Meu pedacinho

cangrejo

Cinco décadas de “nós”, de lavagem cerebral para um comportamento de inércia ou de pelotão e todavia, esta manhã – no parque – um jovem afirmava: “O que eu quero é ter meu pedacinho”. Disse-o como quem confessa o pecado de cobiçar algo distante, de satisfazer um desejo maldito pelo qual poderia receber o escárnio público. Enquanto falava de suas “ambições”, gesticulava com as mãos atraindo para si fantasias invisíveis que também nominava: “um teto”, “um salário decente”, “permissão para viajar”.

A coletivização não apagou em nós esse anelo humano de ter algo próprio e o igualitarismo forçado só incentivou as ânsias de nos diferenciarmos.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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