Arautos do fim

colmillos

Pulo da cama, um altofalante urra lá fora. Não entendo o que diz, porém lavo a cara como se fosse a última vez. Talvez seja o começo da guerra que tanto anunciaram nos últimos dias. Meu filho dorme até tarde e tenho vontade de despertá-lo para lhe advertir, porém não compreendo as palavras emitidas por essa caminhonete que já se distancía pela avenida.

Quando os que nos atemorizam vão prestar contas? Esses que passaram décadas sacudindo em frente aos nossos rostos o fantasma do cataclismo. É muito cômodo prognosticar e clamar pela guerra quando se tem um bunker, soldados e um colete a prova de balas. Esses arautos do fim estariam bem aqui, entre o zumbido da buzina e o filho que abre os olhos e pergunta assustado: “Mami, o que está acontecendo que há tanto barulho?”.

Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto

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