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Hoje completo o dobro de anos que tinha em 1993, quando comecei a tomar conta de mim mesma e decidi sair de casa. Renunciei a proteção, a comida quente – ou melhor ao cheiro de comida, porque era o pior momento do Período Especial – , ao mínimo sustento econômico que meus pais podiam me proporcionar e ao escudo que eles formavam entre a dureza da rua e minhas ilusões adolescentes. Carreguei uma gaiola de passarinhos, um montão de livros e com minha única muda de roupa lancei-me sem rede em busca dessa independência que ainda hoje me obssessiona.

Neste 4 de setembro terei passado já a metade da vida sendo responsável pelas minhas ações. Neste período, aprendi a valorizar a autonomia, a desconfiar dos subsídios e de todas essas “dádivas” que constantemente jogam na cara de nós, cidadãos. Desfrutei e padeci o ter que responder pelo que fazia e não poder proteger-me na frase “eu não sei, perguntem à minha mãe”. Depois de muitos tropeços cheguei a compreender que meu verdadeiro lugar tem a forma de Ilha e que deste, ao menos, não penso partir batendo a porta. Já partí uma vez com meus pertences nas costas, agora – que tenho o dobro daquela idade – me cabe ficar.

*Canção tema: “A vida é um divino roteiro”. Grupo Habana Abierta

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