Contagiados pelos descontos

Baixou o preço do combustivel nos postos e na quinta-feira passada o Granma anunciou que para obter uma linha de celular só se necessita agora da metade do dinheiro. Não é notícia frequente que o custo de algo diminua, assim é que estamos ainda duvidando se é sómente um presente de Natal ou o início de um extensivo reajuste de preços. Tive o sonho premonitório – e ingênuo -que talvez esta onda de diminuições se extenda tambem à produtos básicos como o leite, que no mercado em pesos conversíveis tem o abusivo preço de 2.40 cuc por litro.

Como meu filho já tem treze anos, desde há seis que não tem o direito à quota racionada e os mercadores ilegais – com sua oferta de leite em pó – não bateram mais em minha porta depois dos furacões passados. Comprar o /tetra pack/ das lojas em divisas é um sacrifício que só podem fazer uns poucos e tem um sabor de trapaça oficializada. Daí que eu gostaria de recomendar ao Ministério de Preços e Finanças que amplie estas diminuições à todos os produtos básicos que exibem preços proibitivos. Quanto desejaria que nos dessem uma verdadeira surpresa natalina e antes de 31 de dezembro com o salário de um operário possa pagar-se uma vasilha do apreciado lácteo para cada manhã.

Nota do tradutor:
Cuba tem um sistema monetário duplo; salários são pagos em pesos cubanos enquanto turistas usam pesos conversíveis (CUCs). Porém o sistema se sobrepõe porque muitos produtos são disponíveis – mesmo para cubanos -sómente em CUCs. Um CUC vale aproximadamente 20 a 25 pesos, ou US$1.10, $1.30 de dólar canadense, ou 0.80 euros (mais taxas de câmbio). O salário médio mensal é cerca de 400-500 pesos cubanos, ou US$ 15-20. Dessa forma, um litro de leite a 2.40 CUCs corresponde a 2-3 dias de salário.

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