A quadratura do círculo

cerveza

Um amigo me fez notar os estranhos pontos coloridos que têm as latas de refrigerantes e cervejas, vendidas nas cafeterias e restaurantes. Aproximei-me para comprovar e estava certo. Desenhada com uma fina pluma, a marca é vermelha em algumas, azul ou verde em outras. Averiguei por todas as partes, até nos vasilhames já vazios ou semi-esmagados que são levados para um centro de matéria prima e o “curioso” selo é repetido em boa parte deles. Seus contornos não têm a precisão conseguida por uma máquina rotuladora, mas sim o traço vacilante da mão que está fazendo algo proibido.

Pois bem, mesmo que pareça simples, por trás desse ponto colorido está uma lucrativa rede que utiliza os espaços estatais para vender mercadoria privada. Os empregados de restaurantes compram as bebidas enlatadas nas lojas em pesos conversíveis e depois as oferecem – no seu local de trabalho – obtendo um ganho entre 10 a 50% encima do preço inicial. Durante sua jornada de trabalho priorizam a comercialização dos seus “próprios” produtos, enquanto relegam os de origem estatal. No fim do dia, com o total dos centavos ganhos em cada venda, têm dividendos mais estimulantes do que o salário simbólico recebido em moeda nacional.

De maneira que os pontos assinalam a quem pertence a bebida que foi vendida. As do administrador do local podem estar assinaladas em vermelho, a camareira marca em azul e o cozinheiro provavelmente decidiu optar por um ponto alaranjado. Todos conseguem uma parte, se não que sentido teria levantar cedo, pegar um ônibus repleto e trabalhar oito horas para receber somente o equivalente a 20 USD no fim do mes. As fábricas clandestinas também fazem cervejas Bucanero e Cristal com a mesma aparência das originais e apenas bebedores experimentados notam a diferença. Estas indústrias da imitação se localizam em aparentes casas de família, em cujas residências um artefato envazador estala cada vez que coloca uma tampa. São produtos que irão desalojar os feitos pelo Estado, farão a mais desleal das concorrências a este Grande Patrão e além disso trapacearão uma boa parte dos clientes. Um labirinto mesclado de falsificações e revendas que sabota a centralização disfuncional e desvia os ganhos para milhares de bolsos privados.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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