O arco da derrota

puentes_truncos

Pedaços de concreto, fragmentos de caminhos que não conduzem a nenhum lado, pontes que não unem duas margens. Monumentos a paralisia urbana situados ao longo da autopista nacional, estruturas inacabadas que contudo sonham com sentir o peso dos caminhões e das motocicletas. As pessoas se amontoam sob sua estrutura inacabada a espera de um transporte que os leve para algum lado, aproveitam a sombra dada por estes arcos da derrota, estas enormes estruturas que só servem como guarda-sol, os mais caros do mundo. Com parapeitos que não sentiram o calor da mão, as pontes incompletas do meu país nos fazem uma careta, nos mostram a língua lembrando-nos nossa atrofia urbanística, o raquitismo das nossas vias.

Sempre que passo sob suas construções deterioradas me pergunto: Que sentido tem estes caminhos isolados sem automóveis? Qual a razão de ser destes gigantes incompletos que não vão a nenhum lado? Foram erguidos ali quando se planejava que esta Ilha se encheria de autopistas, como uma espinha dorsal viva de onde sairiam ramais para todas as partes. Várias décadas depois continuam desconectadas da malha viária, acessíveis somente por cima, pousada irônica de urubus e lagartixas que se esquentam em suas colunas. Monólitos a imobilidade de um povo que no lugar de novas rodovias, calçadas, trevos e avenidas, tem visto como suas pontes isoladas se deterioram , começam a se rachar sem nunca haverem sentido o rolar de um pneumático.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

About these ads

Deixar uma resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s