram…

    Aos Brasileiros que passaram por aqui e passarão, teremos também a visita do Papa, e… li ou ouvi em algum canto da Mídia que o Governo ajudará financeiramente a chegada do Papa, mas como Yoani, não vejo a mesma espectativa, nem a mesma Luz que João Paulo II nos passava em sua presença nos Países que visitava…

    Os Sistemas Políticos e Econômicos faliram, agora é hora de sentarem TODOS e descobrirem como as crianças da África devem sobreviver, como acabar com a AIDS, Câncer, Analfabetismo, Crimes Organizados… tem tanta coisa importante acontecendo… e com Cuba, será o mesmo que com ous outros Ditadores: quando não houver a Ditadura, o pessoal vai ficar meio perdido, às custas de um Governo provisório…

    Boa Sorte para a Paz Mundial!!!

    Boa Sorte Yoani com seus POSTS!!!

    FLYRoBrasileira

  10. FLYRoBrasileira
    Febrero 14th, 2012 at 07:38

    Bom dia!

    Pela primeira vez visito um BLOG em que os comentários são POSTS – achei curioso…
    Poucos leram o assunto e comentaram…
    JÁ CHEGOU E QUER A JANELINHA, HEHEHEHEHE
    …Os Sistemas Políticos e Econômicos faliram, agora é hora de sentarem TODOS e descobrirem como as crianças da África devem sobreviver, como acabar com a AIDS, Câncer, Analfabetismo, Crimes Organizados… tem tanta coisa importante acontecendo… e com Cuba, será o mesmo que com ous outros Ditadores: quando não houver a Ditadura, o pessoal vai ficar meio perdido, às custas de um Governo provisório…
    OUTRA ADORADORA DO OUTRO MUNDO POSSÍVEL QUE GEROU O FILHO DA PUTA DO FIDEL.

  11. 14/02 – 7:38 -O que interessa no blog é o combate à ditadura cubana e, por extensão, a todas as ditaduras. Os posts transcritos de alguma forma têm a ver com o combate ao socialismo/comunismo. Por exemplo, os posts que mostram a corrupção petista no governo brasileiro. Tal como no governo petista no Brasil, o que impera em Cuba é a corrupção dos Castro e seus cúmplices. Para quem vem acompanhando o blog há anos, tudo se encaixa. Quanto a dizer que os comentaristas não lêem os posts, é uma afirmação tola, de quem não sabe o que está dizendo. O texto do comentário bem revela a ideologia de quem o escreveu, por mais que tente disfarçar. É mais uma que acredita “no outro mundo melhor possível”, como se os seres humanos fossem anjos. As tentativas para esse “outro mundo melhor possível” resultaram nos maiores crimes cometidos contra a humanidade. A História mostra — só precisa estudar.

  12. Um artigo digno de todos os elogios de uma professora da USP. Ao contrário da maior parte de seus colegas da área de humanidades, ela não relativiza os direitos humanos — que não são respeitados em Cuba, assim como não respeitados em ditaduras de direita. Ditadura, qualquer que seja o viés ideológico, não merece respeito de ninguém, ao contrário do que os admiradores dos Castro e de Hugo Chávez (Venezuela) querem fazer crer. E o pior é que essa gente catequisa nossos jovens nas escolas e universidades.(mfgomes:14/02/2012)
    ___________

    Janaina Conceição Paschoal

    Folha de São Paulo, 14 de fevereiro de 2012.

    Cuba é uma grande Guantánamo

    A tolerância do Itamaraty com a falta de direitos humanos em Cuba é totalmente coerente com a história do PT e tem amplo apoio nas universidades
    No último dia 28, um editorial desta Folha (“Dilma em Cuba”) mostrou que a presidente da República estava perdendo uma grande oportunidade de se manifestar sobre o desrespeito aos direitos fundamentais em Cuba.

    No dia 29, Julia Sweig, especialista em Cuba, publicou um texto (“Na ilha, não é o blog de Yoani Sánchez que merece atenção”) ressaltando que os benefícios da visita da presidente seriam mais efetivos do que as críticas feitas por dissidentes ao regime, citando expressamente a blogueira Yoani Sánchez. Ela, na opinião de Sweig, não faz uma oposição leal e nacionalista.

    O debate sobre qual haveria de ser a agenda durante a visita a Cuba ficou mais acirrado após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, no sentido de que não haveria problemas com direitos humanos na ilha.

    A afirmação do ministro foi equivocada. No entanto, ela é totalmente coerente com a história do Partido dos Trabalhadores e com as teorias desposadas pelos intelectuais que lhe dão suporte, muitos dos quais responsáveis pela educação de nossos jovens, no ensino médio e nas universidades.

    Vigora entre os educadores e intelectuais brasileiros uma correta e justificável ojeriza às ditaduras de direita. Infelizmente, o mesmo vigor não é encontrado quando se trata de ditaduras de esquerda.

    As notícias de perseguições, prisões, greves de fome, fuzilamentos e fugas envolvendo opositores às duras ditaduras esquerdistas são ignoradas. Quando fica impossível deixar de falar a respeito, são comuns alegações de que há exagero da imprensa ou, pior, sugestões de que os dissidentes são egoístas que, em nome do individualismo, ameaçam um regime que deveria servir de exemplo.

    São as velhas táticas de questionar a liberdade de imprensa quando as notícias são desfavoráveis e de desmerecer o opositor, em vez de enfrentar as opiniões contrárias com argumentos.

    Nesse cenário, defende-se a coerência de acolher pessoas condenadas por crimes, desde que estejam alinhadas com o esquerdismo, e expulsar jovens que procuram uma vida diferente.

    O respeito aos direitos fundamentais passa a ser uma bandeira que depende de que são os titulares desses direitos -e de quem são os dirigentes contra quem esses direitos se opõem.

    O movimento que a nossa presidente fez com relação ao Irã conferiu certa esperança àqueles que realmente são contrários às ditaduras e ao totalitarismo, independentemente do regime e da causa defendida pelo dissidente. Erramos nós ao nutrir tal sentimento.

    É evidente que Cuba tem sérios problemas com direitos humanos, mas esses problemas não afligem o governo ou a maior parte da intelectualidade brasileira, que ainda reverencia Fidel, Raul e Hugo Chavez, tratados como revolucionários.

    Não sou especialista em Cuba, mas não pode ser bom um lugar onde as pessoas precisam de autorização para se ausentar. E, frise-se, nem sempre conseguem, como mostra a própria Yoani Sánchez, que já tentou diversas vezes, sem sucesso.

    Já é hora de pretensos defensores da democracia assumirem que, na verdade, são contrários a algumas ditaduras e que desconhecem o real significado dos direitos humanos, que não podem ser relativizados.

    Mas a exigência de tal transparência costuma ser estigmatizada como reacionária. Nas universidades brasileiras, constitui verdadeira heresia ousar dizer que Cuba não é melhor que Guantánamo.

    JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, 37, é advogada e professora de direito penal na Faculdade de Direito da USP.

  13. O PAPA VAI A CUBA

    O papa vai a Cuba e quer encontrar o ditador Fidel Castro, disse uma autoridade do Vaticano. Vá lá, a viagem à pobre ditadura tem como objetivo a comemoração de 400 anos da Virgem da Caridade, ícone religioso mais famoso de Cuba.

    Mas encontrar o ditador? Que ainda faz doce, pois seu nome não consta no cerimonial, figurando apenas o irmão ditador-reserva Raúl Castro, o fiadaputa que aí na foto (VER NO BLOG) está amarrando um cidadão que será fuzilado em seguida, nos matos da revolución comunista.

    O papa vai ao México e depois a Cuba, dia 26 de março em Santiago e dia 27 em Havana onde manterá conversa privada com o ditador, “se sua saúde permitir”. Fidel podia aproveitar para receber do sumo pontífice o sacramento da Unção aos Enfermos, pelo menos.
    TREM AZUL – 18/02/2012

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s