A estrela que ilumina e falta *

Entre as múltiplas formas de extinguir a luz, há algumas muito peculiares como a de “brilhar por sua ausência”. Tão inconfundível momento ficou plasmado numa foto que apareceu na primeira página do Granma, onde falta à bandeira cubana as cinco pontas brancas no meio do triângulo. A comoção foi tal que o jornal se esgotou nas primeiras horas da manhã e hoje todos na rua falavam do mesmo. Evidentemente não se trata de um erro de impressão, pois uma estrela não foge tão facilmente.

Prefiro pensar que, caprichoso e soberbo, a estrela brilhante que representa nossa soberania decidiu ausentar-se, véspera do aniversário do Mestre. Porque a independência que ele irradia não é sómente de sermos autonomos de uma potência estrangeira, senão a que permite a cada cidadão ser soberano do poderoso Estado. Em vistas que a obscuridade – no terreno das liberdades civis – não nos deixa ver nem as mãos, a estrela solitária abandonou seu ambiente vermelho, para deixar o órgão oficial  do Partido com sua marcante ausência em primeiro plano.

Há erros que tem maior carga simbólica que centenas de acertos. Estrelas esquivas e leitores que interpretam sua escapada; Ilhas que vivem pendentes de profecias e superstições: dias para lembrar o herói nacional e bandeiras que se atrevem a mostrar o que tantos silenciam.

*Verso martiniano, que originalmente disse “A estrela que ilumina e mata”.

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