Abram!

Aqui lhes deixo esta foto de sábado passado na entrada do cinema Acapulco para ver o filme “A vida dos outros”. Creio que tenha sido a maior aglomeração que já se viu neste Festival. Os que estávamos fora gritamos Abram!, ao ver que fechavam as portas ante a avalanche descontrolada que queria entrar. Intuí que aquele grito não se reduzia ao passar o umbral do cinema Acapulco, senão que era uma chamado à “Abertura” com maiúsculas. Eu o gritei, tambem, pensando nos diques, os limites e as fronteiras que teem que ceder e deixar-nos passar.

Abram! Gritamos fora do cinema e uma hora depois ouvíamos um personagem do filme dizer “O muro caiu”.  Abram! Dissemos com a cara colada no vidro, enquanto nos empurravam por trás. Abram! Seguimos pensando mesmo quando já estávamos nas frágeis cabines, a ponto de apagarem-se as luzes. Abram! Foi a palavra que me ficou desta noite e que repeti no outro dia pela manhã.

De maneira que o filme, rebatizada aqui como “A nossa vida” nos permitiu gritar a viva voz, em plena rua 26, um verbo que concentra todos os nossos desejos: Abram!

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